Um terreno gigantesco vai virar endereço de uma das maiores apostas industriais do Brasil nos próximos anos. A montadora chinesa GWM, dona de marcas de carros elétricos, híbridos e a combustão, recebeu aval para instalar uma nova fábrica no país em uma área com cerca de 1,7 milhão de metros quadrados.
O projeto ganhou força depois que o Governo do Espírito Santo avançou com a doação do terreno para a empresa. Agora, após a cerimônia oficial de lançamento, a montadora entra em uma nova fase para tirar a unidade do papel.
A fábrica será construída em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, às margens da ES-257, na região de Barra do Riacho. O investimento previsto gira em torno de R$ 5 bilhões e pode transformar o município em um novo polo da indústria automotiva no Brasil.
O lançamento oficial aconteceu no dia 30 de junho e reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e executivos brasileiros e chineses da GWM. Portanto, o projeto deixou de ser apenas uma intenção e passou para a etapa de preparação técnica, ambiental e industrial.
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Terreno doado tem tamanho de complexo industrial
A área destinada à montadora chama atenção pelo tamanho. São aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados, espaço suficiente para receber uma estrutura muito maior do que uma simples linha de montagem.
Na prática, a GWM pretende montar em Aracruz um complexo industrial. O terreno poderá abrigar áreas produtivas, logística, apoio operacional, fornecedores e futuras expansões.
Além disso, a localização pesa a favor do projeto. A fábrica ficará próxima a estruturas portuárias e logísticas importantes do Norte capixaba, como Portocel, Suzano e o Parklog/ES.
Com isso, a empresa ganha mais facilidade para receber insumos, transportar veículos e atender outros mercados. Essa estrutura também ajuda a explicar por que o Espírito Santo venceu a disputa pelo investimento, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fábrica chinesa pode produzir 200 mil veículos por ano
A nova fábrica será a segunda unidade industrial da GWM no Brasil. A primeira fica em Iracemápolis, no interior de São Paulo, onde a empresa já iniciou sua operação nacional.
Em Aracruz, porém, o plano é mais robusto. A futura planta poderá alcançar capacidade de produção de até 200 mil veículos por ano quando estiver em operação plena.
A primeira etapa deve começar com uma capacidade menor. Mesmo assim, o projeto já nasce com espaço para crescer nos anos seguintes.
A expectativa é que a unidade produza modelos elétricos, híbridos e também veículos a combustão. Entre os modelos previstos para a fábrica capixaba está o SUV elétrico Ora 5, que faz parte da estratégia da montadora para ampliar sua presença no mercado brasileiro.
Projeto pode gerar milhares de empregos
A chegada da GWM também movimenta a expectativa por empregos. O projeto tem potencial para gerar até 10 mil postos diretos e indiretos ao longo da implantação e da operação.
Essas vagas não devem surgir apenas dentro da fábrica. A instalação de uma montadora costuma atrair fornecedores, empresas de transporte, prestadores de serviço, construtoras, oficinas especializadas e negócios ligados à cadeia automotiva.
Por isso, o impacto pode alcançar outros municípios da região. Além de Aracruz, cidades vizinhas podem sentir reflexos na construção civil, no comércio, na qualificação profissional e na oferta de serviços.
A própria GWM já sinalizou que a formação de mão de obra será uma das prioridades. A empresa deve buscar parcerias com instituições de ensino e entidades de qualificação para preparar trabalhadores para diferentes áreas da fábrica.
Lançamento já aconteceu e projeto entra em nova fase
A cerimônia de lançamento marcou o começo de uma etapa mais prática. A partir de agora, o projeto precisa avançar em licenciamento ambiental, estudos técnicos, preparação do terreno e planejamento da operação industrial.
Esse processo será decisivo para definir prazos, etapas da obra, contratações e instalação dos primeiros equipamentos. Portanto, a fábrica ainda não começa a produzir imediatamente.
A expectativa apresentada pelo governo é inaugurar a unidade em 2029. Até lá, a montadora e o poder público devem trabalhar na estrutura necessária para viabilizar o complexo.
Além disso, o Estado também tenta preparar o entorno da fábrica. A doação aprovada pelos deputados inclui uma segunda área, de cerca de 79,5 mil metros quadrados, destinada ao município de Aracruz para estruturas públicas ligadas ao Parklog/ES.
Por que a GWM escolheu o Espírito Santo?
A escolha de Aracruz levou em conta uma combinação de fatores. A posição geográfica, o acesso a portos, a proximidade com corredores logísticos e o ambiente de negócios pesaram na decisão da montadora.
Outro ponto importante foi a possibilidade de usar a fábrica como base exportadora. Depois de atender o mercado brasileiro, a unidade poderá abastecer outros países da América Latina.
Entre os destinos citados para futuras exportações estão Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai. Assim, o Espírito Santo pode ganhar um papel estratégico dentro da cadeia global da GWM.
A montadora também pretende ampliar sua operação no país dentro de um plano de investimentos de longo prazo. A fábrica capixaba faz parte dessa estratégia e reforça o Brasil como uma plataforma industrial da empresa fora da Ásia.
Doação de terreno também gerou debate
A aprovação da doação do terreno passou pela Assembleia Legislativa e gerou debate entre os deputados. Parlamentares favoráveis defenderam que o projeto pode atrair investimento privado, gerar empregos e colocar o Espírito Santo em uma nova posição na indústria automotiva.
Por outro lado, deputados cobraram mais informações sobre contrapartidas, fiscalização, impactos ambientais, proteção de comunidades tradicionais e qualificação da mão de obra local.
Mesmo com as críticas, a proposta avançou e abriu caminho para a formalização do projeto. Agora, a cobrança deve se concentrar no acompanhamento das próximas etapas e no cumprimento dos compromissos assumidos.
Terreno gigante coloca ES no mapa da indústria automotiva
Com o terreno doado, o lançamento realizado e o projeto em fase de preparação, Aracruz entra em uma nova rota de desenvolvimento industrial.
A fábrica da GWM pode se tornar um dos maiores investimentos privados já anunciados para o Norte do Espírito Santo. Além disso, a unidade tem potencial para atrair fornecedores e criar uma cadeia produtiva ligada à mobilidade elétrica, híbrida e multienergia.
Se o cronograma avançar como previsto, o município deixará de ser visto apenas como polo portuário e florestal-industrial. Nos próximos anos, Aracruz também poderá entrar no mapa da produção nacional de veículos.