E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Maior fabricante de automóveis do mundo fecha fábrica com 1,5 mil funcionários no Brasil

Maior fabricante de automóveis do mundo fecha fábrica com 1,5 mil funcionários no Brasil.
Compartilhe:
Maior fabricante de automóveis
Maior fabricante de automóveis do mundo fecha fábrica com 1,5 mil funcionários no Brasil. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Uma das maiores empresas do setor automobilístico mundial encerrou as atividades de uma fábrica que funcionava havia quase três décadas no Brasil. A decisão colocou fim à produção de uma unidade que chegou a empregar cerca de 1.500 trabalhadores e fabricou mais de 1 milhão de veículos ao longo de sua história.

O fechamento faz parte de uma transformação na estrutura industrial da companhia, que decidiu concentrar a fabricação de automóveis em instalações mais modernas. Com isso, máquinas, equipamentos e parte das operações foram transferidos para outro complexo.

A mudança também afetou centenas de famílias. Enquanto alguns profissionais aceitaram continuar trabalhando na empresa em outra cidade, outros optaram pelo desligamento mediante um pacote de indenizações que poderia superar dezenas de salários.

A fabricante responsável pela decisão é a Toyota, considerada a maior montadora de automóveis do mundo em volume de vendas. A empresa japonesa liderou o mercado global pelo sexto ano consecutivo em 2025, quando comercializou aproximadamente 11,3 milhões de veículos.

No Brasil, a companhia encerrou a produção de sua fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, em 30 de junho de 2026. Entretanto, a medida não representa a saída da Toyota do país, já que a fabricante mantém um programa bilionário de investimentos e expansão de suas operações.

Maior fabricante de automóveis fecha fábrica após 28 anos

A unidade da Toyota em Indaiatuba iniciou suas atividades em setembro de 1998 e se transformou em uma das instalações mais importantes da montadora japonesa no mercado brasileiro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Durante 28 anos, o complexo ficou responsável principalmente pela produção do Corolla Sedan, modelo que conquistou espaço entre os automóveis mais conhecidos da fabricante.

A fábrica também produziu o Corolla Fielder, versão perua do veículo, além de participar de diferentes etapas da fabricação de componentes utilizados em outros automóveis da marca.

Ao longo de sua trajetória, mais de 1 milhão de veículos foram fabricados na unidade, que teve papel importante na consolidação da Toyota no Brasil.

Entretanto, a montadora anunciou em 2024 uma reorganização de suas operações industriais. O planejamento previa encerrar as atividades em Indaiatuba e transferir a produção do Corolla para Sorocaba, também no interior paulista.

A despedida aconteceu em junho de 2026. No dia 19, a fábrica produziu seu último automóvel: um Corolla Altis Premium híbrido, apresentado aos trabalhadores durante uma cerimônia realizada no dia seguinte.

Por fim, em 30 de junho, a Toyota concluiu o encerramento das operações produtivas, colocando um ponto final em quase três décadas de fabricação de automóveis no município.

O que aconteceu com os 1.500 funcionários?

O encerramento da fábrica provocou mudanças significativas na situação profissional dos trabalhadores que atuavam no complexo industrial.

Na época das negociações, a unidade contava com aproximadamente 1.470 empregados, número frequentemente arredondado para 1.500 funcionários.

Entretanto, o fechamento não resultou na demissão automática de todos esses profissionais.

A Toyota negociou com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região um acordo que oferecia alternativas para os empregados diante da transferência das atividades.

As discussões começaram em 2024 e envolveram mobilizações dos trabalhadores, incluindo uma greve para exigir melhores condições de desligamento e garantias para quem desejasse permanecer na empresa.

Após o entendimento entre as partes, os funcionários puderam escolher entre aderir ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) ou aceitar uma transferência para Sorocaba.

Segundo informações divulgadas em junho de 2026, cerca de 150 profissionais aceitaram a transferência, enquanto quase mil trabalhadores aderiram ao programa de desligamento.

Além disso, aproximadamente 400 empregados temporários tiveram seus contratos encerrados no início de julho.

Dessa forma, a mudança atingiu praticamente toda a estrutura de trabalhadores da antiga fábrica, embora as condições tenham variado conforme o vínculo de cada profissional.

Maior fabricante de automóveis paga indenização após fechar fábrica

Uma das principais medidas adotadas pela montadora para viabilizar o encerramento das atividades foi a criação de um pacote especial de indenizações.

O acordo, aprovado em maio de 2024, estabeleceu condições superiores à proposta inicial apresentada pela empresa.

Pelas regras negociadas, os profissionais que optassem pelo desligamento voluntário poderiam receber 45 salários, acrescidos de outros dois salários para cada ano trabalhado na Toyota.

Isso significa que o valor da compensação poderia aumentar consideravelmente conforme o tempo de serviço.

Por exemplo, um funcionário com 20 anos de trabalho na montadora teria direito, pelas condições gerais do acordo, a uma indenização equivalente a 85 salários.

O pagamento também seria realizado sem prejuízo das verbas rescisórias legalmente previstas.

