Cultura partidária

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Em pesquisa realizada entre 2002 e 2003 em todo o Brasil, o sociólogo Alberto Almeida constatou em números que o brasileiro leva mais em consideração a pessoa do que o partido na hora de votar.

Essa pesquisa comprovou o que muitos já supunham. A relevância dos partidos políticos no país deve ser analisada com cautela, favorecendo o surgimento de legendas de aluguel e trocas de siglas – mais por conveniência política do que por postura ideológica.

Analisando o currículo de Paulo Hartung, observa-se que ele iniciou sua trajetória político-partidária em 1982 no PMDB. De lá para cá passou por PSDB, PPS e PSB, antes de voltar à primeira sigla, onde permanece nos dias atuais.

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As trocas de siglas, entretanto, podem ocorrer numa velocidade muito mais acentuada. No caso da atual legislatura na Câmara da Serra, terminado o prazo para mudanças no último dia 02 de abril, mais de 1/3 dos vereadores já havia deixado os partidos pelos quais foram eleitos há pouco mais de 3 anos.

Mas qual é o impacto desse troca-troca para a cultura política local? Afinal de contas, se um indivíduo não se sente representado por uma sigla, ele deve buscar outro abrigo – isso nos parece ponto pacífico! A questão é saber se queremos manter os valores políticos centrados na pessoa ou inverter a lógica e fortalecer os partidos.

Pelas últimas mudanças na legislação eleitoral apostamos que haverá um fortalecimento das principais siglas partidárias ao longo da próxima década. O fim da doação empresarial e da reeleição para o Poder Executivo poderá provocar, ao longo do tempo, novas relações políticas como uma maior aproximação entre militância e partidos (nos EUA, por exemplo, boa parte dos recursos financeiros advém de doações de pessoas físicas); e, maior alternância do poder com o fim da reeleição, forçando a preparação de novas lideranças para dar continuidade aos projetos políticos.

Nesse contexto, sairão na frente aqueles que tiverem maior identidade partidária e grupos de apoio.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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