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Governo vai perdoar dívida de R$ 6 bilhões para montadora coreana abrir fábrica no Brasil

A montadora coreana pode receber perdão de uma dívida de R$ 6 bilhões.
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Montadora coreana Dívida
A montadora coreana pode receber perdão de uma dívida de R$ 6 bilhões. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de veículos da Coreia do Sul negocia um acordo que pode transformar uma dívida bilionária em um dos maiores investimentos recentes da indústria automotiva brasileira.

O plano prevê a construção de uma fábrica no interior de São Paulo como contrapartida para solucionar uma disputa fiscal iniciada há quase três décadas. Além disso, estimativas divulgadas pelo setor apontam que o empreendimento poderá movimentar até 20 mil postos de trabalho.

A empresa por trás da negociação é a Kia. A montadora mantém conversas com o Governo Federal para resolver um passivo ligado à antiga Asia Motors, cujo valor atualizado gira em torno de R$ 6 bilhões. No entanto, as partes ainda não concluíram o acordo.

Fábrica da Kia poderá criar milhares de empregos

O projeto coloca Piracicaba, no interior paulista, como principal candidata a receber a primeira fábrica própria da Kia no Brasil. A nova unidade deverá aproveitar a estrutura industrial e a cadeia de fornecedores que já atendem a Hyundai na região.

Informações divulgadas pela imprensa especializada indicam que o complexo poderá gerar aproximadamente 5 mil empregos diretos e outros 15 mil indiretos. Dessa forma, o impacto total chegaria a cerca de 20 mil oportunidades na indústria, no comércio, nos serviços, na logística e na produção de componentes.

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Apesar da repercussão, a estimativa de empregos ainda não apareceu em um anúncio oficial das montadoras. O Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba também informou que ainda não participa das negociações e aguarda uma confirmação do investimento.

A expectativa divulgada pelo setor aponta para o início da produção em 2028. Entretanto, a Kia ainda não revelou quais modelos pretende fabricar no país nem apresentou detalhes sobre investimento, capacidade produtiva ou cronograma das obras, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Montadora coreana poderá dividir complexo com a Hyundai

A Hyundai já mantém uma grande fábrica em Piracicaba, onde produz veículos como HB20 e Creta. A unidade possui capacidade anual superior a 215 mil automóveis e integra um polo que reúne fornecedores, pista de testes e centro de pesquisa e desenvolvimento.

Agora, a nova instalação poderá atender tanto a Kia quanto a Hyundai. Segundo informações do setor automotivo, o grupo avalia construir a estrutura em uma área próxima ao complexo atual, ampliando a produção nacional sem depender exclusivamente da fábrica existente.

Essa integração permitiria que as duas marcas compartilhassem fornecedores, logística e parte da estrutura industrial. Ao mesmo tempo, a Kia poderia reduzir sua dependência da importação e ampliar a quantidade de veículos oferecidos aos consumidores brasileiros.

Dívida começou com fábrica que nunca saiu do papel

A pendência surgiu no fim dos anos 1990. Naquele período, a Asia Motors recebeu incentivos fiscais para importar veículos e prometeu instalar uma fábrica na Bahia.

A unidade produziria modelos comerciais leves, incluindo veículos conhecidos no mercado brasileiro, como Topic e Towner. Porém, a crise financeira asiática atingiu a empresa e o projeto não avançou.

Posteriormente, a Kia incorporou a Asia Motors. Como a Hyundai assumiu o controle da Kia em 1998, a discussão passou a envolver as empresas do grupo e o Governo Federal.

Com juros, multas e correções acumuladas, o passivo teria alcançado aproximadamente R$ 6 bilhões. A disputa judicial continuou durante vários anos e dificultou os planos da Kia de instalar uma operação industrial própria no Brasil.

Operação da montadora no Brasil também poderá mudar

Além da fábrica, a negociação poderá encerrar uma parceria que atravessa mais de três décadas. Desde 1992, o Grupo Gandini representa oficialmente a Kia e administra a importação, a distribuição e o relacionamento com a rede de concessionárias brasileiras.

Caso a matriz sul-coreana resolva a dívida e assuma diretamente as atividades no país, o grupo brasileiro poderá deixar o comando da operação. Ainda assim, José Luiz Gandini afirmou que nenhuma decisão definitiva foi tomada e que continua como distribuidor da marca.

Portanto, a fábrica, o perdão da dívida, a transferência da operação e a geração de 20 mil empregos permanecem em negociação. Uma eventual confirmação, contudo, poderá inaugurar a maior transformação da história da Kia no mercado brasileiro.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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