Jejum, comida sem carne e resguardo na Semana Santa

Compartilhe:
Na casa de Shirley Paulina as tradições são sagradas e não pode faltar a torta capixaba para celebrar a ressurreição. Foto: Fábio Barcelos
Na casa de Shirley Paulina as tradições são sagradas e não pode faltar a torta capixaba para celebrar a ressurreição. Foto: Fábio Barcelos

Clarice Poltronieri

Domingo é Páscoa, data que no calendário cristão marca a ressureição de Jesus. E, mesmo com toda a modernidade, ainda há quem preserve as tradições passadas de geração em geração, em especial na religião católica. Jejum de carne e álcool, torta de bacalhau e palmito e até resguardo na Sexta da Paixão são exemplos de como muitos serranos encaram este período.

Flávia Garcia Schineider Ribeiro Rosetti, de Colina de Laranjeiras, aderiu há 10 anos à dieta da Quaresma, onde fica 40 dias sem consumir algo de que gosta muito.

“Comecei com a quaresma de carne e só comia ovo e peixe. Este ano fiz de álcool. Todo ano escolho algo de que gosto e abro mão. Só volto a consumir quando chega o Domingo de Ramos, depois de participar da procissão. Antes eu ficava até o sábado de Aleluia. Mas na Sexta da Paixão também deixo a carne de lado e mantenho a tradição de meus avós, fazendo torta de bacalhau.Todo esse sacrifício é em agradecimento pela vida”, explica.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Em Laranjeiras, Ilma Borges, mantém as tradições católicas. “Sempre deixo de fazer alguma coisa que gosto muito durante a semana santa. Evito tomar minha cerveja, faço alguns jejuns na quaresma. É como um desafio para mim e agradecimento à vida. E na sexta-feira da Paixão reservo o dia para meditação, evito limpar casa ou trabalhar e não como carne. Para mim é sagrado. Essa época é para refletir sobre a nossa existência humana e ter esperança e gratidão, por isso é preciso se guardar”, narra.

Na casa de Shirley Paulina Covre e Devilson Almeida, em Jacaraípe, a tradição fica por conta da torta capixaba, que é preparada por ele. “Ele é filho de pescador e trouxe essa tradição para nossa família. A torta é preparada por ele, eu só ajudo a cortar os temperos. E a nossa torta é sem mariscos, só com bacalhau e palmito. Fazemos uma reunião em família e convidamos alguns amigos para compartilhar e agradecer”, conta Shirley.

E ela ainda faz seu sacrifício pessoal. “Faço jejum de carne toda sexta-feira durante a quaresma e na sexta da Paixão, fico em jejum o quanto eu aguento”, finaliza.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

Leia também