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Orelhão vai voltar às ruas do Brasil, mas sem telefone e com nova função

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O orelhão vai voltar às ruas, mas ninguém vai conseguir fazer uma ligação nele. O novo orelhão troca o telefone por água gelada e um micro-ondas, que trabalhadores poderão usar de graça, sem cadastro, sem aplicativo e sem precisar comprar nada. A primeira unidade começa a funcionar nesta terça-feira (10).

A estreia acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais, às 10h30, no Posto Rede Beija-Flor, na avenida do Canal, bairro Átila de Paiva, região do Barreiro. A proposta é criar um ponto de apoio para quem passa o dia na rua, como entregadores, motoristas de aplicativo e ambulantes, que poderão encher a garrafa e esquentar a marmita.

Como funciona o novo orelhão

Cada unidade tem um sistema de água gelada e um micro-ondas industrial. Segundo os idealizadores, o aparelho é de aço inox, não tem prato giratório e aguenta até 200 usos por dia. Além disso, toda a estrutura foi pensada para ficar ao ar livre e suportar uso intenso.

O acesso é livre para trabalhadores em geral. Ninguém precisa se cadastrar, baixar aplicativo ou consumir algum produto no local.

Novo orelhão mantém o visual de 1971

Quem cresceu vendo orelhões nas calçadas vai reconhecer o formato na hora. O projeto preservou a identidade criada em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, autora do desenho que marcou a paisagem das cidades brasileiras por décadas e que foi sumindo com a chegada do celular.

Por outro lado, os materiais mudaram. A antiga cúpula de fibra de vidro deu lugar a uma estrutura industrializada em ABS, com proteção contra raios ultravioleta e acabamento em pintura automotiva. Todo o desenvolvimento levou 18 meses de pesquisa.

Quem paga a conta

O serviço sai de graça para o trabalhador porque a publicidade banca a operação. Cada orelhão tem espaços para anúncios, e a projeção dos idealizadores é que cada unidade gere, em média, R$ 20 mil por mês. Já o custo de fabricação de cada equipamento está estimado em R$ 30 mil.

A iniciativa é privada e partiu do empreendedor André Souza, que tem experiência em projetos de inovação nas áreas de comunicação, turismo e tecnologia.

Novo orelhão pode chegar a outras cidades

O plano não para na capital mineira. A meta é montar uma rede nacional com 2 mil unidades já no primeiro ano de expansão. Nesta primeira fase, os equipamentos devem ocupar pontos estratégicos, com grande concentração de trabalhadores.

Por enquanto, os idealizadores não divulgaram quais cidades devem receber as próximas unidades nem quando o novo orelhão chega a outros estados, incluindo o Espírito Santo.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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