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domingo, 17 de novembro de 2019

De Bicanga para o Brasil

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Redação Jornal Tempo Novohttp://WWW.portaltemponovo.com.br
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Eci Scardini 

Saiu de um quintal de Bicanga o frisson político que agitou parte da política, até em nível nacional, nesta semana. Foram dois áudios atribuídos ao auditor fiscal da Prefeitura da Serra José Nicodemus Venturini, que não mediu palavras para demonstrar o seu descontentamento com o senador Fabiano Contarato (Rede), na sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nodia 19 de junho. Lá, o senador teve um embate com o ministro Sérgio Moro sobre os vazamentos de supostos diálogos do ministro, quando ainda era juiz federal, com o procurador de Justiça Federal Deltan Dallagnol acerca da Lava Jato.

Os áudios supostamente foram gravados no dia 21, à tarde, em um momento de descontração, na residência de Venturini, onde se encontravam parentes e amigos.

Venturini destilou sua indignação com o senador, usando palavras de baixo calão, homofóbicas e ainda – mesmo que não seja o que passa em seu coração – fez ameaças de usar um facão.

O auditor fiscal interpretou que o parlamentar se posicionou contra Moro e a força tarefa da Lava Jato durante a sessão na CCJ.

Possivelmente já tomado pelo forte teor alcoólico das bebidas e com os comentários políticos que deveriam estar tomando conta do ambiente, Venturini teve o impulso de gravar os áudios, sem se dar conta da gravidade das palavras usadas. No jargão popular, desceu a ripa com força.

Em um país tomado por fortes discursos de direita contra esquerda e vice-versa, os áudios de Venturini, declaradamente bolsonarista, ganharam as redes sociais – principalmente o WhatsApp – e viralizou pelas mãos dos admiradores de Moro e do presidente Bolsonaro.

Esses comentários gravados e algumas outras postagens fizeram com que Contarato viesse para as redes sociais explicar detidamente o seu posicionamento, que deixa claro não ser contra a Lava Jato, mas sim contra o uso de alguns métodos.

Venturini está hoje acuado com a possibilidade de ações penais movidas por Contarato na esfera criminal e cível (ameaça de morte e calúnia e difamação) e, também, abertura de sindicância administrativa no âmbito da Prefeitura da Serra.

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