Uma nova geração de radares começou a ampliar a fiscalização de motoristas em rodovias e áreas urbanas do Brasil. Além de identificar veículos acima da velocidade permitida, os equipamentos usam inteligência artificial para enxergar infrações cometidas dentro dos carros.
As câmeras conseguem flagrar condutores usando o celular, pessoas sem cinto de segurança e passageiros transportados de maneira irregular. A tecnologia também monitora ônibus e caminhões, inclusive durante a noite, graças ao uso de sensores infravermelhos.
Depois de períodos de testes, alguns desses equipamentos já passaram a gerar autuações. Entretanto, a inteligência artificial não aplica a multa de forma automática. Antes da penalidade, agentes responsáveis analisam as imagens e confirmam se a infração aparece com clareza.
Um dos sistemas entrou em operação oficial no dia 1º de julho nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo. A concessionária SPMar administra cerca de 105 quilômetros da rodovia e pretende ampliar rapidamente a quantidade de câmeras inteligentes.
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Um radar identificou mais de 7 mil infrações
Durante 49 dias de testes, entre 12 de maio e 29 de junho, apenas um equipamento registrou 7.297 possíveis infrações. Isso representa uma média de quase 149 flagrantes por dia.
A maior parte dos registros envolveu motoristas sem cinto de segurança. Ao todo, o sistema identificou 3.335 ocorrências desse tipo, o equivalente a 45,7% dos casos.
Em seguida, apareceram 1.956 situações de passageiros sem cinto. Além disso, as câmeras flagraram 1.369 condutores usando o celular enquanto dirigiam.
O trecho monitorado recebe aproximadamente 165 mil veículos por dia. Diante dos resultados, a concessionária planeja instalar 82 equipamentos até o fim deste ano. Posteriormente, o número deve chegar a 120 radares até o encerramento de 2027.
Como os radares com inteligência artificial funcionam?
Os novos aparelhos possuem câmeras de alta definição capazes de registrar imagens detalhadas do interior dos veículos. O sistema analisa os registros e procura padrões associados a infrações de trânsito, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Cada equipamento pode receber uma configuração diferente. Dessa forma, a capacidade de fiscalização depende do treinamento e da calibração solicitados pela concessionária responsável pela estrada.
Atualmente, os radares conseguem identificar principalmente:
- motorista usando celular ao volante;
- condutor ou passageiro sem cinto de segurança;
- excesso de velocidade;
- circulação irregular em faixas exclusivas;
- transporte inadequado de crianças;
- braços ou outras partes do corpo para fora do veículo.
Apesar disso, nem todos os equipamentos fiscalizam todas essas condutas. A configuração varia conforme o contrato, a rodovia e a autorização dos órgãos responsáveis.
Inteligência artificial não decide a multa sozinha
Embora os radares façam o primeiro flagrante, a tecnologia não tem a palavra final. As imagens seguem para agentes de trânsito ou policiais responsáveis pela fiscalização.
Esses profissionais verificam se o registro mostra a infração de maneira conclusiva. Somente depois dessa análise o órgão emite a multa e envia a notificação ao proprietário do veículo.
Quando existe dúvida, a imagem deve ser descartada. Isso pode acontecer, por exemplo, quando a roupa do motorista dificulta a visualização do cinto de segurança ou quando algum objeto impede a confirmação do uso do celular.
Portanto, a câmera ajuda a localizar possíveis irregularidades, enquanto a autoridade responsável confirma se realmente houve uma infração.
Tecnologia avança por rodovias brasileiras
Os radares com inteligência artificial já aparecem em diferentes regiões do país. Em um trecho da Rodovia Anhanguera, no interior paulista, um único equipamento identificou cerca de 20 mil infrações entre julho e novembro do ano passado.
Outro aparelho instalado na Rodovia Mogi-Campinas registrou mais de 7,5 mil ocorrências. Já na Rodovia Raposo Tavares, duas câmeras identificaram mais de mil infrações em apenas três dias de fiscalização experimental.
Após os resultados, a tecnologia começou a avançar para outros pontos da Raposo Tavares e da Rodovia Castelo Branco. O Sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a Região Metropolitana de São Paulo ao litoral, também recebeu aparelhos capazes de identificar celular ao volante, falta do cinto e excesso de velocidade.
Minas Gerais igualmente adotou a tecnologia. Rodovias como a BR-365, MG-290, BR-459 e LMG-877 passaram a contar com sistemas inteligentes em diferentes trechos.
Cidades também usam câmeras inteligentes
A fiscalização não está limitada às estradas. Grandes cidades começaram a adotar equipamentos capazes de acompanhar infrações além do excesso de velocidade.
Na capital paulista, por exemplo, os sistemas podem identificar veículos que circulam irregularmente em faixas ou corredores exclusivos de ônibus. As câmeras também auxiliam no reconhecimento de motoristas usando celular e ocupantes sem cinto.
Com a expansão da tecnologia, a tendência é que novos municípios e concessionárias instalem equipamentos semelhantes nos próximos anos.
Radar de velocidade média ainda está em testes
Outra tecnologia em avaliação mede a velocidade média do veículo entre dois pontos. Nesse sistema, as câmeras registram o horário em que o automóvel passa pelo primeiro equipamento e calculam quanto tempo ele leva para chegar ao segundo.
Caso o motorista percorra o trecho em um período menor do que o permitido, o sistema conclui que houve excesso de velocidade durante o trajeto.
No entanto, esse modelo ainda passa por testes no Brasil. Por enquanto, a falta de regulamentação específica impede que a velocidade média seja usada para aplicar multas aos motoristas.
