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Coca-Cola fecha 4 fábricas históricas, demite 1.400 funcionários e muda a produção de refrigerantes

Coca-Cola fecha 4 fábricas históricas e demite 1.400 funcionários.
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Coca-Cola
Crédito: Divulgação
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A Coca-Cola atravessa uma ampla reorganização de sua estrutura industrial e logística, com fechamento de fábricas, eliminação de postos de trabalho e transferência da produção de algumas de suas bebidas mais conhecidas.

As mudanças atingem unidades que funcionaram durante décadas e empregavam centenas de trabalhadores. Ao mesmo tempo, a companhia passou a concentrar parte da fabricação em outras plantas e até em empresas parceiras.

Considerando os diferentes processos anunciados desde 2025, aproximadamente 1,4 mil postos de trabalho foram eliminados ou atingidos por desligamentos relacionados às reorganizações. O número inclui demissões, encerramento de cargos e funcionários que aderiram a pacotes de saída.

Além disso, pelo menos quatro unidades industriais aparecem entre os fechamentos recentes ou em processo definitivo de encerramento. A estratégia não significa que produtos conhecidos desaparecerão das prateleiras. Em vários casos, a fabricação simplesmente mudou de endereço.

Coca-Cola fecha fábrica e transfere produção para empresa parceira

Uma das primeiras grandes mudanças ocorreu em American Canyon, na Califórnia, nos Estados Unidos.

A Coca-Cola encerrou a produção da fábrica em 30 de junho de 2025. Na primeira etapa, aproximadamente 135 trabalhadores foram atingidos. Posteriormente, com o encerramento das atividades restantes no local, outros 45 postos apareceram em aviso de fechamento relacionado à unidade.

A planta fabricava principalmente bebidas não gaseificadas de marcas conhecidas mundialmente.

Entre os produtos estavam Powerade, Minute Maid, Vitaminwater e Gold Peak Tea.

Entretanto, a Coca-Cola não abandonou essas linhas.

Parte da fabricação foi direcionada para uma empresa terceirizada da própria região. Dessa forma, a companhia passou a utilizar um parceiro industrial para manter parte do abastecimento em vez de continuar produzindo tudo dentro da antiga fábrica, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Segunda fábrica vai fechar definitivamente

Outra mudança importante acontece em Northampton, no estado de Massachusetts.

A unidade deverá encerrar definitivamente suas operações em 15 de dezembro de 2026. Documentos apresentados às autoridades estaduais indicam o desligamento de aproximadamente 175 funcionários.

Os cortes começaram em agosto e devem avançar até o final de novembro, pouco antes do fechamento completo da instalação.

A fábrica também possui décadas de história. A Coca-Cola comprou a instalação em 1995 e chegou a investir dezenas de milhões de dólares na ampliação da operação.

Assim como em American Canyon, o local produz principalmente bebidas sem gás. Minute Maid e Powerade estão entre as linhas associadas à fábrica.

Na realidade, o encerramento já estava nos planos da empresa havia anos. A Coca-Cola anunciou inicialmente que deixaria a unidade em 2023, mas dificuldades relacionadas à transferência da fabricação fizeram a planta permanecer aberta por mais tempo.

Agora, porém, o fechamento entrou em sua etapa final.

Fábrica que produzia 520 milhões de litros por ano também fechou

A reorganização não ficou restrita aos Estados Unidos.

Na Alemanha, a Coca-Cola Europacific Partners encerrou a produção de sua tradicional unidade de Colônia em março de 2025.

A presença da Coca-Cola na cidade remontava a 1937.

Antes do fechamento, a operação de Colônia possuía duas linhas de produção e capacidade para envasar aproximadamente 520 milhões de litros de bebidas por ano.

A reorganização atingiu também a área logística.

A empresa anunciou o encerramento de cinco instalações no país. Apenas Colônia mantinha produção entre as unidades fechadas; os outros locais estavam ligados principalmente à logística.

No conjunto da reorganização alemã, a Coca-Cola anunciou a eliminação de 505 postos de trabalho. Outros 207 cargos seriam transferidos para diferentes instalações, enquanto 78 novas vagas seriam criadas.

