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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Caindo no canto da sereia

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Ana Paula Bonellihttps://www.portaltemponovo.com.br
Moradora da Serra, Ana Paula Bonelli é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal.

Por Yuri Scardini

Novamente a Serra protagoniza cenas de forte polarização política. O palanque da vez é o concurso da tão esperada Guarda Municipal Armada, transformado em epicentro temporário da disputa eleitoral deste ano. A turma do ex-prefeito, Sérgio Vidigal (PDT), mesmo que consiga embananar o processo, já perdeu esta batalha. Audifax Barcelos (Rede) montou uma trincheira inteligente e maquiavélica que engoliu a oposição vidigalista, que só se deu conta da sinuca de bico em que se meteu quando já era tarde demais.

O fato é que essa guarda não iria sair este ano, pois Audifax anda sobre a corda bamba da lei de responsabilidade fiscal, que é muito rígida para um gestor, podendo até dar cadeia. Até garis têm sido sacrificados com demissões, pois apesar da EngeUrb ser uma empresa prestadora de serviço na coleta de lixo na cidade, seu quadro de garis é contabilizado na folha da prefeitura.

Como Audifax iria colocar na rua uma guarda armada e custear toda a estrutura operacional de suporte a estes agentes, ainda mais numa cidade que tem média de um homicídio por dia? Dizer para opinião pública que o problema é falta de dinheiro, pode ser um suicídio eleitoral, pois o povo paga pesados impostos e não quer saber de problemas do gênero, exige apenas aquilo que lhe foi prometido.

Mas uma ótima saída seria jogar a batata no colo do inimigo. Foi aí que Audifax acabou matando dois coelhos com uma cajadada só ao lançar o canto da sereia para atrair a oposição e depois levá-la ao fundo do mar.

Calculando a reação dos opositores, Audifax anunciou que em vez de 170 agentes aprovados, por hora só chamaria 50 para serem treinados e colocados na rua. A oposição quase cega pelo desejo de travar os planos do prefeito e prejudicá-lo eleitoralmente, mordeu a isca.

Os vereadores ligados ao ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) criticaram de forma veemente a legalidade da proposta sugerida por Audifax e impuseram tal dificuldade para aprová-la, que a judicialização do caso é certa. Se isto acontecer, nenhuma contratação sai antes do fim das eleições em outubro.  A oposição foi com sede demais ao pote que tinha ouro de tolo.

Locomotiva econômica ou feudo em guerra?

Durante a confusão, a turma de Audifax entrou pesado com discurso de vítima, jogando a culpa na oposição e relacionando diretamente o nome de Vidigal como maestro da manobra “contra a Guarda Municipal”.  Foi montado um circo na internet, links patrocinados a torto e a direito.  Lideranças ligadas a Vidigal e Audifax transformaram grupos de debate político no WhatsApp num verdadeiro ringue de MMA.  E tudo indica que a estratégia de Audifax teve êxito. A pecha de empasteladores de um projeto que poderia ajudar a tão precária segurança da cidade caiu sobre Vidigal e os vereadores de oposição.

Na quinta (30) dia da sessão extraordinária, o teatro já estava ensaiado. Quando a Comissão de Justiça presidida pelo vidigalista Basílio da Saúde (Pros) deu parecer negativo e a presidente Neidia Maura (PSD) encerrou a sessão sem votar a homologação do concurso, os vereadores de situação explodiram. Brigaram, gritaram e fizeram uma sessão ‘gambiarra’ sem os opositores para aprovar a homologação.

Enquanto isso, a oposição vidigalista estava reclusa na sala da presidência, ouvindo os gritos de retaliação do imenso público presente, que em sua maioria possui ligações políticas e pressionava muitos nas galerias e até com um barulhento trio elétrico.

Com isso, ao invés de Audifax ser execrado pela opinião pública, que tende a ser cruel em ano eleitoral, ele sai como o paladino da Guarda Municipal. Assim como seus aliados na Câmara, que já se auto intitulam “Os 17 heróis da Guarda”.

Agora Audifax ganha tempo, pois será questionada a legalidade da “sessão gambiarra” que homologou o concurso da Guarda, capitaliza para as eleições e faz do limão uma limonada bem adocicada. Diferente de Vidigal e seus aliados que chuparam o limão amargo.

Enquanto as forças políticas debilitam a Serra com suas feridas pessoais, nada aflora à luz na escuridão. E a Câmara da Serra que representa meio milhão de pessoas, novamente aparece em destaque na mídia estadual em papel vergonhoso. Este município não pode ser visto como um feudo em guerra. A Serra não é uma cidade pequena do interior do Nordeste na década de 80.

Ana Paula Bonellihttps://www.portaltemponovo.com.br
Moradora da Serra, Ana Paula Bonelli é repórter do Tempo Novo há mais de 15 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal.

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