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Igreja da Serra com mais de 250 anos vai passar por restauro de R$ 5,7 milhões para voltar a brilhar

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Igreja Matriz da Serra iluminada à noite, com fachada branca, duas torres e cruzes douradas, cercada por jardim e palmeiras
Inaugurada em 1769, a Igreja Matriz da Serra vai passar por restauro de R$ 5,74 milhões
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A Igreja Matriz da Serra está a um passo de entrar em obras. A prefeitura assinou nesta terça-feira (3) o contrato de R$ 5,74 milhões para restaurar o templo, inaugurado em 1769, e reformar a praça do entorno.

O extrato do contrato saiu no Diário Oficial do Município desta quarta-feira (4). A Compacta Construções e Pavimentações venceu a concorrência e vai cuidar das duas frentes: a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e a Praça Barbosa Leão, no centro da Serra Sede. O dinheiro vem de repasse do governo do Estado e de recursos próprios do município.

Quanto tempo vai durar a obra na Igreja Matriz da Serra

O contrato tem vigência de 540 dias, cerca de 18 meses. Dentro desse período, segundo o edital, a empresa terá 12 meses para executar os serviços. Por enquanto, a prefeitura ainda não divulgou a data de início dos trabalhos, que depende da ordem de serviço.

O que está danificando a igreja

O diagnóstico que embasou a licitação mostra um prédio castigado pelo tempo. A umidade constante deixou fungos e sais nas paredes. Em vários trechos, a argamassa se perdeu ou se soltou, e a pintura já mudou de cor.

Além da estrutura, o restauro vai alcançar o que a igreja guarda de mais precioso por dentro. A lista inclui os retábulos, que são as estruturas ornamentais montadas acima dos altares. Entram no serviço o do altar-mor e os dos altares de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Santíssimo Sacramento, além dos púlpitos. Também passarão por recuperação as imagens de Nossa Senhora da Conceição, São José e São Sebastião, junto com a do Cristo Crucificado.

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A história da Igreja Matriz da Serra

A trajetória do templo se confunde com a origem da própria cidade. Segundo o livro “Serra: a história de uma cidade” (2024), do autor Yuri Scardini, uma Carta Régia elevou o povoado da Serra de Mestre Álvaro à categoria de freguesia em 24 de março de 1752. A nova freguesia ficava ligada ao território de Vitória. No entanto, a mudança não saiu do papel naquele ano, porque o povoado não tinha igreja.

Na época, a freguesia era ao mesmo tempo uma divisão civil e eclesiástica, algo parecido com o que hoje seria um distrito somado a uma paróquia. Sem um templo, a comunidade não tinha um ponto central de culto, nem um núcleo de administração e governança. Por isso, as obras da capela começaram ainda naquele contexto.

A construção levou 17 anos, sinal da falta de mão de obra e de recursos. Somente em 29 de novembro de 1769 a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição foi inaugurada, com autorização do bispo do Rio de Janeiro, a quem o Espírito Santo estava subordinado na época. O primeiro pároco foi o padre Francisco Xavier de Albuquerque. A partir daí, a região de Serra Sede, com o nome de Nossa Senhora da Conceição da Serra, passou a ser de fato uma freguesia da Vila de Vitória.

No ano seguinte, a antiga Capela de São João Batista, em Carapina, tornou-se filial da nova paróquia. O registro mostra que, quando a identidade do atual centro administrativo da Serra começou a ganhar forma, Carapina já estava sob sua influência. Considerando a extensão da antiga Fazenda de Carapina, toda a atual região continental de Vitória fazia parte, no princípio, do “distrito” da Serra.

E a data de 1556?

Algumas vertentes da história serrana defendem que uma igreja primitiva teria sido inaugurada no local em 1556. Até hoje, porém, nenhuma fonte documental comprova essa data. Os registros disponíveis apontam 1752 como o início das obras e 1769 como o ano de inauguração do templo que continua de pé.

Igreja histórica da Serra guarda a memória da cidade

Mais de dois séculos e meio depois, a Matriz guarda a memória e as tradições de uma Serra quase esquecida. É ali que a cidade celebra São Benedito no fim do ano, com as bandas de congo tomando a praça. No mesmo endereço, o serrano assiste à missa que abre as comemorações do Dia do Serrano, em 26 de dezembro.

Por isso, a obra mexe com algo que vai além da arquitetura. Para muita gente da Serra Sede, a igreja é ponto de fé, de encontro e de identidade. Já a reforma da praça prevê reorganizar os dois espaços que formam o largo, um deles mais próximo da igreja.

Com o contrato assinado, o relógio começa a correr. Agora, a cidade espera ver o andaime subir e, no prazo combinado, a Matriz de volta com as cores e os altares que marcaram gerações.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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