Joelson Márcio Simões: uma vida dedicada à Serra, à saúde pública e ao bem comum

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Joelson Simões. Foto: Divulgação

A cidade da Serra despediu-se, em 9 de junho de 2026, de um de seus mais dedicados servidores públicos. O biólogo Joelson Márcio Simões deixa um legado construído ao longo de décadas de trabalho, estudo, compromisso social e participação ativa em causas que ajudaram a transformar o município.

O homem que queria deixar sua marca

Servidor estatutário da Prefeitura da Serra desde 1993, Joelson participou de momentos importantes da administração municipal. Iniciou sua trajetória como Secretário Municipal de Meio Ambiente, função que exerceu até 1996, contribuindo para o fortalecimento das políticas ambientais em uma cidade que crescia rapidamente. Seu trabalho sempre esteve ligado à preservação ambiental, ao planejamento sustentável e à defesa dos recursos naturais.

Posteriormente, transferiu-se para a Secretaria Municipal de Saúde, área à qual dedicaria grande parte de sua vida profissional. Convencido de que a qualificação técnica era fundamental para a construção de políticas públicas eficientes, buscou constante aperfeiçoamento acadêmico, tornando-se referência em diversos temas da saúde coletiva.

Mas Joelson nunca enxergou o serviço público apenas como profissão. Em entrevista concedida à Revista Zênite, em 2020, revelou aquilo que talvez tenha sido o maior propósito de sua vida pública:

“Eu não quero que minha passagem pela Serra seja apenas e tão somente como um mero funcionário. Na realidade eu quero mais. Quero mostrar meu amor pela Serra, o cuidado que tenho com nossa cidade e todos os nossos moradores, e finalmente quero poder fazer parte, em destaque, dos homens que lutaram com ferocidade para os avanços positivos de nossa cidade.”

Essas palavras resumem sua essência. Joelson acreditava na força do trabalho, da ciência, da gestão pública e da dedicação ao próximo.

A ciência a serviço das pessoas

Joelson compreendia que servir bem exigia estudar sempre. Por isso, investiu continuamente em sua formação profissional, especializando-se em Atenção Primária à Saúde Pública, Análises Clínicas, Patologia Clínica e Bioquímica, Biologia Molecular, Avaliação de Sistemas Biológicos, Poluição Atmosférica e Saúde Pública, além de Água e Saúde Pública.

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Seu compromisso com a formação permanente refletia sua crença de que o conhecimento deveria estar a serviço das pessoas e da construção de uma cidade mais saudável, humana e preparada para enfrentar seus desafios.

Ao longo dos anos, tornou-se uma referência técnica para colegas e gestores, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas de saúde em nosso município. Também exerceu funções de liderança junto ao Conselho Regional de Biologia no Espírito Santo.

Família, coragem e dignidade

Sua história também foi marcada pela coragem de viver com autenticidade. Homem homossexual, construiu ao lado de Sonisio Pimentel uma união sólida de mais de vinte e seis anos. Juntos formaram uma família por meio da adoção da filha Maria, construindo uma trajetória baseada no amor, na responsabilidade, no respeito e na dedicação familiar.

Em uma sociedade que nem sempre acolheu a diversidade com naturalidade, Joelson escolheu viver sua verdade com grande dignidade, sem abrir mão de seus valores, tornando-se exemplo de coerência e humanidade.

Entre a saúde e o saneamento

Além da vida pública, fundou a empresa Mais Bio e atuou no setor de saneamento, área diretamente ligada às suas preocupações com a saúde coletiva e a qualidade de vida da população.

Sua atuação empresarial complementava sua visão como gestor e servidor público. Joelson compreendia que saúde, meio ambiente e saneamento são partes de uma mesma equação e que o desenvolvimento de uma cidade depende da integração dessas áreas.

Um cachoeirense que se tornou serrano

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Joelson tornou-se serrano por escolha, dedicação e pertencimento.

Seu amor pela Serra não era discurso. Era prática diária. Estava presente em suas ações, em suas opiniões, em seus projetos e na forma como defendia os interesses da população.

Mais do que qualquer homenagem formal, Joelson conquistou o reconhecimento e o carinho de inúmeras pessoas. Considerava-se serrano por amor, e a Serra o acolheu como um dos seus. Sua história de vida tornou-se parte da própria história da cidade.

Presença constante na construção da memória

Mas seria injusto lembrar Joelson apenas como servidor público.

Durante décadas, participou ativamente da construção da memória cultural e social da Serra por meio de sua colaboração permanente com os projetos editoriais, culturais e jornalísticos desenvolvidos pelo Grupo Gama e por Fábio Luiz Miranda Boa Morte, incluindo as revistas Nu, Zênite, Carta Serrana e seus derivados audiovisuais.

Desde os primeiros números dessas publicações, ao lado de Fábio e nomes como Edson Reis, Hélio Marchiori, Sonisio Pimentel, Lindomar Gomes, Cláudio Mendonça, Thiago Dal Col e Michel Dal Col, Joelson esteve presente como colaborador, entrevistado, incentivador e fonte permanente de conhecimento.

Sua participação prosseguiu nas Lives Carta Serrana, no Iágora Podcast e em diversas iniciativas voltadas à preservação da história e da identidade serrana.

Sempre disposto a compartilhar informações, experiências e reflexões, contribuiu para o enriquecimento de conteúdos ligados à cultura, à história, à saúde pública, ao meio ambiente e à cidadania.

Mais do que colaborador, tornou-se parceiro intelectual de importantes projetos de registro da memória local.

Quando partem os que ajudaram a construir a cidade

A partida de Joelson deixa um vazio entre familiares, amigos, colegas de trabalho, profissionais da saúde, ambientalistas, comunicadores, agentes culturais e todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com sua inteligência, sua capacidade de diálogo e seu espírito público.

Joelson Márcio Simões pertenceu a uma geração que acreditava no valor das instituições, do estudo permanente e do compromisso com o bem comum.

Hoje, a Serra perde um servidor exemplar, um cientista comprometido, um defensor da saúde pública, um ambientalista dedicado e um colaborador incansável da cultura local.

Permanecem sua obra, seus ensinamentos e os frutos de sua dedicação.

Permanece, sobretudo, a lembrança de um homem que fez da própria vida um ato contínuo de serviço à coletividade.

E permanece a gratidão de uma cidade que ele ajudou a construir todos os dias.

Texto: Fábio Luiz Miranda Boa Morte
Jornalista, escritor, diretor da Carta Serrana, apresentador do iágora Podcast, membro da Academia de Letras e Artes da Serra (ALEAS) e pesquisador da memória cultural serrana.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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