Uma das notícias de maior repercussão da semana passada no caso Apex Partners foi a contratação da FTI Consulting por Fernando Cinelli, presidente afastado da companhia, para fazer uma apuração “independente” sobre as operações do grupo. A equipe inclui Marcelo Zenkner, ex-promotor de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo e ex-secretário estadual de Controle e Transparência, que também foi diretor executivo de Governança e Conformidade da Petrobras.
O que ainda não foi esclarecido é quanto custa esse trabalho e quem paga. A FTI é uma consultoria internacional especializada em contabilidade forense e investigações corporativas, e uma apuração desse porte não sai barata. Estimativas de mercado falam em algo entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões, mas não há confirmação pública do valor do contrato nem da origem dos recursos.
A pergunta ganha peso diante da situação judicial do empresário. Em agosto, a Justiça bloqueou seus bens e autorizou a quebra de seu sigilo bancário, a pedido da própria Apex, que aponta movimentações sem lastro de R$ 23,25 milhões em benefício de Cinelli. A empresa pediu a ampliação do bloqueio até esse valor. A defesa contesta as acusações e tenta derrubar as restrições.
Na última sexta-feira, Cinelli sofreu novo revés. O desembargador Raphael Câmara, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, manteve o bloqueio dos bens e registrou que a documentação apresentada pela defesa não comprova, de plano, a regularidade das saídas milionárias do caixa da empresa para a conta do então administrador. A única vitória do empresário foi a suspensão da quebra do sigilo bancário.
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Cinelli afastado da presidência da Apex
Há um detalhe que torna tudo mais curioso. Cinelli foi afastado justamente depois que apurações internas da própria Apex identificaram inconsistências financeiras. O sucesso vendido pela companhia se revelou um castelo de cartas, que desabou da noite para o dia: a Apex foi parar na Justiça com um pedido de recuperação judicial e uma dívida na casa de R$ 1 bilhão.
Ficam outras perguntas. A consultoria “independente” vai apurar os supostos desvios de R$ 23 milhões para as contas pessoais de quem a contratou? E a concentração de poder? Cinelli presidia o Conselho de Administração, era diretor-presidente do grupo, comandava as mais de 170 empresas da companhia e controlava todas as contas bancárias. Um quebra-cabeça com cifras bilionárias e muitos interesses em jogo.
O que se vê é a estratégia de quem é investigado tentar passar para a posição de quem dá as cartas, talvez para embaralhar o jogo. Mas Cinelli não tem convencido nem a Justiça e, segundo informações de bastidores, muito menos os credores, que ainda esperam dele uma explicação para o rombo.