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Fabricante mundial de pneus fecha fábrica no Brasil, demite todos os funcionários e encerra produção

A fabricante mundial de pneus fechou uma fábrica no Brasil e demitiu todos os funcionários.
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Fabricante mundial de pneus
A fabricante mundial de pneus fechou uma fábrica no Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de pneus do mundo encerrou definitivamente as atividades de uma de suas fábricas no Brasil. A unidade deixou de produzir após um processo gradual de desativação e trabalhadores foram atingidos pelo fechamento.

A decisão colocou fim a décadas de atividade industrial no local. A fábrica produzia câmaras de ar para pneus de motocicletas e bicicletas, pneus industriais e produtos semiacabados utilizados pela companhia.

A empresa responsável pelo encerramento é a Michelin, multinacional francesa e uma das marcas mais conhecidas do setor automotivo mundial. A fábrica fechada ficava em Guarulhos, na Grande São Paulo, e fazia parte da estrutura brasileira da companhia.

O encerramento também acompanha uma reorganização internacional da Michelin. Nos últimos anos, a fabricante anunciou fechamentos ou encerramentos de produção em unidades no México, França e Alemanha, afetando milhares de trabalhadores.

Fabricante mundial de pneus fecha fábrica no Brasil e afeta trabalhadores

A Michelin anunciou em junho de 2025 que encerraria gradualmente a operação industrial de Guarulhos. O cronograma avançou durante o segundo semestre e a produção terminou definitivamente no final daquele ano.

Em janeiro de 2026, veículos de comunicação registraram a conclusão do processo de fechamento. Com isso, aproximadamente 350 trabalhadores que atuavam na fábrica foram afetados pelo encerramento da unidade.

A Michelin havia anunciado um pacote social para os funcionários. A proposta incluía apoio financeiro e serviço de orientação profissional, além das obrigações previstas pela legislação trabalhista.

A empresa também afirmou que negociava as condições com representantes dos trabalhadores, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Produtos importados pesaram na decisão

Ao explicar por que decidiu abandonar a produção naquela fábrica, a Michelin apontou diretamente para uma transformação no mercado.

Segundo a companhia, ocorreu uma supercapacidade de produção provocada pela entrada expressiva de produtos importados da Ásia.

A Michelin afirmou ainda que alguns desses produtos chegavam ao mercado brasileiro com preços inferiores ao custo da produção local. O problema atingia principalmente o segmento de câmaras de ar para pneus de motocicletas e bicicletas.

Antes de decidir pelo fechamento, a fabricante afirmou que analisou diferentes alternativas para tentar manter a operação.

Entretanto, segundo a companhia, as tendências do mercado não indicavam uma mudança no cenário. Nenhuma das alternativas estudadas apresentou condições consideradas sustentáveis para a continuidade da fábrica.

Por isso, a Michelin classificou o encerramento como um último recurso.

Fábrica tinha mais de 70 anos de história industrial

O fechamento também colocou fim a uma longa trajetória de fabricação de pneus no local.

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A planta pertencia anteriormente à Levorin, tradicional fabricante brasileira adquirida pela Michelin em 2016. A operação industrial ligada à Levorin existia na região havia mais de 70 anos.

Depois da aquisição, a estrutura passou a integrar a operação da Michelin.

Nos últimos anos, a unidade produzia principalmente câmaras de ar para motos e bicicletas. Além disso, fabricava pneus industriais e componentes semiacabados.

A fábrica chegou ao fim justamente em um momento de forte pressão dos produtos asiáticos sobre segmentos de menor preço do mercado de pneus.

Michelin também fechou fábrica em outro país

O Brasil não foi o único país latino-americano atingido pela reorganização industrial.

A Michelin também decidiu fechar sua fábrica de Querétaro, no México. A unidade tinha aproximadamente 480 funcionários e encerrou sua produção dentro do mesmo horizonte de reorganização que atingiu a fábrica brasileira.

Nesse caso, porém, o motivo apresentado foi diferente.

Segundo a Michelin, o mercado de pneus para automóveis e veículos comerciais leves migrou para produtos maiores. A fábrica de Querétaro estava estruturada para fabricar pneus menores e se tornou tecnológica e economicamente obsoleta.

A Michelin concluiu que modernizar a estrutura para atender às novas exigências não seria competitivo.

Por outro lado, a fabricante não deixou o México. A produção continua em sua fábrica mais moderna de León, no estado de Guanajuato, inaugurada em 2016.

Somados, os fechamentos de Guarulhos e Querétaro atingiram cerca de 830 trabalhadores. A própria Michelin incluiu as duas unidades entre os ajustes de capacidade de sua estrutura mundial.

Duas fábricas da fabricante mundial de pneus também fecham

A reorganização avançou ainda sobre o país de origem da multinacional.

