Cesan é cara e ineficaz

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Bruno Lyra

É 80% mais cara a conta de água por causa da tarifa de coleta e tratamento do esgoto. Significa que se o boleto da Cesan for R$ 108, R$ 48 é de esgoto e R$ 60, de água. É justo que se pague esgoto, afinal, é um serviço essencial para a saúde humana e a proteção ambiental.

O problema é quando a qualidade do serviço do esgoto é duvidosa. Essa é a sensação e até a constatação para grande parte dos moradores da Serra. Paga-se um serviço que impacta não só o orçamento das famílias, como também as finanças de empresas, notadamente as menores. Mas não se nota melhora nas águas de córregos, rios, lagoas e praias sujas por cursos d’água transformados em valões.

Em 6 de janeiro de 2015, a cidade virou palco da nova fase na gestão do esgoto no Espírito Santo, através da Parceria Público Privada (PPP) entre o consórcio Serra Ambiental e Cesan. Com posterior mudança de controladores, o consórcio passou a se chamar Ambiental Serra.

A promessa da PPP era de que o dinheiro da iniciativa privada ampliasse a coleta e melhorasse a qualidade do tratamento, universalizando o serviço até 2023 na cidade. De fato, tem havido ampliação das redes de coleta, mas com ela também mais gente passou a pagar tarifa de esgoto aumentando a receita da PPP.

A qualidade é que é o problema. Nenhuma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi feita pela PPP. E a maioria das ETEs é de tecnologia mais simples, com menor capacidade de purificação dos rejeitos. São os conhecidos “penicões” feitos nos anos de 1970 e 1980, quando a população da Serra era bem menor. Hoje a cidade tem meio milhão de pessoas e é a maior do ES.

Custa caro fazer uma estação de esgoto. Uma das mais modernas da Serra, a ETE Manguinhos, por exemplo, foi construída à base de empréstimos do Estado via Programa Águas Limpas. E olha que ele é inferior à ETE Mulembá, a maior de Vitória.

O grupo Aegea, que atua em 49 municípios do país, controla a Ambiental Serra. No ES, também gere o esgoto de Vila Velha e, agora, mira o de Cariacica. Atua também na Região dos Lagos, Rio de Janeiro. Lá protagonizou triste espetáculo no início do ano, quando esgoto vazou e sujou praias da paradisíaca Arraial do Cabo. Se num lugar de turismo internacional é esse o padrão do serviço, o que esperar na Grande Vitória?

Na Serra, a PPP coleciona multas ambientais. E usa todos os artifícios legais para não pagá-las. Enquanto isso, o serrano tem que meter a mão no bolso para quitar a conta todo santo mês.

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