Parte dos brasileiros que recebe renda com aluguel terá uma nova obrigação fiscal a partir de 1º de janeiro de 2027. A Receita Federal exigirá um número de CNPJ de proprietários enquadrados como contribuintes do IBS e da CBS que precisarem emitir documentos fiscais.
A Receita e o Comitê Gestor dos novos tributos decidiram prorrogar o início da exigência. Por isso, até o fim de 2026, esses proprietários ainda poderão utilizar o CPF como identificação fiscal.
Apesar do uso do CNPJ, o locador não precisará abrir uma empresa. O cadastro servirá apenas para identificar o contribuinte e permitir a emissão das notas fiscais eletrônicas previstas na Reforma Tributária.
CNPJ não transforma dono de imóveis alugados em empresa
Muitos proprietários acreditam que o novo cadastro mudará automaticamente sua condição jurídica. No entanto, o locador continuará atuando como pessoa física, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
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Na prática, a Receita usará o número apenas para organizar a identificação fiscal dentro do sistema do IBS e da CBS. Além disso, o cadastro permitirá que o contribuinte emita os documentos eletrônicos exigidos pela legislação.
Portanto, a inscrição não cria uma empresa e também não altera, sozinha, a forma de declaração dos rendimentos do aluguel.
Quem precisará solicitar o CNPJ
A nova obrigação não alcançará todos os brasileiros que alugam casas, apartamentos, salas comerciais ou outros imóveis.
O cadastro atingirá apenas as pessoas físicas que entrarem nos critérios de contribuição do IBS e da CBS e tiverem que emitir documentos fiscais.
Assim, quem não atender às condições previstas na legislação continuará usando o CPF normalmente.
Ter um imóvel alugado, por si só, não obrigará o proprietário a pedir o CNPJ. O enquadramento dependerá da atividade, da receita e das demais condições estabelecidas pelas regras da Reforma Tributária.
Receita prepara sistema digital para o cadastro
A Receita Federal prepara uma plataforma específica para receber as inscrições. O órgão pretende criar um processo digital, simplificado e automatizado, semelhante ao modelo utilizado no cadastro do Microempreendedor Individual.
A previsão indica que a Receita disponibilizará a ferramenta em novembro de 2026. Antes da cobrança definitiva, os contribuintes também poderão acessar um ambiente de testes.
Dessa forma, proprietários e outros trabalhadores terão tempo para conhecer o sistema e aprender a emitir os novos documentos antes de janeiro de 2027.
Cadastro não reduz o Imposto de Renda
O CNPJ cadastral não diminuirá automaticamente os impostos sobre a renda obtida com aluguéis.
Como o proprietário continuará na condição de pessoa física, ele seguirá declarando os valores conforme as regras do Imposto de Renda. A tabela progressiva poderá aplicar uma alíquota de até 27,5%, dependendo da renda mensal.
Portanto, o CNPJ terá uma função operacional. Ele ajudará o locador a cumprir as obrigações fiscais da Reforma Tributária, mas não garantirá qualquer redução de impostos.
IBS e CBS entrarão em vigor gradualmente
O governo aplicará os novos tributos em etapas. A cobrança da CBS começará em 2027, enquanto o IBS entrará no cronograma a partir de 2029.
Durante a transição, os contribuintes poderão emitir documentos fiscais de teste. As notas apresentarão alíquotas experimentais de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS.
Como os dois tributos incidem sobre o consumo, o proprietário poderá incluir esses custos na operação de aluguel. Contudo, o repasse ao inquilino dependerá das regras legais e das cláusulas do contrato.
Proprietários de imóveis alugados devem revisar os contratos de aluguel
A chegada do IBS e da CBS poderá exigir mudanças nos contratos de locação. Por isso, proprietários e administradoras devem verificar quem assumirá o pagamento dos novos tributos.
Uma cláusula clara sobre a responsabilidade pelos valores poderá evitar conflitos entre locadores e inquilinos.
Além disso, cada contrato possui condições diferentes. Dessa maneira, os proprietários devem analisar individualmente os documentos antes do início da nova cobrança.
Holding patrimonial segue regras diferentes
O CNPJ cadastral não funciona da mesma forma que uma holding patrimonial.
Na holding, o proprietário transfere os imóveis para uma empresa, que passa a administrar o patrimônio e os rendimentos. Nesse modelo, a empresa paga tributos como IRPJ e CSLL.
Dependendo da estrutura, a carga tributária pode variar entre 9,5% e 12,7%. Entretanto, a holding também gera despesas com contabilidade, administração e cumprimento de obrigações empresariais.
Para pequenos locadores, manter os imóveis em nome próprio pode continuar sendo a alternativa mais simples. Já os grandes proprietários podem avaliar uma estrutura empresarial conforme o tamanho e a rentabilidade do patrimônio.
De todo modo, o CNPJ exigido para emissão fiscal não cria uma holding nem gera economia tributária automaticamente.
Aluguel por temporada terá tratamento específico
A Reforma Tributária também prevê condições próprias para imóveis alugados por períodos curtos.
Locações de até 90 dias, inclusive aquelas realizadas por plataformas como o Airbnb, poderão seguir uma lógica semelhante à utilizada pelo setor hoteleiro.
Com isso, as regras de cálculo e de redução de alíquotas poderão diferir daquelas aplicadas aos contratos residenciais de longa duração.
Regra também poderá atingir autônomos
A exigência do CNPJ não envolve apenas os donos de imóveis alugados.
Profissionais autônomos, liberais e outras pessoas físicas que exercem atividades sujeitas à emissão de documentos fiscais também poderão precisar do cadastro.
Entretanto, a obrigação dependerá do enquadramento de cada contribuinte nas regras do IBS e da CBS.
Em resumo, o CNPJ funcionará como uma identificação fiscal. Ele permitirá a emissão dos documentos eletrônicos, mas não transformará automaticamente o proprietário ou o profissional autônomo em uma empresa.
