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Mudança brusca no campo magnético da Terra vai afetar celulares, aviões e navios; entenda a preocupação internacional

Uma mudança brusca na posição do campo magnético da Terra está causando preocupação internacional.
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Mudança no campo magnético da Terra
A mudança brusca na posição do campo magnético da Terra causa preocupação internacional. Crédito: Divulgação
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Uma mudança silenciosa que acontece no interior da Terra voltou a despertar atenção internacional. O campo magnético do planeta, usado como referência por bússolas e sistemas de navegação, continua se deslocando e obriga cientistas a atualizarem modelos usados por celulares, aviões, navios, drones e plataformas digitais.

O ponto que mais preocupa especialistas não é um risco imediato para a população, mas a necessidade de manter os sistemas de orientação sempre corrigidos. Isso porque o Polo Norte magnético, para onde as bússolas apontam, não fica parado. Ele se move ao longo dos anos e, nas últimas décadas, avançou em direção à Sibéria, na Rússia.

Desde que foi localizado pela primeira vez, em 1831, o Polo Norte magnético já percorreu mais de 2,2 mil quilômetros. Antes mais próximo da região do Ártico canadense, ele passou a seguir uma rota mais acelerada em direção ao território russo, principalmente a partir da década de 1990.

O que está acontecendo com o campo magnético da Terra?

O campo magnético funciona como uma espécie de escudo natural do planeta. Ele nasce no núcleo externo da Terra, onde metais líquidos, como ferro e níquel, se movimentam em altas temperaturas e geram correntes eletromagnéticas.

Como essa região profunda está sempre em movimento, o campo magnético também muda. Por isso, o Norte magnético não fica exatamente no mesmo lugar do Polo Norte geográfico, aquele ponto fixo indicado nos mapas e ligado ao eixo de rotação da Terra.

Na prática, uma bússola não aponta para o Polo Norte geográfico. Ela aponta para o Norte magnético. Quando esse ponto se desloca, os sistemas que usam essa referência precisam ajustar seus cálculos para evitar erros de direção.

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Por que isso afeta celulares, aviões e navios?

A mudança no campo magnético não significa que o celular vai parar de funcionar ou que aviões e navios vão perder a rota de uma hora para outra. No entanto, ela exige atualização constante dos sistemas que dependem da orientação magnética.

Aplicativos de mapas, bússolas digitais, drones, sistemas de navegação marítima, rotas aéreas e equipamentos usados em áreas remotas podem utilizar dados magnéticos para calcular direção com mais precisão.

No uso comum do celular, o impacto costuma ser pequeno. O GPS usa satélites para indicar localização, mas o aparelho também combina informações de sensores internos, mapas e bússola digital para melhorar a orientação. Por isso, um modelo magnético desatualizado pode gerar perda de precisão na indicação de direção, especialmente em situações mais sensíveis.

Já em longas distâncias, como voos, navegação marítima, operações militares, deslocamentos em regiões polares e uso de drones, pequenas diferenças podem se transformar em desvios maiores. É por isso que a movimentação do Polo Norte magnético exige atenção de cientistas, governos e empresas de tecnologia.

Polo Norte magnético está indo para a Sibéria

Pesquisadores apontam que o deslocamento do Polo Norte magnético tem relação com mudanças profundas na fronteira entre o núcleo e o manto da Terra. Nessa região, existem grandes áreas de fluxo magnético que influenciam a posição do polo.

Durante muito tempo, uma dessas áreas, localizada sob o Canadá, exercia forte influência sobre o Polo Norte magnético. Porém, nas últimas décadas, essa força perdeu intensidade na superfície. Ao mesmo tempo, a região sob a Sibéria passou a ter maior influência.

Com isso, o Polo Norte magnético acelerou em direção à Rússia. Depois de anos avançando em ritmo mais forte, esse deslocamento começou a desacelerar. Ainda assim, o movimento continua e precisa ser acompanhado de perto.

Modelo mundial precisa ser atualizado

Para evitar problemas de navegação, cientistas atualizam periodicamente o Modelo Magnético Mundial, conhecido pela sigla WMM. Ele funciona como uma referência global para equipamentos que usam o campo magnético da Terra.

A versão mais recente, chamada WMM2025, foi lançada em dezembro de 2024 por órgãos dos Estados Unidos e do Reino Unido, como a NOAA e o British Geological Survey. O modelo deve servir de base até o fim de 2029.

Essas atualizações ajudam sistemas eletrônicos a transformar a posição do Norte magnético em dados úteis de direção. Sem esse ajuste, equipamentos poderiam calcular rotas com pequenas falhas, principalmente em trajetos longos ou em regiões onde a navegação depende mais da informação magnética.

Existe risco para a população?

Apesar da preocupação internacional, especialistas não tratam o deslocamento atual como uma emergência. O campo magnético da Terra muda naturalmente e já passou por grandes alterações ao longo da história do planeta, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Em outros períodos, inclusive, os polos magnéticos já passaram por inversões completas, quando o norte e o sul magnéticos trocaram de posição. Esse processo, no entanto, costuma levar muito tempo e não acontece de forma repentina.

Por enquanto, a principal consequência prática é a necessidade de atualizar modelos, mapas e sistemas de navegação. A proteção magnética da Terra, que ajuda a defender o planeta contra partículas vindas do espaço, continua funcionando normalmente.

Entenda a preocupação

A preocupação não está ligada a um colapso imediato do campo magnético, mas à dependência cada vez maior de sistemas de localização e orientação. Celulares, aviões, navios, drones, satélites e veículos autônomos precisam de dados precisos para funcionar com segurança.

Por isso, qualquer mudança relevante no campo magnético precisa entrar nos cálculos usados por esses equipamentos. Quanto mais tecnologia depende de navegação precisa, maior é a importância de acompanhar esse movimento invisível que acontece no interior da Terra.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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