O delicado cálculo de cada passo

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Se houver uma palavra que possa definir o atual estado de espírito do prefeito Audifax Barcelos à frente do executivo, essa palavra seria ‘equilibrista’. É assim que ele se sente, administrando uma cidade com a mesma receita de 2008 (pouco menos de R$ 1 bilhão), com 90 mil pessoas a mais, o que equivale à população de Viana, como ele mesmo fala em suas andanças pelos bairros e nos encontros que faz junto ao empresariado.

Audifax parece andar em uma corda banda, segurando uma vara, onde de um lado está a receita que cai e do outro a despesa que sobe. Ele tem que ter a competência de se manter em cima da corda, calculando cada passo; torcer para não ter um vento forte, brigando para a receita se manter a patamares que permita ao menos a manutenção dos serviços prestados aos munícipes e ao mesmo tempo segurar a pressão dos gastos que a todo momento pressionam os cofres municipais.

Como o próprio prefeito comenta, a Serra é uma cidade cuja população se acostumou com obras. Pavimentação de vias, construção de praças, de escolas, de creches, de unidade de saúde, além dos muitos serviços prestados em outras as áreas. Essa pressão por obras continua: quanto mais se faz, mais se exige. São demandas que não cessam, pois a população também não para de crescer.

Já em Vitória, por exemplo, Audifax diz que não há essa pressão por obras. Lá as cobranças são de outra natureza, menos onerosa aos cofres municipais; mais voltada para a gestão, comportamento dos gestores, eventos culturais, esportivos, iniciativas que tragam bem estar aos munícipes.

Com relação a Cariacica, na opinião de Barcelos, é uma cidade que sonha em ser uma Serra: quer ter boa malha viária, ampla rede escolar e de saúde, boa cobertura de saneamento básico. Isso faz com que a pressão lá seja mais dispersa, aleatória. Não que isto facilite a vida do prefeito Juninho (PPS), outro postulante a ficar mais quatro anos à frente da cidade que dirige.

Não deixeis cair em tentação

Apesar de todos os desafios de tocar uma cidade tão complexa quanto a Serra, com uma receita estagnada e demanda que só cresce, Audifax afirma que resiste a todas as tentações de fazer ‘besteiras’ e é taxativo em não agir pensando somente em reeleição, como por exemplo usar dinheiro da iluminação pública para pagamentos de despesas que não sejam pertinentes ao caso. Coisa que já aconteceu na Serra com outros gestores.

Afirma também que resiste à tentação de não depositar fielmente todo mês os valores devidos ao pagamento de precatórios; dinheiro esse que poderia estar financiando a saúde ou a educação, mas que se não depositar depois estará sendo acusado de improbidade administrativa.

Também assegura que fica vigilante com as aplicações do regime próprio de previdência social, como aconteceu no passado, de uma aplicação de R$ 40 milhões do IPS que foram parar em um banco que faliu 30 dias depois da aplicação.

Essas e outras tentações são citadas pelo prefeito como armadilhas sedutoras para gestores, que acabam adotando práticas consideradas ilícitas pela legislação e pelos órgãos de fiscalização. Práticas que, em um primeiro momento, são tidas como um desafogo para o gestor. Mas que o preço vem depois, com ações civis movidas pelo Ministério Público e pela rejeição das contas por parte do Tribunal de Contas. Sem contar as pesadas multas aplicadas contra quem pratica tais atos.

É indubitável que Audifax Barcelos queira ficar mais quatro anos à frente do executivo municipal. Mas não deve fazer isto a qualquer preço.

 

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