A companhia justificou a decisão afirmando que pretendia aumentar a utilização de outras fábricas e tornar sua rede produtiva e logística mais eficiente.

Com isso, parte dos volumes que antes passavam por Colônia começou a ser absorvida por outras operações da Coca-Cola no próprio país.

Coca-Cola também fecha fábrica na África

Outra grande reorganização aconteceu na África do Sul.

A Coca-Cola Beverages South Africa iniciou, em setembro de 2025, um processo que inicialmente poderia atingir mais de 680 trabalhadores.

O plano incluía mudanças profundas na estrutura da empresa e o fechamento de unidades industriais.

Uma das fábricas atingidas foi a de Bloemfontein.

O encerramento da unidade apareceu posteriormente em uma decisão do Tribunal do Trabalho sul-africano publicada em março de 2026. O processo judicial cita expressamente o fechamento do local de fabricação como um dos motivos para a redução de postos.

Inicialmente, a fábrica de East London também chegou a aparecer nos planos de fechamento divulgados durante a reorganização. Entretanto, o encerramento de Bloemfontein é o que possui confirmação posterior mais clara em documentos judiciais.

Mais de 600 funcionários aderiram a desligamentos

A mudança sul-africana respondeu por uma parcela significativa dos trabalhadores atingidos.

Em outubro de 2025, o sindicato Food and Allied Workers Union informou que 609 funcionários haviam assinado pacotes de desligamento, enquanto outros 71 não haviam aderido naquele momento.

Por isso, os números precisam ser interpretados com cuidado.

Nem todos esses trabalhadores sofreram uma demissão compulsória. Parte deixou a companhia por meio de pacotes de saída oferecidos durante o processo de reestruturação.

Posteriormente, documentos judiciais também mostraram que cartas de demissão foram emitidas para trabalhadores envolvidos no processo após as consultas trabalhistas.

Fechamentos e cortes atingem cerca de 1.400 postos

Ao colocar os principais movimentos lado a lado, o tamanho da reorganização fica mais evidente.

American Canyon teve aproximadamente 180 postos envolvidos nas duas etapas de encerramento. Northampton terá 175 desligamentos. Na Alemanha, o programa de fechamento de cinco instalações eliminou 505 postos. Já na África do Sul, 609 funcionários assinaram pacotes de desligamento durante a reestruturação.

Somados, esses movimentos chegam a aproximadamente 1.469 postos ou desligamentos.

Por isso, o número pode ser arredondado para cerca de 1,4 mil trabalhadores atingidos.

No entanto, os casos são diferentes entre si: existem demissões diretas, eliminação de cargos, transferências internas e adesões voluntárias a pacotes de saída.

Produção dos refrigerantes não acabou

Apesar do fechamento das fábricas, a Coca-Cola não anunciou o fim das principais bebidas produzidas nesses locais.

O movimento mostra, na prática, uma mudança na forma como a multinacional organiza sua cadeia de fabricação.

Em American Canyon, parte da produção passou para uma empresa parceira. Na Alemanha, a Coca-Cola concentrou volumes em outras fábricas de sua própria rede. Já o encerramento de Northampton também ocorre depois de anos de preparação para redistribuir a fabricação realizada no local.

Portanto, consumidores podem continuar encontrando as marcas atingidas normalmente.

A mudança acontece principalmente nos bastidores: em vez de determinadas bebidas saírem das mesmas fábricas durante décadas, a Coca-Cola passa a concentrar volumes em unidades maiores ou utilizar parceiros externos.

A própria operação alemã ajuda a mostrar essa estratégia. Mesmo depois do fechamento de Colônia, a companhia informou em 2025 que 97% das bebidas Coca-Cola vendidas na Alemanha continuavam sendo produzidas dentro do próprio país.

Assim, os recentes fechamentos não representam uma retirada da Coca-Cola desses mercados. Eles mostram uma concentração da fabricação e da logística em menos instalações, ao mesmo tempo em que fábricas históricas encerram definitivamente suas atividades.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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