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Economia da Serra cresce 735% em 20 anos e supera Vitória

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Vista aérea da economia da Serra com galpões logísticos e complexo industrial ao redor de rodovia.
Vista aérea da Serra reúne galpões logísticos e parque industrial, os dois motores da economia serrana.
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A economia da Serra multiplicou por mais de oito vezes em duas décadas, num ritmo bem acima do crescimento da população. Entre 2002 e 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) do município saltou de R$ 4,51 bilhões para R$ 37,65 bilhões, segundo dados do IBGE compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). O ano de 2023 é o mais recente disponível: o IJSN divulgou o levantamento em dezembro de 2025, já que o cálculo do PIB municipal tem defasagem padrão de dois anos em relação ao ano de referência. Na prática, isso significa que a economia da Serra provavelmente já é maior hoje do que mostram os números oficiais.

No período entre 2002 e 2023, a população cresceu 52%, de 342 mil para cerca de 520 mil habitantes. Esse descompasso explica o salto na renda por morador. O PIB per capita da Serra passou de R$ 13,18 mil para R$ 72,31 mil, alta de 449%. Ou seja, a riqueza gerada no município cresceu bem mais rápido do que o número de pessoas que vivem nele.

Da indústria aos serviços na economia da Serra

Em 2002, a indústria ainda comandava a economia serrana. O Valor Adicionado Bruto (VAB) do setor somava R$ 2,11 bilhões, quase o dobro dos R$ 1,21 bilhão gerados pelos serviços. Essa diferença persistiu em 2006, quando a indústria chegou a R$ 4,73 bilhões contra R$ 2,59 bilhões dos serviços.

Já em 2009, o cenário mudou. Pela primeira vez na série histórica, os serviços superaram a indústria na Serra: R$ 3,94 bilhões contra R$ 3,22 bilhões. A partir dali, o setor não parou de crescer. Em 2017, os serviços somaram R$ 9,01 bilhões, quase três vezes o valor da indústria, que ficou em R$ 3,13 bilhões. Foi a maior distância entre os dois setores em toda a série, quase R$ 5,9 bilhões.

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Logística puxa a virada no PIB da Serra

A guinada tem explicação concreta. Hoje, a Serra concentra a maior parte da infraestrutura logística da Grande Vitória, com quase metade dos grandes galpões e condomínios da região. São quase 1 milhão de metros quadrados de área bruta locável (ABL) destinados à armazenagem e à distribuição de mercadorias, motor por trás da força do setor de serviços na economia local.

A indústria, porém, não perdeu espaço, apenas dividiu o protagonismo. Em 2021, os dois setores praticamente se equipararam de novo: R$ 13,22 bilhões em serviços contra R$ 13,15 bilhões na indústria, diferença de apenas R$ 70 milhões. O IJSN não detalha os dados por setor de 2022 e 2023, e disponibiliza somente o PIB consolidado e o per capita desses dois anos, mas o total seguiu subindo, o que sugere continuidade dessa proximidade entre indústria e serviços.

A cidade que crescia apoiada na indústria pesada, ligada ao porto de Tubarão, ganhou outra frente de renda. Hoje, uma ampla rede de armazéns e centros de distribuição atende toda a Grande Vitória.

Como a economia da Serra ultrapassou Vitória

Essa mudança de perfil ajuda a explicar por que a Serra ultrapassou Vitória no ranking estadual. Em 2002, a distância entre as duas maiores economias do estado era grande. Vitória somava R$ 7,19 bilhões contra R$ 4,51 bilhões da Serra, vantagem de R$ 2,68 bilhões para a capital. Essa diferença chegou a superar R$ 10 bilhões em 2011, mas encolheu de forma constante nos anos seguintes, até restar apenas R$ 492 milhões em 2018. No ano seguinte, a Serra assumiu a liderança pela primeira vez. Vitória recuperou o posto em 2020, mas, a partir de 2021, a economia serrana abriu vantagem definitiva. Em 2023, lidera por quase R$ 9,4 bilhões.

Casos assim são raros no Brasil. Espírito Santo e Santa Catarina são hoje os dois únicos estados do país em que outro município supera economicamente a capital. No estado vizinho, Joinville e Itajaí têm PIB maior que Florianópolis. No Espírito Santo, essa cidade é a Serra.

Nem todo o ranking capixaba seguiu esse roteiro de crescimento estável. Vila Velha e Cariacica mantiveram trajetórias constantes, sem grandes saltos, e em 2023 travaram a disputa mais apertada da série: R$ 19,711 bilhões contra R$ 19,710 bilhões, diferença de menos de R$ 500 mil. Já Anchieta mostra o outro lado da moeda. Dependente da Samarco, o município sumiu do top 10 estadual justamente entre 2015 e 2020, período em que a mineradora ficou parada após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). É o contraste que reforça o caso da Serra: enquanto Anchieta ficou refém de um único setor, a diversificação entre indústria e serviços deu à economia serrana uma base mais resistente a oscilações.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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