Pelo menos 33 países orientam a população a manter em casa um kit de emergência com água, comida, remédios e itens básicos para atravessar os primeiros dias de uma crise. Na maioria dos casos, a recomendação é de um kit de emergência de 72 horas. O tema tomou conta das redes sociais nas últimas semanas, quase sempre acompanhado de vídeos de supermercados lotados e da promessa de um apagão que estaria a caminho.
O Brasil está entre os países citados na lista da revista americana Newsweek, que mapeou governos com orientações desse tipo em seis continentes. Só a Europa concentra 17 países, entre eles Reino Unido, França, Alemanha, Holanda, Suécia, Noruega, Finlândia e Polônia. Nas Américas, além do Brasil, aparecem Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Colômbia e Argentina.
Fora desses dois continentes, o levantamento inclui Japão, Taiwan, Israel, Índia, Filipinas e Singapura, na Ásia, além de Austrália e Nova Zelândia. A África do Sul completa a conta, com uma orientação da Cidade do Cabo.
Kit de emergência não é aviso de apagão
Apesar do tom de muitas publicações, nenhum desses governos anunciou apagão, guerra ou catástrofe com data marcada. Trata-se de política de prevenção, e boa parte dessas orientações já existia antes da onda nas redes.
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O caso mais recente é o do Reino Unido. Em 22 de outubro, o governo britânico lançou a campanha “Be Ready” (Esteja preparado), primeira etapa de um programa de conscientização previsto para durar três anos. Mesmo assim, o Cabinet Office, departamento que coordena o governo, afirmou que a iniciativa não responde a nenhuma ameaça específica ou iminente. O primeiro-ministro Andy Burnham também pediu que ninguém saísse às compras por pânico.
Por que tantos países falam em kit de emergência agora
Os governos citam um pacote de riscos: tensões geopolíticas e possibilidade de guerra, ataques cibernéticos contra serviços básicos, eventos climáticos extremos e falhas no abastecimento. Na Europa, o assunto ganhou força em março de 2025, quando a Comissão Europeia apresentou sua Estratégia da União da Preparação. No mês seguinte, o apagão que deixou Portugal e Espanha no escuro serviu de alerta prático.
Já no último dia 3, a Comissão publicou novas diretrizes para os 27 países do bloco. A ideia é que cada família consiga se manter sozinha por pelo menos 72 horas, mas o documento não fixa quantidades nem obriga ninguém a nada.
Quanto tempo de estoque cada país pede
Três dias é o prazo mais comum. França, Reino Unido, Canadá, Japão, México e Holanda seguem essa linha. Por outro lado, Suécia e Noruega recomendam suprimentos para cerca de uma semana, enquanto a Alemanha fala em até 10 dias. Os Estados Unidos pedem estoque para “vários dias”, e a Índia indica o kit sem definir prazo.
O conteúdo, porém, é parecido em quase todos os lugares: água potável, alimentos que não estragam fora da geladeira, remédios, lanterna, rádio a pilha, pilhas extras e carregador de celular. A lista francesa inclui ainda dinheiro em espécie e cópias de documentos. Já o governo britânico calcula três litros de água por pessoa por dia, só para beber.
Corrida aos supermercados
Mesmo sem ameaça concreta, a campanha britânica mexeu com o comércio. A rede Iceland registrou alta de 40% na venda de enlatados, e a varejista Robert Dyas viu a procura por rádios subir 160% em uma semana. Houve ainda relatos de prateleiras vazias de água, pilhas e feijão em lata.
Em outros países, a reação foi a oposta. Na Malásia, o governo veio a público dizer que o país tem estoque de alimentos para seis meses e que não há necessidade de medidas de emergência.
No Brasil, a Defesa Civil Nacional também publicou, na sexta-feira (6), orientações para a montagem de um kit para 72 horas. O órgão reforçou que se trata de conteúdo preventivo, sem relação com nenhuma ameaça.