Uma das maiores redes de supermercados do país iniciou uma forte reorganização de suas operações. Em poucos meses, a companhia reduziu seu quadro em mais de 6 mil trabalhadores e fechou dezenas de lojas enquanto revisava custos e negócios considerados menos rentáveis.
Ao todo, 6.673 funcionários deixaram a empresa entre o fim de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Além disso, a rede encerrou 28 lojas especializadas em móveis e eletroeletrônicos durante o processo de reestruturação.
Os cortes ocorreram justamente depois de um período marcado por expansão acelerada, abertura de unidades e investimentos em novos mercados. Agora, a prioridade passou a ser aumentar a produtividade e obter mais retorno das operações que permanecem abertas.
A empresa por trás dessas mudanças é o Grupo Mateus, terceira maior companhia do varejo alimentar brasileiro em faturamento e a maior do setor entre aquelas com capital 100% nacional.
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Rede de supermercados demite 6 mil funcionários
A mudança mais expressiva apareceu no número de funcionários, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
No final de 2025, a rede mantinha aproximadamente 47,9 mil trabalhadores. Já no encerramento do primeiro trimestre de 2026, esse número havia recuado para cerca de 41,2 mil funcionários.
Na prática, portanto, 6.673 postos de trabalho deixaram de fazer parte da estrutura da companhia em poucos meses.
A redução equivale a aproximadamente 13,9% do quadro registrado anteriormente.
As mudanças alcançaram operações principalmente na Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí e Sergipe, estados onde a companhia mantém presença relevante.
No entanto, a rede não divulgou uma relação detalhada com todas as cidades atingidas pelas reduções de pessoal.
Mesmo após essa diminuição, a empresa continua buscando novas formas de cortar despesas. A estratégia, porém, indica que as próximas economias devem vir também de renegociações, produtividade e revisão de estruturas internas, e não apenas da redução do quadro de trabalhadores.
Rede de supermercados fecha 28 lojas
A revisão da operação também levou ao fechamento de unidades.
Ao longo de 2025, a companhia encerrou 28 lojas especializadas no segmento de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
Uma parcela importante desses fechamentos ocorreu no Pará. Somente durante o último trimestre do ano, 13 lojas do segmento Eletro deixaram de funcionar no estado.
A reorganização foi além.
A rede também retirou setores dedicados à venda de eletroeletrônicos de outras 20 unidades voltadas principalmente ao comércio de alimentos.
Com isso, a companhia passou a concentrar recursos em formatos que apresentam resultados considerados mais interessantes para o negócio.
A estratégia envolve analisar loja por loja e decidir onde vale a pena continuar investindo. Assim, operações com menor retorno podem perder espaço enquanto outras recebem novos investimentos.
Por que a rede está fechando lojas e demitindo funcionários?
A mudança ocorre depois de anos de crescimento intenso.
A companhia ampliou sua presença principalmente nas regiões Norte e Nordeste, abriu supermercados e atacarejos e aumentou a estrutura logística necessária para sustentar essa expansão.
Esse avanço, entretanto, elevou também os custos da operação.
Por isso, em 2026, a administração passou a concentrar esforços em três pontos: reduzir despesas, melhorar a produtividade e aumentar a rentabilidade das lojas existentes.
Contratos, despesas administrativas, estruturas internas e operações comerciais entraram no processo de revisão.
Além disso, a empresa adotou critérios mais rígidos para aprovar novas lojas. Dessa maneira, crescer deixou de ser o único objetivo. A rentabilidade de cada novo projeto ganhou mais peso nas decisões.
Lucro da rede de supermercados
Embora continue registrando lucro, a companhia enfrentou uma redução importante em seus resultados.
No segundo trimestre de 2026, o lucro líquido ficou em aproximadamente R$ 236,8 milhões.
No mesmo período de 2025, o resultado havia chegado perto de R$ 390 milhões.
Assim, o lucro apresentou uma queda de aproximadamente 39,3% na comparação anual.
O desempenho do primeiro semestre também mostra essa mudança.
Entre janeiro e junho de 2026, a rede acumulou aproximadamente R$ 449,7 milhões em lucro líquido. O montante ficou 32,1% abaixo do registrado durante os seis primeiros meses do ano anterior.
Portanto, a companhia permanece lucrativa, mas passou a ganhar menos dinheiro em relação ao mesmo período de 2025.
