Milhões de passageiros poderão enfrentar atrasos e mudanças no transporte coletivo na próxima semana. Motoristas de ônibus e outros trabalhadores do setor preparam uma paralisação nacional que deverá atingir garagens e terminais em diferentes cidades brasileiras.
A mobilização está prevista para acontecer entre 4h e 10h, justamente durante parte do horário de maior movimento do transporte público. No entanto, a paralisação poderá terminar antes desse horário, conforme a organização adotada em cada cidade.
Em contato com o Portal Tempo Novo, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) confirmou que o movimento realmente ocorrerá na próxima semana e terá caráter de paralisação. A data exata e a lista final das cidades participantes serão definidas após uma nova reunião das entidades sindicais.
A expectativa é que o movimento alcance as capitais brasileiras e também cidades importantes do interior. No Espírito Santo, o Sindirodoviários informou a reportagem que participará da reunião nacional desta sexta-feira (18) e deve aderir à mobilização.
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Entretanto, o sindicato capixaba fará o anúncio oficial da adesão somente depois da reunião. A entidade também deverá informar quais cidades do Espírito Santo participarão do movimento, além da capital, Vitória.
Paralisação dos ônibus será entre 4h e 10h
O planejamento nacional prevê concentração dos trabalhadores principalmente em garagens e terminais de ônibus, com paralisação entre 4h e 10h.
A CNTTL já havia informado oficialmente que sindicatos de trabalhadores do transporte coletivo, urbano e de cargas estão organizando uma mobilização nacional para a próxima semana. A Confederação também confirmou anteriormente o período entre 4h e 10h para as ações em garagens e terminais.
A entidade esclareceu que o movimento terá efetivamente formato de paralisação, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
O horário escolhido poderá provocar reflexos justamente no começo da manhã. Nesse período, milhões de brasileiros utilizam ônibus para chegar ao trabalho, às escolas, universidades e outros compromissos.
Por isso, cidades com maior adesão poderão registrar atrasos na saída dos ônibus das garagens, redução temporária da oferta de veículos e reflexos nos terminais.
A dimensão do impacto, entretanto, dependerá da adesão dos sindicatos e trabalhadores em cada município.
Motoristas de ônibus fazem paralisação pelo fim da escala 6×1
A paralisação nacional tem como principal reivindicação o fim da escala 6×1, sistema no qual o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e descansa um.
O movimento pretende pressionar o Senado a avançar na votação da PEC 221/2019. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de repouso semanal remunerado e prevê a manutenção dos salários.
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto em 2 de setembro. Atualmente, a PEC está pronta para análise do Plenário e aguarda inclusão na Ordem do Dia.
Durante a votação na CCJ, houve senadores favoráveis e contrários à proposta. Entre os argumentos contrários apresentados está a preocupação com possíveis limitações à negociação entre trabalhadores e empregadores.
Paralisação dos ônibus deve chegar às capitais
O planejamento das entidades sindicais busca levar a paralisação às capitais brasileiras, embora a relação definitiva de cidades ainda não esteja fechada.
Uma reunião nacional será realizada nesta sexta-feira, 18 de setembro, às 16h, com presidentes de sindicatos e federações. O encontro deverá fechar as adesões e avançar na definição operacional da paralisação.
Dirigentes de diferentes regiões já participaram das reuniões preparatórias.
A CNTTL cita representantes de:
- Sorocaba (SP);
- Guarulhos (SP);
- ABC Paulista (SP);
- Salvador (BA);
- Maceió (AL);
- Natal (RN);
- Curitiba (PR);
- Foz do Iguaçu (PR);
- Porto Alegre (RS);
- Fortaleza (CE).
Isso não significa que todas essas cidades já tenham formalizado a paralisação. A confirmação definitiva dependerá das entidades locais.
Sorocaba está entre cidades mais avançadas na mobilização
Sorocaba aparece entre as cidades com participação mais avançada na organização.
O presidente da CNTTL, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, também preside o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba. Foi ele quem anunciou publicamente o planejamento das ações entre 4h e 10h em garagens e terminais.
Por isso, a cidade paulista está entre as localidades com forte expectativa de participação no movimento da próxima semana.
Guarulhos, ABC Paulista e outras grandes cidades também possuem dirigentes envolvidos nas discussões nacionais.
Espírito Santo deve participar da paralisação nacional
No Espírito Santo, o movimento deverá ganhar uma definição nesta sexta-feira.
O Sindirodoviários, responsável pela representação de trabalhadores do transporte coletivo, confirmou ao Tempo Novo que participará da reunião convocada pela Confederação.
Como a entidade capixaba é filiada à CNTTL, existe expectativa de adesão à paralisação nacional.
Entretanto, o sindicato informou que fará o anúncio oficial somente após a reunião. Nesse momento, deverá confirmar a participação e informar quais municípios serão atingidos.
Vitória está no radar da mobilização por ser a capital do Estado. A confirmação das demais cidades capixabas, porém, ainda depende da definição sindical.
Passageiros podem enfrentar atrasos na próxima semana
Caso haja grande adesão, a paralisação poderá atingir diretamente quem depende dos ônibus para trabalhar.
O período previsto, entre 4h e 10h, engloba parte do horário de pico da manhã. Dessa forma, atrasos na saída dos veículos das garagens podem se espalhar pelas linhas e terminais.
Ainda não é possível determinar quantos ônibus deixarão de circular ou durante quanto tempo cada cidade ficará afetada.
A organização também admite que algumas localidades poderão encerrar a mobilização antes das 10h.
A lista definitiva de capitais, municípios e sindicatos participantes deverá começar a ficar mais clara depois da reunião nacional desta sexta-feira.