O iFood vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027. A empresa anunciou o plano na quarta-feira (16), durante o iFood Move, evento realizado em São Paulo. O montante representa um salto de 41% em relação aos R$ 17 bilhões do ciclo anterior. Entre as apostas do investimento do iFood, uma mexe com a rotina de quase toda família. Trata-se da compra de supermercado pelo celular.
Mercado e farmácia já estão no aplicativo há cerca de três anos. Agora, porém, as duas frentes ganham status de prioridade. Ao Broadcast, serviço de notícias do Estadão, o CEO Diego Barreto chamou os resultados dessas categorias de muito expressivos. “Estamos dobrando a aposta nesses dois segmentos”, afirmou.
Os números ajudam a explicar a decisão. Em agosto, a diretora de marketing para negócios do iFood, Beatriz Pentagna, revelou o tamanho dessa virada. Segundo ela, mercado, farmácia, pet shop, bebidas e conveniência cresceram cerca de 50% em um ano. Juntas, essas categorias já respondem por um terço da receita da empresa, disse ao portal Central do Varejo.
Para onde vai o investimento do iFood
Do total, R$ 10 bilhões vão para a operação de entregas de restaurantes, farmácias e supermercados. Na prática, a mudança mais visível deve vir pelo Turbo, modalidade que promete pedidos em até 20 minutos. Segundo a empresa, o serviço vai chegar a todas as capitais, com supermercado, farmácia e pet shop incluídos.
Leia também
O plano prevê ainda levar o iFood Hits para mais cidades, incluindo as de porte médio. A modalidade reúne refeições mais baratas e sem taxa de entrega. Além disso, o Comer Fora chega à capital paulista depois de testes em Campinas (SP) e Curitiba (PR). A ferramenta tenta levar o cliente do aplicativo para dentro do salão dos restaurantes.
Na área de tecnologia, o aporte passa de R$ 2 bilhões. O foco está na inteligência artificial que o iFood desenvolve com a Prosus, sua controladora. A proposta é que o sistema aprenda com buscas, compras e avaliações para sugerir produtos com mais precisão. Já o iFood Pago, braço financeiro voltado a restaurantes e pequenos negócios, deve receber cerca de R$ 5 bilhões.
Entregadores do iFood para lojas fora do aplicativo
Outra novidade mira o pequeno comerciante. Lançado também na quarta-feira, o Envios iFood leva os entregadores da plataforma a lojas que vendem fora do aplicativo. O lojista pode usar o serviço em vendas feitas pelo site próprio, por exemplo. A estreia ocorre em parceria com a Nuvemshop, que reúne cerca de 180 mil lojistas.
Por enquanto, a promessa é de entrega a partir de uma hora. Em pouco mais de um mês de testes, o serviço fez 500 mil entregas. Para outubro, a meta já é de 1 milhão. Os preços ainda estão em definição e devem variar conforme o tamanho do produto e a distância.
Disputa com Keeta e 99Food no Cade
O investimento do iFood chega em meio a uma concorrência acirrada no delivery. Desde 2025, a empresa enfrenta a chinesa Keeta, do grupo Meituan, e a volta da 99Food, da DiDi. Parte da briga, inclusive, saiu do aplicativo e foi parar no Cade e na Justiça.
No fim de agosto, o iFood pediu ao Cade que investigue a Keeta por suposta prática de preço predatório. A Keeta, por outro lado, rebate e acusa o iFood de monopólio. Com a 99Food, por sua vez, a disputa está nos tribunais. Em maio, a Justiça de São Paulo condenou a rival por concorrência desleal, e a empresa afirmou que vai recorrer.
O próprio iFood, aliás, cumpre desde 2023 um acordo com o Cade sobre contratos de exclusividade com restaurantes, válido até meados de 2027. Segundo a empresa, a plataforma reúne hoje 65 milhões de consumidores e 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades. O desafio agora é fazer com que essa base se lembre do aplicativo também na hora da lista do mercado.