Esse cenário aumentou a pressão por redução de custos e maior eficiência.
Vendas nas lojas também mudaram
Outro indicador ajuda a explicar a mudança na estratégia.
As chamadas vendas nas mesmas lojas recuaram 8% durante o segundo trimestre de 2026.
Esse índice acompanha principalmente o desempenho das unidades que já estavam abertas anteriormente. Dessa forma, permite observar se lojas consideradas maduras estão vendendo mais ou menos.
No acumulado do primeiro semestre, a retração chegou a 7,7%.
Entre os fatores que pressionaram o desempenho estão o endividamento das famílias e mudanças no comportamento de consumo.
Apesar disso, o faturamento total da companhia avançou.
A receita líquida alcançou aproximadamente R$ 9,85 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Isso aconteceu porque novas operações e a expansão realizada pela companhia ajudaram a elevar a receita total, mesmo com resultados mais fracos em algumas lojas já existentes.
Rede de supermercados continua abrindo lojas
Os 28 fechamentos não representam uma interrupção completa da expansão.
Enquanto elimina determinadas operações, a empresa continua abrindo unidades em locais considerados estratégicos.
Somente durante o primeiro trimestre de 2026, quatro novas lojas começaram a funcionar, incluindo operações das bandeiras Mix Mateus e Mateus Supermercados.
Outros projetos avançaram posteriormente.
A principal diferença está na seleção dos investimentos.
Agora, a rede pretende analisar com mais rigor o potencial de retorno antes de colocar dinheiro em novas unidades.
Dessa forma, duas estratégias acontecem simultaneamente: lojas e operações consideradas pouco rentáveis podem sair do portfólio, enquanto novos supermercados e atacarejos continuam surgindo em mercados avaliados como promissores.
Rede movimenta R$ 43 bilhões
Mesmo depois das demissões e dos fechamentos, a companhia permanece entre as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro.
Segundo o Ranking ABRAS 2026, o Grupo Mateus registrou aproximadamente R$ 43,55 bilhões em faturamento durante 2025.
O resultado colocou a empresa na terceira posição entre as maiores companhias do varejo alimentar do Brasil.
O Carrefour apareceu na liderança, com faturamento de aproximadamente R$ 123,59 bilhões. Em seguida ficou o Assaí, com cerca de R$ 84,74 bilhões.
Entretanto, existe uma diferença importante.
Quando o ranking considera somente empresas com capital 100% brasileiro, o Grupo Mateus aparece na primeira posição.
Assim, a rede se tornou a maior companhia de varejo alimentar de controle totalmente nacional.
De mercearia a uma das maiores redes do Brasil
O tamanho atual contrasta com o início da empresa.
A trajetória começou em 1986, quando Ilson Mateus abriu uma pequena mercearia de aproximadamente 50 metros quadrados em Balsas, no Maranhão.
Depois, o negócio avançou para o atacado e começou a fornecer produtos para comerciantes de outras localidades.
O crescimento permitiu ampliar depósitos, estruturas logísticas e pontos de venda.
Com o passar dos anos, a empresa deixou de atuar somente no Maranhão e avançou por outros estados, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Ao mesmo tempo, novos formatos entraram no negócio. Além dos supermercados tradicionais, a companhia investiu em atacarejos, atacado, operações premium e lojas especializadas em móveis e eletroeletrônicos.
Quais lojas fazem parte da rede?
Atualmente, a empresa reúne várias marcas voltadas para públicos e segmentos diferentes.
Entre as principais estão Mateus Supermercados, Mix Mateus, Camiño, Spazio, Eletro Mateus e Armazém Mateus. A companhia também passou a contar com operações relacionadas ao Novo Atacarejo.
O Mix Mateus possui forte presença no atacarejo, enquanto o Mateus Supermercados concentra operações tradicionais do varejo alimentar.
Outras bandeiras atendem segmentos específicos, como consumidores de maior poder aquisitivo, comerciantes e compradores de móveis e eletrodomésticos.
Por isso, o fechamento de 28 unidades e a redução de mais de 6 mil funcionários fazem parte de uma mudança maior na estratégia da companhia.
A rede continua investindo e abrindo supermercados. Porém, ao mesmo tempo, decidiu fechar operações com menor retorno, controlar despesas e selecionar com mais rigor os próximos projetos de expansão.