O Gov.br, plataforma que dá acesso a serviços como INSS, Receita Federal, CNH Digital e Carteira de Trabalho, enfrentou nos últimos meses o maior volume de ataques hacker da sua história. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), estatal que cuida da infraestrutura do sistema, confirmou a informação depois que um de seus diretores classificou a ofensiva como “sem precedentes”.
A revelação partiu de André Picoli Agatte, diretor de Novos Negócios do Serpro, durante a II Semana de Inteligência Artificial da estatal, realizada entre quarta (4) e sexta-feira (6), em Brasília. Ao falar dos desafios de segurança da empresa, ele afirmou: “Essa semana nós tivemos um ataque sem precedentes ao GovBR”. Segundo o diretor, as equipes conseguiram responder e mostraram capacidade de resistir.
Na ocasião, porém, Agatte não detalhou o tipo de ataque nem informou se houve prejuízo aos usuários. Por isso, a declaração gerou dúvidas, já que o Gov.br reúne 179,5 milhões de contas ativas, segundo dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) atualizados até outubro. O diretor também defendeu mais investimentos para ampliar a proteção da estatal diante de ataques cada vez mais sofisticados.
O que o Serpro diz sobre o ataque hacker ao Gov.br
Em nota divulgada na quinta-feira (5), o Serpro esclareceu que as investidas são ataques de negação de serviço distribuído, conhecidos pela sigla DDoS. Nesse tipo de ofensiva, os atacantes disparam uma enxurrada de acessos falsos ao mesmo tempo para sobrecarregar o sistema e tirá-lo do ar. Ao contrário de uma invasão, o objetivo não é roubar dados, e sim derrubar o serviço.
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De acordo com a estatal, a infraestrutura registrou no último semestre os maiores volumes desse tipo de ataque de toda a sua trajetória. Ainda assim, a empresa garante que não houve interrupção, impacto ou comprometimento dos ambientes do Gov.br. O Serpro também afirma que segue em vigilância máxima, com os sistemas monitorados 24 horas por dia.
O presidente da estatal, Wilton Mota, disse que o volume e a intensidade dos ataques mostram o peso estratégico das estruturas digitais do país. “Seguiremos investindo em segurança, inteligência e soberania digital”, afirmou. Já o diretor de Operações, Wallyson Oliveira, relatou que as equipes atuaram de forma coordenada para detectar e conter as investidas.
Como proteger sua conta no Gov.br
Mesmo sem registro de vazamento, o episódio serve de alerta para quem usa a plataforma no dia a dia. A principal proteção é ativar a verificação em duas etapas, que pede um código extra a cada novo acesso. Até março, menos da metade das contas nível prata e ouro usava o recurso, segundo o MGI.
Além disso, vale elevar a conta para o nível prata ou ouro, que exige validação por biometria, banco ou certificado digital. Também é bom desconfiar de mensagens por SMS, e-mail ou WhatsApp com links que pedem senha ou código de acesso. Golpistas costumam aproveitar notícias como essa para espalhar páginas falsas.