Moradores e frequentadores do balneário de Bicanga, na Serra, vivem dias de tensão e preocupação. Há pelo menos 15 dias, uma mulher, que aparenta sofrer de graves transtornos mentais, está vivendo em áreas públicas do bairro, protagonizando cenas que têm chocado quem passa pelo local.
Nesta sexta-feira (13), novos registros mostram a gravidade da situação. A mulher foi flagrada circulando nua próximo à orla, em plena luz do dia. Segundo relatos de moradores obtidos em grupos de mensagens, a situação fugiu do controle: ela dorme na rua, profere xingamentos constantes e apresenta comportamentos agressivos com pedestres.
O “Limbo” da Assistência
A maior frustração da comunidade é a sensação de impotência das autoridades. “Ninguém pode fazer nada, nem a polícia”, desabafou um morador em uma conversa por aplicativo.
A preocupação aumenta devido à presença de crianças que frequentam a praia e o calçadão. “É um caos, as crianças vendo tudo, e ela xinga muito”, relata outra testemunha. Informações preliminares indicam que a mulher já possui cadastro nas equipes de abordagem social da prefeitura, mas as intervenções realizadas até agora não foram suficientes para retirá-la da situação de vulnerabilidade ou garantir o tratamento psiquiátrico necessário.
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de acordo com a Polícia Militar (PMES), a corporação foi acionada para verificar um chamado relatando que uma mulher estaria nua, tomando banho no chuveiro próximo a um quiosque em Bicanga, na Serra. Uma guarnição foi ao local, sendo o fato resolvido sem a necessidade de encaminhamento por parte da PM.
Em nota enviada ao Jornal Tempo Novo, a Prefeitura da Serra informou que teve conhecimento da situação envolvendo a mulher em situação de rua, que estaria em surto e circulando sem roupas em vias públicas. “A prefeitura esclarece que, em casos de comportamento agressivo ou surto que coloquem em risco a integridade da própria pessoa ou de terceiros, a orientação é que a população acione prioritariamente o SAMU e a Polícia Militar ou a Guarda Civil Municipal”.
Ainda conforme a prefeitura, de acordo com as diretrizes da política de assistência social e com a legislação de direitos humanos, pessoas em situação de rua não podem ser conduzidas ou levadas para abrigos de forma compulsória. “O acolhimento institucional é realizado de forma voluntária, com oferta de proteção, cuidados e encaminhamentos pela rede de serviços”.
Segundo a prefeitura, caso haja indícios de surto ou necessidade de atendimento em saúde mental, a pessoa deve ser avaliada por equipes de saúde para definição das medidas adequadas, sempre respeitando os protocolos legais e a garantia de direitos.