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Criminoso erram alvos duas vezes e matam três inocentes na Serra, aponta PC-ES

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Investigação da Polícia Civil indicia 13 pessoas por homicídio qualificado e organização criminosa na Serra
Investigação da Polícia Civil indicia 13 pessoas por homicídio qualificado e organização criminosa na Serra.
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Treze pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil após uma investigação de dez meses sobre dois ataques a tiros ocorridos na noite do dia 22 de outubro de 2025, que resultaram em três mortes na Serra. Os alvos pretendidos pela organização criminosa escaparam nas duas ocasiões (eles não tiveram os nomes divulgados). Quem morreu foram pessoas que não tinham nenhuma ligação com o crime. O balanço foi apresentado pelo delegado Rodrigo Sandi Mori, titular da DHPP Serra.

O primeiro ataque aconteceu por volta das 19h33min, na Rua Perimetral, nº 23, no bairro Maringá. Luiz Gustavo Pratti Corvello, de 34 anos, estava atrás do balcão de uma distribuidora de bebidas quando foi confundido com o alvo da execução, por ter características físicas semelhantes às dele. Segundo Mori, ele foi perseguido até os fundos do estabelecimento e recebeu doze tiros, sete deles depois de já estar caído e sem chance de defesa.

Cerca de três horas depois, às 22h23min, os mesmos suspeitos atacaram outra distribuidora, na Rua São Paulo, nº 777, no bairro Laranjeiras. Mislene Ferreira dos Santos, de 40 anos, que trabalhava como faxineira, havia acabado de chegar ao local para comprar uma cerveja. Ela levou quatro tiros e morreu na hora. Deixou sete filhos, quatro deles menores de idade, hoje sob a responsabilidade da filha mais velha, de 21 anos. Vagner da Costa Jardim, de 36 anos, a outra vítima, tinha ido até a distribuidora só para saber o resultado de um jogo de futebol. Outras duas pessoas ficaram feridas no ataque.

A Polícia Civil não revelou, até o momento, a identidade dos alvos reais dos ataques.

Mandante já estava presa

De acordo com o delegado, o mandante do crime é Pedro Corttes Falcão, vulgo “Pedrinho”, que cumpria pena por homicídio e havia sido solto em outubro de 2022. Menos de um mês depois de ganhar a liberdade, ele já havia comandado outro homicídio duplo no bairro Maringá para retomar o controle do tráfico na região. Dez dias após esse crime anterior, Pedro e Wesley Magno Uchoa Braz, vulgo “Neném” ou “2N”, chefe do tráfico no bairro Chácara Parreiral, foram presos. Mas isso não impediu que continuassem no comando.

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Cartas interceptadas pela investigação mostram que Pedro dava ordens de dentro da penitenciária de segurança máxima. Em uma delas, ele deixa claro que o alvo devia ser executado sem chance de reação, porque já havia escapado impune duas vezes antes. Wesley, do lado dele, forneceu os soldados e as armas usadas no ataque ao bairro Maringá.

Advogadas serviam de ponte com o crime organizado

A investigação identificou duas advogadas como peça central do esquema. Laís Santos de Paula funcionava como elo de comunicação entre os presos e quem estava em liberdade. Ela levou a ordem do homicídio e diversas cartas sobre o tráfico de drogas. Segundo Mori, ela fez 25 atendimentos a Wesley e 20 a Pedro Cortes só em 2025 e 2026, alguns deles simultâneos aos dois. Um desses atendimentos ocorreu 11 dias antes do homicídio no bairro Maringá. A advogada ainda usava a própria chave Pix para repassar dinheiro do tráfico a terceiros e cobrava pelos atendimentos que fazia aos presos desde a pandemia.

A outra advogada, Monique Lopes Guerra, foi contratada para defender José Ferreira, preso por porte ilegal de arma. O plano era que ele ficasse em silêncio sobre o homicídio ao ser interrogado. Ele não seguiu o roteiro e colaborou com a investigação, revelando todo o plano do crime. Em resposta, Monique foi até o presídio e ameaçou José Ferreira e a família dele, segundo áudios obtidos pela polícia.

Comerciante financiou o crime por dívida do filho

Gilson da Costa Silva, apontado como financiador do homicídio, tinha motivos pessoais para participar. Ele suspeitava que um assalto ao seu comércio, em março de 2024, havia sido planejado pelo alvo pretendido no ataque. Além disso, o filho dele, Vitor de Faria R. Costa, havia contraído dívidas com traficantes, uma delas resolvida com o pagamento de R$ 6 mil para reaver uma arma penhorada na boca de fumo do bairro Maringá.

Segundo a investigação, Gilson comprou o veículo usado no crime por R$ 5 mil, forneceu munição, pagava combustível, advogados, armas e drogas para a organização. Foi ele quem mandou José Ferreira C. Filho, seu segurança, monitorar a movimentação do alvo perto da distribuidora minutos antes do primeiro ataque.

Um dos indiciados está foragido

Dos 13 indiciados, 12 já foram presos ao longo da investigação. Um deles, porém, continua foragido: Tiago Laurindo, vulgo “Neguim KMK”, apontado como o motorista do veículo usado no homicídio do bairro Maringá.

Completam a lista de indiciados Paulo Sérgio F. Costa, vulgo “Paulinho” ou “PL”, José Roberto S. Oliveira Junior, vulgo “Juninho”, e Yuri Andrews de A. Barcellos, todos apontados pela polícia como responsáveis pelo planejamento e organização do homicídio, além dos executores Brendo Magalhães Silva, vulgo “Perna”, e João Pedro V. de Souza, vulgo “Tiroteio”.

Treze indiciados após dez meses de investigação

Com exceção de Monique, todos os indiciados responderão por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, perigo comum e impossibilidade de defesa da vítima, além de crimes previstos na lei de organização criminosa. Gilson, Monique e Vitor também foram indiciados por fraude processual, por tentar induzir testemunhas a mudar depoimentos e encobrir a participação de Gilson no crime.

Quem tiver informações que ajudem a localizar Tiago Laurindo ou colaborem com a investigação pode ligar para a Delegacia de Homicídios da Serra, no telefone 3198-7924, ou para o Disque Denúncia, no 181, com garantia de anonimato. A defesa dos envolvidos não foi encontrada, o espaço segue aberto.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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