Um frigorífico encerrou as atividades depois de enfrentar uma grave crise financeira, demitiu cerca de 350 trabalhadores e deixou uma dívida que ultrapassa R$ 120 milhões. Agora, ex-funcionários cobram salários, benefícios e verbas rescisórias que ainda não receberam.
A empresa é a Balbinos Agroindustrial, que teve a falência decretada pela Justiça em 20 de agosto de 2026. A companhia mantinha uma planta frigorífica com capacidade para abater até 700 animais por dia.
A fábrica funcionava em Sidrolândia, no Mato Grosso do Sul. Além dos trabalhadores, produtores rurais e outros credores também tentam recuperar valores que a empresa deixou em aberto.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Carnes e Aves de Sidrolândia (Sindiaves), aproximadamente 350 ex-funcionários aguardam pagamentos após o encerramento das atividades.
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Frigorífico demite 350 trabalhadores após crise
Os trabalhadores assinaram os documentos de desligamento em 14 de agosto. No entanto, a crise da empresa já havia comprometido diferentes pagamentos.
Entre as cobranças aparecem o salário referente a julho de 2026, cestas básicas e as verbas rescisórias decorrentes das demissões.
O salário de julho deveria ter entrado nas contas até o quinto dia útil de agosto. Já o prazo para quitar as rescisões terminou em 24 de agosto, segundo informações apresentadas pelo sindicato.
Como os valores não chegaram, ex-funcionários começaram a pressionar pela liberação dos recursos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
No fim de agosto, trabalhadores realizaram manifestações para cobrar os pagamentos e chamar a atenção para a situação.
Trabalhadores entram na Justiça para receber valores
Além das manifestações, os funcionários recorreram à Justiça.
O departamento jurídico do Sindiaves apresentou uma ação civil pública e pediu uma liminar para tentar bloquear recursos destinados ao pagamento dos direitos trabalhistas.
Ao mesmo tempo, grande parte dos trabalhadores também ingressou com processos individuais.
A medida busca garantir dinheiro suficiente para quitar salários e rescisões diante do processo de falência da companhia.
Os créditos trabalhistas possuem tratamento prioritário previsto pela legislação falimentar, embora o pagamento dependa da existência de recursos e das etapas do processo judicial.
Dívida do frigorífico passa de R$ 120 milhões
A dimensão da crise vai muito além das obrigações com os funcionários.
A Balbinos informou à Justiça que acumula mais de R$ 120 milhões em débitos. A lista inclui diferentes credores ligados à operação da empresa.
Produtores rurais também cobram pagamentos.
Cinco pecuaristas de Campo Grande, Coxim e Ribas do Rio Pardo recorreram à Justiça para tentar receber cerca de R$ 2,1 milhões.
Segundo as cobranças, os produtores entregaram lotes de gado para abate, porém não receberam integralmente pelos animais negociados.
Assim, a paralisação da fábrica passou a atingir também fornecedores que dependiam do frigorífico para comercializar sua produção.
Fábrica entra no centro de disputa judicial
Mesmo depois do encerramento das atividades, a estrutura industrial da Balbinos virou alvo de outra discussão.
Credores contestaram uma proposta para arrendar a unidade frigorífica. O caso chegou à Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande.
A proposta envolve R$ 150 milhões pelo período de seis meses.
Entretanto, representantes de credores questionam as condições apresentadas. Eles afirmam que, considerando a capacidade de aproximadamente 700 abates por dia, os números previstos no acordo não seriam proporcionais ao potencial operacional da fábrica.
Por isso, o destino da planta permanece ligado às decisões tomadas dentro do processo de falência.
O que diz a Balbinos sobre salários e rescisões?
A Balbinos Agroindustrial atribuiu a paralisação da operação à falta de capital de giro.
Em manifestação divulgada anteriormente, a empresa afirmou que a dificuldade financeira impediu tanto a continuidade das atividades quanto o pagamento dos trabalhadores.
A companhia também destacou que os débitos trabalhistas possuem prioridade dentro do processo falimentar.
Além disso, declarou que mantém colaboração com a Justiça e com a administração judicial para cumprir as etapas necessárias ao pagamento dos credores.
Enquanto isso, aproximadamente 350 trabalhadores continuam tentando receber os valores relacionados ao período em que ainda estavam empregados e às respectivas demissões.
O que os 350 trabalhadores estão cobrando?
Os ex-funcionários cobram principalmente três pagamentos: o salário referente a julho de 2026, as cestas básicas pendentes e as verbas rescisórias.
O sindicato também tenta assegurar recursos por meio de uma ação coletiva, enquanto vários trabalhadores mantêm processos individuais.
Quanto o frigorífico deve?
Os débitos informados no processo ultrapassam R$ 120 milhões.
Além das dívidas trabalhistas, a crise alcança fornecedores e pecuaristas. Somente cinco produtores rurais cobram aproximadamente R$ 2,1 milhões referentes à venda de gado para abate.
Quando a Justiça decretou a falência?
A Justiça decretou a falência da Balbinos Agroindustrial em 20 de agosto de 2026.
Desde então, trabalhadores e demais credores aguardam o andamento do processo para saber quando e de que maneira poderão receber os valores que têm a cobrar.