Meio Ambiente não é pauta ideológica, mas sim uma condição civilizatória

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Nestes anos de intensa polarização política, parte expressiva dos brasileiros acostumou-se a tratar tudo na vala comum da ideologia, especialmente nas redes sociais. No entanto, é um erro de compreensão da realidade e pode custar caro. Neste sentido, ao ideologizar as questões que envolvem o meio ambiente criam-se visões míopes, estúpidas e muito perigosas às diversas formas de vida.

O meio ambiente é uma condição existencial, portanto, uma questão civilizatória e não ideológica. É uma pauta que deveria unir todos os espectros e dimensões políticas. Infelizmente, no país de maior biodiversidade do mundo, há um desmonte de políticas ambientais em curso. Começou a tomar corpo com os governos de Dilma (PT), evoluiu no governo de Temer (MDB) e agora se intensificou com muita força no governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Houve aparelhamento de cargos estratégicos nos órgãos ambientais; a extinção da Secretaria de Mudanças Climáticas no contexto de avanço do aquecimento global. O governo pôs fim ao setor de Educação Ambiental; ao Plano de Combate ao Desmatamento; transferiu o Serviço Florestal Brasileiro para o Ministério da Agricultura; e houve liberação recorde de agrotóxicos. Só para citar alguns.

O resultado disso é o avanço do garimpo ilegal, do desmatamento, do genocídio dos povos originários e extinção de várias espécies de vida. Se a Amazônia é uma abstração para a maior parte dos brasileiros – apesar de impactar o mundo, vamos tratar o assunto na proporção de nossa realidade próxima.

Desde os anos 70 a Serra assiste à redução crônica de suas florestas nativas, que em partes deram origem a invasões de terra que culminaram em bairros inteiros à revelia do poder público. De lá pra cá, as baixadas e alagados do Mestre Álvaro foram ocupadas; mangues foram aterrados; micro bacias tornaram-se córregos caudalosos de esgoto; rios como o Santa Maria, Jacaraípe e Reis Magos foram poluídos; lagoas tornaram-se pinicões. A pesca foi extinta na Jacuném e na Juara, por exemplo.

O progresso tem que caminhar de mãos dadas com a sustentabilidade, caso contrário estamos falando apenas de desenvolvimento econômico sem perspectiva de longo prazo e não de evolução na experiência civilizatória.

É verdade que há muito tempo, questões ambientais tornaram-se apenas um negócio muito lucrativo, haja vista, por exemplo, a área de esgoto da Serra. Entretanto, é uma irresponsabilidade agigantada nivelar por baixo todo o arranjo pró-meio ambiente brasileiro e deslegitimá-lo sob a torpe argumentação ideológica.

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