Uma multinacional dona de marcas muito conhecidas pelos brasileiros decidiu mudar uma parte importante da sua produção na América do Sul. A Whirlpool, responsável por Brastemp e Consul, vai concentrar no Brasil a fabricação de lavadoras que antes saíam de uma unidade na Argentina.
Para isso, a empresa anunciou mais de R$ 300 milhões em investimentos na fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo. Com o novo aporte, a unidade brasileira ganha mais tecnologia, mais automação e maior capacidade para produzir máquinas de lavar e lava e seca.
A decisão também aumenta o peso do Brasil dentro da operação da Whirlpool na região. Afinal, a companhia encerrou a produção de lavadoras em Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires, e escolheu a fábrica paulista para receber essa nova etapa industrial.
Multinacional sai da Argentina e vem para o Brasil
A Whirlpool manteve a fábrica argentina de Pilar em funcionamento por menos de três anos. Agora, a multinacional transfere parte da produção para o Brasil e reforça a unidade de Rio Claro como polo estratégico.
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A mudança envolve principalmente os modelos de abertura frontal, conhecidos como front-load. Essa linha inclui lavadoras e lava e seca, que ganharam espaço no mercado por ocuparem menos área e oferecerem funções mais modernas.
Além disso, a empresa busca aumentar a eficiência da operação. Na prática, a companhia quer produzir em maior escala, reduzir custos e aproveitar melhor a estrutura industrial brasileira, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fábrica da Brastemp e Consul terá robôs na produção
O investimento de mais de R$ 300 milhões vai modernizar a fábrica paulista. A Whirlpool planeja colocar mais de 20 robôs industriais nas linhas de produção, o que deve tornar o processo mais rápido e tecnológico.
Além disso, a empresa pretende usar cerca de 95% de componentes fabricados no Brasil nas novas lavadoras. Com essa estratégia, a operação reduz a dependência de peças importadas.
Portanto, a companhia também diminui riscos ligados ao dólar, ao transporte internacional e a possíveis atrasos na chegada de componentes. As primeiras máquinas da nova estrutura devem sair da linha de produção em setembro.
Investimento deve movimentar empregos no Brasil
A expansão em Rio Claro também deve aquecer a economia da região. Segundo a Whirlpool, o projeto pode gerar cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos.
O anúncio reuniu autoridades e executivos da empresa. Entre os presentes, estavam o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, representantes do governo de São Paulo, integrantes da prefeitura e lideranças do setor produtivo.
Com isso, o Brasil ganha destaque em uma disputa industrial cada vez mais forte na América do Sul. Enquanto a Argentina perde a produção local de lavadoras, a fábrica brasileira recebe investimento, tecnologia e ampliação.
Fábrica na Argentina durou menos de três anos
A Whirlpool inaugurou a unidade de Pilar, na Argentina, em 2022. Na época, o projeto chamou atenção porque previa capacidade para fabricar até 300 mil máquinas de lavar por ano.
No entanto, o cenário mudou em pouco tempo. A multinacional decidiu encerrar a produção de lavadoras no país vizinho e direcionar os ativos para reforçar a operação brasileira.
Mesmo com a saída da linha de produção argentina, a empresa afirma que continuará atendendo os consumidores do país. Para isso, a Whirlpool deve usar produtos fabricados em outras unidades do grupo.
Brasil ganha força na indústria de eletrodomésticos
A decisão chama atenção porque envolve duas marcas populares no Brasil e ocorre em um momento de reorganização da indústria sul-americana. De um lado, empresas buscam reduzir custos e ganhar escala. Do outro, países disputam fábricas, empregos e investimentos.
Nesse cenário, Rio Claro passa a ocupar um papel ainda mais importante dentro da Whirlpool. A cidade paulista deve se consolidar como base estratégica para a produção de lavadoras Brastemp e Consul.
Com o novo investimento, o Brasil amplia sua participação na cadeia de eletrodomésticos da multinacional. Já a Argentina perde uma operação que durou menos de três anos e deixou de fabricar esses equipamentos.