Um jogo de navegador que transforma em sátira a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país virou febre nas redes sociais nesta quarta-feira (28). No “Cadê Flávio?”, o jogador assume o controle do candidato derrotado à Presidência e recebe uma missão simples só no papel: atravessar a fronteira, driblar a Polícia Federal e embarcar no avião antes de ser capturado.
A tela de abertura já entrega o tom. “Flávio precisa atravessar”, avisa o jogo, antes de orientar o jogador a cruzar a Ponte da Amizade, passar pelo posto da PF e chegar à aeronave. O cenário é noturno, e a perseguição vem de todos os lados: policiais da PRF, viaturas e manifestantes de camiseta vermelha. Segundo a própria descrição do game, um “fantasma vermelho” também assombra a ponte.
Como funciona o jogo Cadê Flávio
Antes da travessia, o jogador precisa escolher um disfarce para o senador. Em seguida, a partida começa com cinco vidas. No computador, o personagem se move pelas setas do teclado ou pelas teclas WASD; no celular, basta tocar na tela e arrastar, com o aparelho deitado na horizontal.
Se a polícia alcançar o personagem, a tela final decreta: “Flávio foi capturado”. A partir daí, dá para tentar de novo ou trocar de disfarce. O site não informa quem criou o jogo. Nas redes, o link circulou com comentários bem-humorados, e um usuário destacou no X que o game tem “até vozes do Lula”.
Leia também
Um detalhe chama a atenção de quem acompanha o caso: a ponte do jogo não é a da vida real. A Ponte da Amizade liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Este, no Paraguai. Já Flávio, segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na província de Misiones. Clique aqui para jogar.
O que aconteceu de verdade com Flávio Bolsonaro
A sátira nasceu de uma sequência de fatos que dominou o noticiário desde domingo (25), quando Lula (PT) venceu o segundo turno. Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou o senador entregar em 24 horas os passaportes comum, diplomático e italiano, além de proibi-lo de deixar o país. A decisão está ligada a uma investigação no STF sobre lavagem de dinheiro que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, num suposto esquema com empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
Flávio reagiu em vídeo. Ele disse que entregaria os passaportes e chamou a medida de tentativa de intimidação. No entanto, o prazo venceu sem a entrega, e a PF cancelou os documentos.
Na noite de terça (27), o senador, a esposa Fernanda e as duas filhas cruzaram a fronteira às 22h50. Depois, a família embarcou num jatinho que fez escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para Miami, onde pousou no aeroporto executivo de Opa-locka na manhã desta quarta.
Pedido de prisão e possível asilo
Deputados do PT pediram a prisão preventiva do senador por desobediência à ordem judicial, e o pedido ainda aguarda decisão. Por enquanto, não há mandado de prisão contra Flávio, que chegou aos Estados Unidos com visto de turista. O governo americano concedeu vistos para ele, a esposa e as filhas. Além disso, segundo o Metrópoles, ele deve pedir asilo político alegando perseguição no Brasil.
Aliados saíram em defesa do senador. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) comparou a saída de Flávio à fuga da opositora venezuelana María Corina Machado. Do outro lado, parlamentares do PT tratam o episódio como afronta a uma decisão do Supremo. Enquanto o caso não tem desfecho, o “Cadê Flávio?” segue rodando nos celulares de quem prefere rir da crise.