Locomotiva desacelerando

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Bruno Lyra

Após a década de 1970, a Serra foi paulatinamente virando a locomotiva econômica do Espírito Santo. Tanto que foi escolhida para ser o centro industrial de Vitória. Mas essa concentração de investimentos na cidade tende a mudar nos próximos anos, a julgar pelo redesenho das intervenções viárias em curso na Grande Vitória.

Uma delas, o Contorno do Mestre Álvaro. De cara, o tráfego nacional e regional de passagem deixará de fluir pela planta urbana do município. Postos de combustível, oficinas, autopeças, restaurantes e pousadas de beira de estrada tendem a ser impactadas. E a despeito de aquecer ocupações nas regiões de Jachuy, Piracema, Queimado, Muribeca e Chapada Grande, o Contorno colocará outros municípios em condições de brigar com a Serra por empreendimentos.

Outra é a duplicação da BR 101 entre Guarapari, Viana e Cariacica. Ali, a obra avança a passos largos. Dois viadutos estão sendo feitos em pontos pouco ocupados – Amarelos e Universal -,o que indica interesses empresariais nas regiões. Fora o viaduto do entroncamento das BRs 101 e 262.

Esse eixo sul da Grande Vitória também recebeu outro empreendimento viário notável, a Rodovia Leste-Oeste. Projeto que ainda prevê uma nova via federal fazendo ligação com a área em frente à extinta Braspérola.

Há, ainda, o projeto de pavimentação da estrada do Xuri, em Vila Velha. Esta via liga a BR 101 na altura do bairro Jucu – hoje um polo industrial e logístico em ascensão – à rodovia do Sol na Barra do Jucu. Tanto o eixo da Leste-Oeste quanto o da estrada do Xuri possuem vastas áreas passíveis de ocupação.

Junta-se a isso o pedido do governador para a retomada da Samarco e o esforço local para que a Vale construa ferrovia no litoral sul capixaba, como contrapartida à renovação da concessão da Estrada de Ferro Vitória-Minas. Por outro lado, a obra da rodovia do Contorno de Jacaraípe, que poderia melhorar a logística do eixo centro-norte – Serra, Aracruz e Linhares -, está parada há cinco anos. E a duplicação da BR 101 entre Serra e Fundão, que era para estar pronta há dois anos, nem começou.

Enquanto isso, Guarapari não esconde o desejo de receber o aeroporto internacional de cargas. É… Parece que os capixabas não querem que a Serra concentre mais tantos investimentos.

 

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