Uma nova atividade registrada no Sol colocou cientistas em atenção para a chegada de uma tempestade geomagnética à Terra nos próximos dias. A previsão mais recente aponta que o fenômeno pode alcançar o planeta na sexta-feira, 2 de outubro, e provocar alterações temporárias no campo magnético terrestre.
O alerta foi emitido após uma ejeção de massa coronal deixar o Sol em 28 de setembro. Esse tipo de fenômeno lança grandes quantidades de plasma e partículas carregadas para o espaço e, quando parte desse material segue em direção à Terra, pode interagir com o campo magnético do planeta.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), as condições podem atingir o nível G1, considerado fraco na escala de tempestades geomagnéticas.
A previsão representa uma atualização importante em relação ao alerta que circulou no fim de agosto. A explosão solar M6.9 registrada em 25 de agosto e a tempestade prevista naquela ocasião já passaram e não estão relacionadas ao novo evento.
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Tempestade solar deve atingir a Terra em 2 de outubro
A NOAA prevê condições tranquilas no campo magnético terrestre durante esta quarta-feira, 30 de setembro, e também na quinta-feira, 1º de outubro.
A situação pode mudar na sexta-feira (2), quando os efeitos da ejeção de massa coronal registrada no dia 28 devem alcançar a região da Terra.
Os meteorologistas espaciais classificam a possibilidade como uma tempestade geomagnética G1. A escala utilizada pela NOAA começa em G1, para eventos considerados fracos, e chega a G5, categoria reservada para tempestades extremas.
Apesar do nome chamar atenção, uma tempestade G1 normalmente provoca efeitos limitados.
Satélites podem sentir os efeitos da tempestade
Entre os equipamentos que recebem maior atenção durante uma tempestade geomagnética estão os satélites, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Mudanças nas condições da alta atmosfera podem interferir em algumas operações realizadas no espaço. Em tempestades G1, pequenos impactos em satélites são possíveis.
Além disso, oscilações fracas podem ocorrer em redes de energia, principalmente em regiões localizadas em latitudes mais elevadas.
Em tempestades mais intensas, o aumento do arrasto atmosférico também pode alterar a órbita de satélites que circulam relativamente próximos da Terra, fazendo com que operadores precisem realizar correções.
Celulares podem parar de funcionar?
Para quem utiliza o celular no dia a dia, a previsão atual não indica motivo para preocupação.
Uma tempestade geomagnética G1 não significa que smartphones deixarão de funcionar ou que redes móveis serão desligadas.
Eventuais problemas podem atingir sistemas dos quais alguns serviços dependem, como satélites e navegação por GPS. Mesmo assim, no nível atualmente previsto, os efeitos tendem a ser pequenos e concentrados principalmente em regiões de altas latitudes.
Portanto, não existe previsão de apagão generalizado de internet ou telefonia celular por causa do fenômeno.
Rádios também são monitorados
Os cientistas também acompanham possíveis alterações nas comunicações por rádio.
No entanto, é importante diferenciar dois fenômenos. A tempestade geomagnética prevista para sexta-feira está relacionada à chegada do material expelido pelo Sol. Já apagões de rádio podem ocorrer diretamente após explosões solares mais intensas, quando a radiação alcança a Terra.
Para o período entre 30 de setembro e 2 de outubro, a NOAA estima apenas 10% de probabilidade diária de ocorrer um apagão de rádio entre os níveis R1 e R2 provocado por alguma nova explosão solar.
Além disso, a agência considera de apenas 1% a possibilidade de uma tempestade de radiação solar de nível S1 ou superior no mesmo período.
Brasil deve sentir os efeitos?
Os efeitos mais perceptíveis de uma tempestade geomagnética G1 costumam ocorrer nas regiões próximas aos polos.
Por isso, não existe atualmente uma previsão de impactos relevantes no funcionamento cotidiano de celulares, internet ou redes elétricas no Brasil.
Regiões de altas latitudes podem registrar alterações mais facilmente. Nesses locais, inclusive, a atividade geomagnética pode ampliar a área de ocorrência das auroras.
O fenômeno continua sendo acompanhado porque a intensidade real de uma tempestade geomagnética depende das características do vento solar quando ele chega à Terra.
O que provoca uma tempestade solar?
O Sol libera constantemente partículas em direção ao espaço. Em determinados momentos, porém, grandes quantidades de plasma podem ser lançadas de uma só vez por meio das chamadas ejeções de massa coronal.
Quando essa nuvem de partículas alcança a Terra, ela encontra o campo magnético do planeta.
Dependendo da velocidade, da densidade e principalmente da orientação do campo magnético transportado pelo material solar, a interação pode provocar uma tempestade geomagnética.
Esses eventos recebem acompanhamento constante porque tempestades muito fortes podem afetar satélites, navegação, comunicações por rádio e até redes elétricas.
No caso do evento previsto para 2 de outubro, contudo, a classificação atualmente indicada pela NOAA é G1, o menor nível da escala de tempestades geomagnéticas.