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Fabricante de móveis tem falência decretada após abandonar fábrica e acumular dívida de R$ 133 milhões

A fabricante de móveis teve falência decretada após acumular dívida de R$ 133 milhões.
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Fabricante de móveis
A fabricante de móveis teve falência decretada após acumular dívida de R$ 133 milhões. Crédito: Divulgação
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Uma fabricante de móveis com mais de cinco décadas de atuação no mercado teve a falência decretada pela Justiça após enfrentar uma longa crise financeira. A decisão também determinou o fechamento das unidades da empresa e a adoção de medidas para preservar o patrimônio que ainda resta.

A Três Irmãos, fundada em 1971, acumula uma dívida estimada em aproximadamente R$ 133 milhões. O valor, no entanto, ainda poderá mudar após a análise completa dos débitos e das obrigações da companhia.

A indústria está sem produzir desde maio de 2026. Agora, com a falência decretada, a administradora judicial Recupere ficará responsável por identificar, reunir e avaliar os bens pertencentes à empresa.

Posteriormente, parte desse patrimônio poderá seguir para leilão. O dinheiro arrecadado servirá para o pagamento dos credores conforme as regras do processo falimentar.

A Justiça também determinou a expedição urgente de mandados para lacrar a fábrica matriz e as filiais da companhia em Santa Catarina.

Fabricante de móveis tentou vender patrimônio antes da falência

Antes da decisão judicial, a Três Irmãos já buscava alternativas para diminuir o tamanho da crise financeira.

Em abril, a companhia colocou imóveis e equipamentos industriais à venda. Os bens oferecidos somavam aproximadamente R$ 7 milhões em avaliações.

A iniciativa ocorreu durante o processo de recuperação judicial, aberto em 2024. Na ocasião, a empresa tentava reorganizar suas dívidas e manter as atividades após enfrentar dificuldades principalmente no mercado externo.

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No entanto, a situação financeira continuou se deteriorando. Em junho, o Ministério Público apresentou um pedido para que a recuperação judicial fosse convertida em falência.

A Justiça acolheu a solicitação após identificar problemas considerados graves durante o processo, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Justiça apontou dívidas e falta de prestação de contas

Entre os pontos citados na decisão está o não pagamento de valores que deveriam ter sido quitados durante a recuperação judicial.

As pendências mencionadas chegam a aproximadamente R$ 210 mil, além de outros € 175 mil.

Outro problema envolve R$ 3,25 milhões obtidos por meio da venda de ativos que havia recebido autorização judicial. Segundo a decisão, a empresa não apresentou comprovação suficiente sobre a destinação desse dinheiro.

Além disso, a fabricante deixou de cumprir parcelamentos fiscais. Entre eles estavam acordos relacionados ao ICMS com o Governo de Santa Catarina e débitos junto à Receita Federal.

A situação dentro das unidades industriais também pesou na decisão.

A Justiça registrou a retirada acelerada de máquinas de grande porte sem autorização, além da interrupção completa das atividades em 14 de maio de 2026 e sinais de abandono do parque industrial.

Com esse conjunto de fatores, o Judiciário concluiu que não havia condições para a continuidade da recuperação judicial.

Fabricante de móveis chegou a empregar 500 trabalhadores

A história da Três Irmãos começou em Campo Alegre, no Planalto Norte de Santa Catarina.

Fundada em 1971, a empresa nasceu de maneira bastante diferente da estrutura industrial que teria décadas mais tarde. Inicialmente, funcionava como uma pequena marcenaria dedicada à fabricação de carroças.

Com o crescimento do negócio, a companhia passou a atuar na fabricação de móveis de madeira maciça e conquistou espaço dentro e fora do Brasil.

Um dos momentos de maior expansão ocorreu a partir de 2009, quando a empresa começou a exportar produtos para a multinacional sueca IKEA.

Nos anos seguintes, a Três Irmãos ampliou sua estrutura industrial.

Em 2016, comprou uma planta em Caçador. Já em 2020, inaugurou outro parque industrial em São Bento do Sul.

Durante o período de maior crescimento, a companhia chegou a manter aproximadamente 500 trabalhadores.

Alta dos custos atingiu fabricante de móveis

A situação começou a mudar durante a pandemia de Covid-19.

A partir de 2021, os problemas na logística internacional aumentaram fortemente o custo das exportações. Em determinados momentos, o preço do frete marítimo por contêiner chegou a cerca de US$ 10 mil.

Para uma companhia com forte presença no mercado externo, a alta comprometeu a competitividade das vendas.

Além disso, outros custos também aumentaram. A indústria enfrentou preços maiores de MDF, colas, vernizes e diferentes matérias-primas utilizadas na produção de móveis.

Ao mesmo tempo, os juros elevados pressionaram o caixa e dificultaram o acesso ao crédito.

O cenário das exportações também piorou. Em 2023, as vendas externas do setor moveleiro catarinense registraram queda de 27,7%.

A combinação desses fatores aprofundou a crise da Três Irmãos, que entrou em recuperação judicial no ano seguinte. A tentativa de reorganização, porém, não conseguiu evitar a paralisação das fábricas e, posteriormente, a decretação da falência.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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