A Michelin anunciou o fechamento das unidades de Cholet e Vannes, na França, com encerramento da produção previsto, no máximo, para o início de 2026. Juntas, as duas fábricas empregavam 1.254 pessoas.

A maior delas é Cholet.

A fábrica contava com 955 funcionários e produzia principalmente pneus de até 17 polegadas destinados a veículos comerciais leves.

A produção desse segmento caiu fortemente nos últimos anos. Segundo dados apresentados pela Michelin, Cholet produzia aproximadamente 4,37 milhões de unidades em 2019. Em 2024, o volume havia recuado para aproximadamente 2,62 milhões.

A outra unidade, em Vannes, contava com 299 funcionários e fabricava principalmente reforços metálicos utilizados na fabricação de pneus em outras plantas europeias.

Concorrência asiática também atingiu fábricas francesas

A Michelin apontou novamente para a transformação do mercado e o avanço dos produtos mais baratos.

Segundo a fabricante, os mercados europeus de pneus para automóveis, veículos comerciais leves e caminhões passaram por uma mudança estrutural, com crescimento dos pneus de entrada e maior presença de produtos de baixo custo, principalmente provenientes da Ásia.

Além disso, a companhia citou inflação, aumento dos preços da energia e deterioração da competitividade industrial europeia.

A Michelin afirmou que esses fatores criaram excesso de capacidade produtiva em determinadas fábricas.

Apesar dos fechamentos, a companhia rejeitou posteriormente a acusação de que teria simplesmente transferido deliberadamente a produção das fábricas francesas para países como Polônia e Itália. Segundo a Michelin, os encerramentos decorreram de razões econômicas e da queda dos mercados atendidos pelas unidades.

Alemanha também entrou na reorganização da Michelin

Antes dos movimentos no Brasil, México e França, a fabricante já havia anunciado uma grande redução de sua estrutura industrial na Alemanha.

Nesse caso, é importante diferenciar fechamento de fábrica do encerramento de determinadas atividades produtivas.

A Michelin decidiu interromper gradualmente a produção nos sites de Karlsruhe e Trier. Além disso, determinou o fim da fabricação de pneus novos e produtos semiacabados em Homburg.

A reorganização alemã atingiu aproximadamente 1.532 funcionários e tinha conclusão prevista até o final de 2025.

A companhia também decidiu transferir o centro de atendimento ao cliente de Karlsruhe para a Polônia.

Mais uma vez, a Michelin citou a crescente concorrência de pneus de caminhões de baixo custo e a falta de competitividade das operações alemãs nos mercados europeu e de exportação.

Reestruturação atinge milhares de trabalhadores

Considerando apenas alguns dos principais movimentos recentes anunciados pela Michelin, o impacto é significativo.

As unidades de Guarulhos e Querétaro somavam 830 trabalhadores afetados. Cholet e Vannes reuniam outros 1.254 funcionários. Já a reorganização das operações alemãs atingiu 1.532 pessoas.

Portanto, esses três grandes movimentos envolveram aproximadamente 3,6 mil trabalhadores.

Os casos não possuem exatamente a mesma natureza. Brasil, México e França tiveram decisões de fechamento de unidades produtivas, enquanto na Alemanha o plano combinou encerramento da produção em sites e eliminação de atividades industriais específicas.

Ainda assim, todos fazem parte de uma ampla adaptação da capacidade produtiva da Michelin diante das mudanças no mercado mundial de pneus.

Fabricante mundial de pneus não deixou o Brasil

Apesar do fechamento em Guarulhos, a fabricante francesa continua produzindo e investindo em operações brasileiras.

Esse ponto ganhou importância porque, em 2026, publicações nas redes sociais passaram a afirmar que a Michelin havia encerrado suas atividades no país. A informação não procede.

Em resposta à AFP, a própria empresa afirmou que continua mantendo no Brasil o ciclo completo de produção.

Atualmente, a Michelin mantém fábricas de pneus no Rio de Janeiro, Itatiaia e Manaus, além de unidades ligadas a equipamentos e tecnologia automotiva em Campinas e Contagem. A companhia também possui outras estruturas relacionadas à produção e beneficiamento de borracha.

Quando anunciou o fechamento de Guarulhos, a Michelin informou que possuía mais de 8 mil funcionários no Brasil e reafirmou a continuidade das demais operações nacionais.

Portanto, o encerramento não representa uma saída da Michelin do Brasil.

O que terminou definitivamente foi a produção da fábrica de Guarulhos, deixando cerca de 350 trabalhadores afetados e encerrando uma história industrial de mais de sete décadas no local.

Ao mesmo tempo, o fechamento brasileiro se soma a uma reorganização internacional que também atingiu fábricas e linhas produtivas da Michelin em outros países.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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