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Motoristas anunciam paralisação nacional e passageiros vão ficar sem ônibus na próxima terça-feira

Paralisação nacional dos motoristas vai acontecer na terça-feira e passageiros vão ficar sem ônibus.
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Paralisação dos ônibus Motoristas Passageiros
Os motoristas anunciaram uma paralisação nacional dos ônibus e os passageiros serão afetados. Crédito: Divulgação
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Milhões de passageiros podem enfrentar problemas no transporte coletivo na próxima terça-feira. Motoristas de ônibus e outros trabalhadores do setor preparam uma paralisação nacional que poderá atingir garagens e terminais nas principais capitais e outras cidades. 

O movimento está programado para acontecer entre 4h e 8h, justamente durante o início do horário de pico da manhã. Com isso, passageiros podem encontrar ônibus parados nas garagens, redução da frota nas ruas e atrasos para chegar ao trabalho, escolas e universidades.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) confirmou a mobilização depois de uma reunião realizada na última sexta-feira (18) com dirigentes de sindicatos filiados.

No entanto, existe uma condição. Os sindicatos decidiram realizar a mobilização na terça-feira, 22 de setembro, caso o Senado não coloque em votação e aprove até essa data a proposta que trata do fim da escala 6×1. A CNTTL afirma que as ações ocorrerão das 4h às 8h nas principais capitais do Brasil e também em algumas cidades paulistas.

Paralisação dos ônibus será das 4h às 8h

O planejamento sofreu uma mudança importante desde o primeiro anúncio.

Inicialmente, a Confederação trabalhava com mobilizações entre 4h e 10h. Depois da reunião nacional, porém, a CNTTL reduziu a janela prevista e confirmou ações entre 4h e 8h.

A paralisação deverá ocorrer principalmente em garagens e terminais de ônibus, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Isso significa que o principal efeito poderá aparecer logo nas primeiras viagens do dia. Caso trabalhadores deixem de retirar veículos das garagens durante esse período, passageiros podem enfrentar redução temporária da quantidade de ônibus disponíveis.

Mesmo após o término da mobilização, atrasos acumulados durante a manhã poderão provocar reflexos nas linhas e terminais.

A dimensão do impacto dependerá da adesão em cada cidade.

Motoristas fazem mobilização pelo fim da escala 6×1

A principal reivindicação dos trabalhadores é o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal.

A mobilização busca pressionar o Senado a votar a PEC 221/2019. Segundo a CNTTL, o texto reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial.

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A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e está pronta para análise no Plenário. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, o texto ainda precisa passar por dois turnos de votação e alcançar pelo menos 49 votos em cada um.

Há posições favoráveis e contrárias à mudança no Congresso. A paralisação organizada pelos sindicatos tem justamente o objetivo de pressionar pela votação e aprovação da proposta.

São Paulo terá cidades dentro da mobilização

São Paulo aparece como um dos principais focos do movimento.

No comunicado divulgado depois da reunião nacional, a CNTTL confirmou que as ações deverão ocorrer nas principais capitais do país e também em algumas cidades do estado de São Paulo.

A Confederação ainda não divulgou nesse comunicado pós-reunião uma relação nominal completa das cidades paulistas que efetivamente pararão.

Entretanto, três regiões paulistas já aparecem diretamente na organização desde as reuniões preparatórias: Sorocaba, Guarulhos e ABC Paulista. Dirigentes dessas localidades participaram da articulação que definiu a mobilização nacional.

Sorocaba possui participação especialmente forte. O presidente da CNTTL, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, também preside o Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba. Ele participa diretamente da coordenação do movimento.

Guarulhos também possui sindicato de trabalhadores do transporte urbano filiado à CNTTL. A própria relação oficial de entidades filiadas à Confederação inclui o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Trabalhadores em Transportes Urbanos de Passageiros de Guarulhos.

Portanto, Sorocaba, Guarulhos e municípios do ABC Paulista estão entre as bases paulistas envolvidas na articulação, embora a CNTTL ainda não tenha divulgado publicamente a lista final, cidade por cidade, das operações que ficarão paradas na terça-feira.

Capitais têm sindicatos envolvidos na articulação

A organização nacional reúne entidades de diferentes regiões do país.

Antes da reunião definitiva, a CNTTL já havia informado participação de dirigentes sindicais de Salvador, Maceió, Natal, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza, além das bases paulistas.

Isso, porém, não significa que todas essas capitais tenham confirmado individualmente que vão paralisar seus ônibus.

A CNTTL afirma após a reunião que haverá mobilizações “nas principais capitais do país”, mas ainda não publicou uma relação definitiva com cada capital participante.

A própria rede da Confederação possui sindicatos ligados ao transporte rodoviário e coletivo em diferentes estados. Entre as entidades filiadas aparecem organizações de Brasília, Alagoas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná e outras unidades da Federação.

Por isso, novas confirmações locais ainda podem surgir até terça-feira.

Espírito Santo ainda não confirmou paralisação dos ônibus

No Espírito Santo, a situação permanece indefinida.

Antes da reunião nacional, o Sindirodoviários informou ao Portal Tempo Novo que apoiava a mobilização pelo fim da escala 6×1 e participaria da reunião convocada pela CNTTL.

Na ocasião, entretanto, o sindicato explicou que ainda não sabia se realizaria efetivamente a paralisação no Estado.

A entidade informou ainda que somente após a reunião nacional anunciaria se aderiria ao movimento e, em caso positivo, quais cidades capixabas seriam atingidas.

A reunião aconteceu na sexta-feira. Porém, até este domingo, o Sindirodoviários ainda não anunciou publicamente ao Tempo Novo se os ônibus serão paralisados no Espírito Santo.

O Portal Tempo Novo procurou novamente o sindicato para saber se haverá adesão e quais municípios poderão ser afetados, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

O Sindirodoviários aparece oficialmente entre as entidades filiadas à CNTTL.

Portanto, ainda não é possível afirmar que os ônibus da Grande Vitória ou de outras cidades capixabas ficarão parados na terça-feira.

Passageiros podem enfrentar atrasos para chegar ao trabalho

A paralisação foi planejada justamente para um período de grande movimentação do transporte público.

Entre 4h e 8h, milhares de ônibus começam a deixar as garagens nas grandes cidades para atender trabalhadores que iniciam o expediente pela manhã.

Uma retenção de veículos nesse período pode provocar filas nos pontos, terminais mais cheios e intervalos maiores entre os ônibus.

O reflexo também pode continuar depois das 8h. Veículos que deveriam iniciar linhas mais cedo poderão entrar em circulação atrasados, alterando a programação das viagens seguintes.

Por isso, dependendo do tamanho da adesão, o movimento poderá atrasar a chegada de milhões de passageiros ao trabalho e a outros compromissos.

Decisão da paralisação dos ônibus na terça-feira 

Apesar da preparação nacional, existe uma condição definida pelas entidades.

A CNTTL informou que os sindicatos realizarão as mobilizações caso o Senado não coloque em votação e aprove até terça-feira (22) a proposta sobre o fim da escala 6×1.

Dessa forma, qualquer mudança na tramitação da PEC até terça-feira poderá interferir na realização do movimento.

Até o momento, porém, a Confederação mantém a mobilização preparada para ocorrer das 4h às 8h.

Além dos ônibus, trabalhadores do setor aéreo filiados ao Sindicato Nacional dos Aeroviários também participarão da mobilização. Nesse caso, a CNTTL informou que a ação será realizada por meio de panfletagens nos aeroportos.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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