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Supermercado operado por IA deixa cliente pegar as compras e ir embora sem passar pelo caixa

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O cliente entra, enche a sacola e vai embora. A conta chega pelo celular, sem fila, sem esteira e sem ninguém registrando produto por produto. Assim funciona o supermercado sem caixa operado por inteligência artificial que o Grupo Muffato, sexta maior rede supermercadista do país, abriu no fim de outubro.

A loja fica no Centro Cívico de Curitiba (PR), na Avenida Cândido de Abreu, em frente ao Shopping Mueller. Para montá-la, a rede investiu R$ 10 milhões. Além disso, apresenta a unidade, batizada de MGO, como a maior loja totalmente autônoma da América Latina.

Como o supermercado sem caixa sabe o que você pegou

Ninguém confere nada na saída porque o trabalho já foi feito lá dentro. A loja tem 587 câmeras 4K e 817 prateleiras com sensores, ligadas a um sistema de inteligência artificial da Sensei, empresa portuguesa especializada em automação no varejo.

Quando o cliente tira um produto da gôndola, a IA coloca o item numa cesta virtual. Se ele muda de ideia e devolve, o sistema percebe e corrige a conta na hora. Por isso, não existe leitor de código de barras nem etapa de registro no fim da compra.

A IA pesa até a fruta e o pão

O maior avanço está nos produtos vendidos por peso. Na primeira loja da rede, aberta em 2022, frutas e verduras eram vendidas por unidade. Agora, as prateleiras registram o peso e as câmeras identificam o produto, sem balança e sem etiqueta.

Com isso, o setor de hortifrúti cresceu e a loja ganhou uma padaria completa. O cliente pega o pão francês, e o valor entra na conta de acordo com o peso.

Dá para comprar sem aplicativo

Também mudou a forma de pagar. Quem usa o aplicativo sai direto, e a cobrança cai automaticamente, com comprovante no celular. Já quem prefere não baixar nada paga em totens, com Pix, cartão de crédito ou débito, e recebe um QR Code que libera a cancela de saída.

A mudança tem explicação. Segundo o portal Click Petróleo e Gás, a rede deixou de exigir cartão cadastrado no aplicativo depois de perceber que parte dos clientes se sentia intimidada com a exigência.

Na contramão da Amazon

A aposta chama atenção porque segue no sentido oposto ao da gigante americana. No início de 2026, a Amazon anunciou o fechamento das lojas Amazon Go, pioneiras do modelo em que o cliente pega o produto e sai. Em 2018, a empresa planejava abrir até 3 mil unidades sem caixa. No entanto, quando desistiu, operava apenas 15.

O Muffato, por outro lado, testou o formato por quatro anos antes de ampliar. A primeira loja, na Avenida República Argentina, tinha 248 metros quadrados e 1.754 itens. Ela fechou e deu lugar à nova geração, mais completa e mais tecnológica.

Para o diretor Everton Muffato, o conceito MGO deixa de ser um teste e passa a ser um modelo de negócios, ao lado das lojas físicas e do comércio digital.

O que mais o supermercado sem caixa faz

Além de cobrar, a inteligência artificial avisa a equipe quando um produto está acabando na prateleira e ajuda a reduzir perdas. Ao mesmo tempo, gera dados sobre o comportamento de consumo, que orientam o estoque e a organização da loja.

O grupo faturou R$ 20,3 bilhões em 2025, segundo o Ranking Abras, e soma cerca de 130 lojas no Paraná e em São Paulo. Com os investimentos anunciados para 2026, que incluem a nova MGO, a rede prevê chegar a 18 lojas só em Curitiba.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é jornalista, publisher e sócio-diretor do Jornal Tempo Novo, veículo fundado em 1983 na Serra (ES) e referência na cobertura da Serra e da Grande Vitória. Conduziu a transformação digital do jornal, que em 2025 foi eleito o melhor site estadual de notícias no Brasil Publisher Awards. No portal, assina a coluna Mestre Álvaro, com análises sobre política, economia, segurança pública, infraestrutura e meio ambiente, sempre com leitura crítica dos fatos e apoio em dados. Formado em Administração pela Ufes, é autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024). Recebeu a Ordem do Mérito Domingos Martins e a Comenda Augusto Ruschi, da Assembleia Legislativa do ES, e a Comenda Nelson Mandela, da Câmara Municipal da Serra. Com leitura crítica dos fatos e uso de dados públicos, acompanha de perto a gestão municipal, as eleições e os temas que mexem com o dia a dia de quem vive na Serra. É autor do livro Serra: a história de uma cidade (2024), uma reconstituição jornalística da trajetória do município.

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