Uma das maiores fabricantes de pneus do mundo decidiu encerrar as atividades de uma de suas fábricas no Brasil. A medida provocou a paralisação definitiva das linhas de produção e atingiu aproximadamente 350 funcionários, colocando fim a uma operação industrial que acumulava décadas de história.
O fechamento aconteceu após a empresa enfrentar dificuldades para competir com produtos importados, principalmente os provenientes do mercado asiático. Segundo a fabricante, os preços praticados por concorrentes estrangeiros tornaram a manutenção da unidade economicamente inviável.
A decisão partiu da Michelin, multinacional francesa que está entre as principais empresas do setor de pneus. A companhia havia assumido a instalação depois de comprar a Levorin, tradicional marca brasileira conhecida pela fabricação de pneus e câmaras de ar para motocicletas e bicicletas.
A fábrica funcionava em Guarulhos, na Grande São Paulo. A Michelin iniciou o processo de desativação ao longo de 2025 e concluiu o encerramento das operações industriais em dezembro do mesmo ano.
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A unidade encerrada desempenhava um papel importante na produção de componentes destinados a diferentes segmentos do mercado.
Entre os principais produtos fabricados estavam câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, pneus de uso industrial e materiais semiacabados utilizados em outras instalações da companhia.
Com a decisão, aproximadamente 350 trabalhadores foram afetados pelo fim das atividades. A empresa anunciou o encerramento de forma gradual, permitindo que as linhas de produção fossem desativadas até dezembro de 2025.
Na ocasião, a Michelin informou que negociaria medidas de apoio com representantes sindicais para reduzir os impactos sociais da decisão.
O pacote anunciado incluía assistência financeira e programas de orientação profissional, com o objetivo de ajudar os empregados desligados a encontrar novas oportunidades de trabalho.
Entretanto, essas medidas não impediram o encerramento definitivo da produção, que marcou o fim das atividades industriais da antiga unidade da Levorin.
Pneus importados pressionaram fabricante
A Michelin apontou o avanço de produtos estrangeiros como um dos principais fatores responsáveis pelo fechamento da fábrica.
Segundo a multinacional, o mercado brasileiro passou a registrar uma oferta crescente de pneus e câmaras de ar importados, especialmente de fabricantes asiáticos.
Além disso, parte desses produtos chegava ao país com preços inferiores aos custos enfrentados pelas indústrias brasileiras, dificultando a concorrência.
A empresa afirmou que analisou alternativas para manter a instalação em funcionamento. Contudo, concluiu que nenhuma das opções permitiria recuperar a competitividade necessária para sustentar a produção no longo prazo.
O problema também aparece nos indicadores da indústria nacional.
Em janeiro de 2026, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) divulgou informações mostrando o avanço das importações no mercado brasileiro.
Conforme os dados apresentados pela entidade, os pneus estrangeiros representavam 68% do mercado de reposição em dezembro de 2025. Por outro lado, os fabricantes nacionais respondiam por apenas 32%.
Outro indicador reforçou as dificuldades enfrentadas pelo setor. A produção brasileira terminou 2025 com 37,7 milhões de pneus fabricados, uma redução de 5,8% em relação ao ano anterior.
Fábrica fechada tinha ligação com tradicional marca brasileira
O encerramento também representou o fim de um importante capítulo da história da Levorin, empresa fundada em 1943.
Durante décadas, a marca conquistou espaço no mercado nacional, principalmente entre consumidores de pneus e câmaras de ar para bicicletas e motocicletas.
Em 2016, a Michelin comprou a Levorin e incorporou suas instalações industriais à estrutura do grupo.
A negociação envolveu operações em Guarulhos, no estado de São Paulo, e Manaus, no Amazonas.
Após a aquisição, a fábrica paulista continuou funcionando sob o comando da multinacional francesa, mantendo a fabricação de produtos voltados a segmentos específicos.
Entretanto, a pressão competitiva e as mudanças no mercado levaram a Michelin a reavaliar a continuidade das atividades.
Assim, a desativação concluída em dezembro de 2025 encerrou um ciclo industrial ligado a uma das marcas mais tradicionais do setor brasileiro de pneus.
Fabricante também anunciou fechamento de fábricas em outros países
A reestruturação da Michelin não ficou restrita ao Brasil. A multinacional também anunciou o encerramento de instalações industriais em outros mercados.
Na França, a empresa decidiu fechar as fábricas de Cholet e Vannes, que reuniam aproximadamente 1.250 trabalhadores.
A primeira unidade produzia principalmente pneus para veículos comerciais leves. Já a segunda fabricava componentes metálicos utilizados em outras operações industriais.
Segundo a companhia, a combinação de custos elevados, menor demanda e concorrência internacional comprometeu a competitividade dessas instalações.
Diante desse cenário, a Michelin anunciou medidas de apoio aos funcionários, incluindo possibilidades de transferência, aposentadoria antecipada e recolocação profissional.
A fabricante também promoveu ajustes em sua estrutura industrial na Alemanha.
Além disso, anunciou o fechamento de uma fábrica localizada em Querétaro, no México.
Nesse caso, a empresa destacou mudanças nas preferências dos consumidores, que passaram a procurar pneus maiores do que aqueles produzidos pela unidade.
Como a adaptação da estrutura exigiria investimentos elevados, a companhia optou pelo encerramento das atividades industriais no local.
Fabricante de pneus vai continuar no Brasil
Apesar da desativação da unidade de Guarulhos, a Michelin não anunciou sua saída do mercado brasileiro.
O encerramento atingiu especificamente a operação industrial paulista, enquanto a multinacional manteve outras atividades no país.
A empresa continua presente no mercado nacional, com operações industriais e comerciais voltadas para diferentes segmentos.
Inclusive, em junho de 2026, informações que circulavam nas redes sociais afirmando que a Michelin deixaria completamente o Brasil foram classificadas como enganosas.
Portanto, o fechamento da antiga fábrica da Levorin representou uma redução da estrutura produtiva da multinacional, mas não o encerramento de todas as suas operações brasileiras.