Além da compensação financeira, o acordo assegurou a manutenção de benefícios por um período após o desligamento.

Entre eles estavam a assistência médica e o cartão de alimentação por 36 meses, conforme as condições estabelecidas na negociação coletiva.

Na época, representantes sindicais classificaram o pacote como um dos maiores já negociados com uma fabricante de automóveis no Brasil.

Funcionários transferidos terão estabilidade até 2029

A Toyota também estabeleceu condições específicas para os trabalhadores que decidiram continuar na empresa após o encerramento da fábrica.

O acordo garantiu estabilidade no emprego até julho de 2029 para os funcionários transferidos de Indaiatuba para Sorocaba.

Além disso, a montadora ofereceu compensações financeiras para ajudar os empregados durante a mudança de local de trabalho.

Quem aceitou a transferência sem mudar de residência teve direito a uma quantia equivalente a dois salários, acrescida de R$ 15 mil.

Por outro lado, os profissionais que optaram por se mudar para Sorocaba puderam receber um adicional correspondente a 2,4 salários, conforme as condições negociadas.

Outra medida importante foi a criação de um prazo de sete meses para que o funcionário pudesse reconsiderar a decisão de permanecer na companhia.

Nesse período, o trabalhador poderia solicitar o desligamento e acessar o pacote de indenização previsto no acordo.

Entretanto, nessa situação, a empresa poderia descontar os valores que o profissional já tivesse recebido em razão da transferência.

As condições buscaram oferecer alternativas aos empregados, especialmente para aqueles que enfrentariam dificuldades com deslocamentos ou mudanças de residência.

Por que a fabricante de automóveis decidiu fechar a fábrica no Brasil?

O encerramento da unidade de Indaiatuba não ocorreu por uma decisão de abandonar o mercado brasileiro.

Na verdade, a montadora decidiu modificar sua organização industrial para concentrar a produção de automóveis em Sorocaba.

A estratégia busca integrar diferentes etapas de fabricação em uma estrutura mais moderna, ampliando a produtividade e reduzindo custos relacionados à movimentação de peças, equipamentos e veículos.

Com a mudança, a Toyota também pretende preparar suas instalações para a produção de novos modelos, principalmente automóveis com tecnologias eletrificadas.

Entre as prioridades da fabricante estão os veículos híbridos, que combinam motores elétricos com motores a combustão.

No mercado brasileiro, a companhia também aposta na tecnologia híbrida flex, capaz de utilizar gasolina ou etanol em conjunto com a eletrificação.

Portanto, o fechamento da fábrica histórica faz parte de um processo de modernização e ampliação da capacidade produtiva da montadora.

Fabricante de automóveis investe mais de R$ 11 bilhões e prepara nova fábrica

Enquanto encerrou as atividades em Indaiatuba, a Toyota avançou com um programa de investimentos bilionários para ampliar sua presença no Brasil.

O planejamento anunciado pela companhia prevê mais de R$ 11 bilhões em investimentos até 2030, destinados à expansão industrial, modernização de instalações e desenvolvimento de novos veículos.

Uma das principais iniciativas envolve a construção de uma segunda fábrica em Sorocaba, que deverá receber a produção do Corolla Sedan.

A empresa anunciou a inauguração da nova unidade para o início de novembro de 2026, consolidando o município como seu principal polo de fabricação de automóveis no país.

A estrutura foi projetada para reunir processos como estamparia, funilaria, pintura e montagem dos veículos.

Além disso, a ampliação permitirá incorporar tecnologias de produção mais modernas e preparar a companhia para lançamentos futuros.

O novo complexo também deverá aumentar a capacidade industrial da Toyota em aproximadamente 100 mil veículos por ano, conforme as projeções apresentadas pela fabricante.

Assim, a transferência da produção representa uma das principais etapas do plano de transformação das operações brasileiras.

Maior fabricante de automóveis do mundo prevê 2 mil novos empregos no país

A expansão da Toyota também envolve a abertura de oportunidades de trabalho nos próximos anos.

Segundo as projeções divulgadas pela montadora, os investimentos em Sorocaba deverão contribuir para a criação de aproximadamente 2 mil empregos diretos até 2030.

Parte dessas contratações está relacionada à ampliação das linhas de montagem e à preparação das instalações para novos automóveis.

Além dos postos de trabalho dentro das fábricas, a expansão poderá beneficiar empresas fornecedoras de componentes, transportadoras e prestadoras de serviços.

A Toyota também mantém operações industriais em Porto Feliz, município paulista que abriga sua unidade de motores.

Dessa maneira, a fabricante continua apostando no Brasil como um mercado estratégico para suas atividades e para o desenvolvimento de veículos híbridos.

O encerramento da fábrica de Indaiatuba representa, portanto, o fim de uma etapa importante da história da montadora no país, mas não a interrupção de suas operações brasileiras.

Enquanto uma unidade com quase 30 anos deixou de produzir automóveis, a maior fabricante de veículos do mundo direciona seus investimentos para novas instalações, ampliação da produção e geração de empregos nos próximos anos.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

Leia também