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Após 70 anos, multinacional com 10 mil funcionários fecha fábrica e sai do Brasil

A multinacional fechou fábrica e saiu do Brasil.
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Multinacional fábrica
A multinacional fechou fábrica e saiu do Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma multinacional que atravessou mais de sete décadas de transformações econômicas vai encerrar sua produção no Brasil. A decisão coloca fim às atividades fabris de uma unidade histórica e afeta diretamente mais de 100 famílias.

Além dos empregados da fábrica, a paralisação preocupa prestadores de serviços, transportadoras, fornecedores e outros profissionais que dependem da operação industrial. O imóvel continuará sob responsabilidade da companhia, mas deixará de produzir os materiais fabricados no local.

A mudança ocorre depois de anos de reclamações relacionadas à fumaça, ao mau cheiro e aos ruídos emitidos pela unidade. Após negociações com autoridades ambientais, a empresa assumiu o compromisso de desligar os equipamentos e encerrar definitivamente a fabricação.

A fábrica pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, e está localizada em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo. A unidade produz lã de vidro, material utilizado no isolamento térmico e acústico de imóveis, veículos, instalações industriais e projetos de infraestrutura.

Multinacional encerra produção após mais de 70 anos

A Isover mantém operações em diferentes partes do mundo. Segundo informações institucionais, a empresa reúne mais de 10 mil funcionários, atua em 39 países e administra cerca de 60 fábricas distribuídas por 28 nações.

No Brasil, porém, a unidade de Santo Amaro deixará de exercer qualquer atividade industrial. Um acordo firmado entre a companhia, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo definiu o cronograma de encerramento.

Pelo documento, a Isover deveria interromper a fabricação de lã de vidro até 4 de julho de 2026. Depois disso, a empresa teria até 31 de julho para desligar o forno usado na fusão do vidro.

O equipamento integra uma das principais etapas do processo produtivo e também aparece entre as fontes de emissão apontadas durante as discussões sobre os impactos ambientais da fábrica.

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Com o desligamento do forno, a unidade encerra uma trajetória industrial de mais de 70 anos na capital paulista.

Fábrica passará a funcionar como centro de distribuição

Embora a produção chegue ao fim, a Isover não deixará completamente o endereço. A empresa pretende transformar o imóvel em um centro de distribuição de seus produtos.

Portanto, a decisão não significa a saída total da marca do mercado brasileiro nem o encerramento das atividades comerciais da Saint-Gobain no país. A mudança atinge especificamente a operação industrial mantida em Santo Amaro.

Na prática, o local deixará de fabricar lã de vidro e ficará responsável por atividades ligadas ao armazenamento e à distribuição. Dessa maneira, a antiga fábrica assumirá uma nova função dentro da estrutura logística da multinacional.

A companhia confirmou a assinatura do acordo e o cumprimento do cronograma previsto para a desativação industrial, conforme apuração do Portal Tempo Novo.

Fechamento deve afetar famílias

O encerramento da produção deve atingir mais de 100 famílias de trabalhadores contratados diretamente pela fábrica. Entretanto, os impactos podem se estender para além dos portões da unidade.

Transportadores, fornecedores, prestadores de serviços e profissionais ligados à manutenção e à logística também podem perder contratos ou enfrentar redução na demanda após a paralisação.

A Isover informou que utilizará o período de transição para tentar reduzir os efeitos sociais da medida. Nesse intervalo, a empresa também deverá cumprir uma série de obrigações estabelecidas no acordo.

Entre as exigências estão o gerenciamento de áreas contaminadas, o tratamento de resíduos e a destinação adequada dos materiais presentes no imóvel.

Além disso, a companhia precisará acompanhar as condições ambientais da área mesmo depois do desligamento dos equipamentos industriais.

Reclamações de moradores motivaram investigação

O acordo surgiu após uma longa mobilização de moradores dos bairros próximos à fábrica. Durante anos, a população relatou problemas provocados pelo funcionamento contínuo da unidade.

Entre as principais reclamações estavam a emissão de fumaça, o cheiro forte e os ruídos registrados durante o dia e também na madrugada. Moradores afirmaram que os incômodos afetavam a rotina das famílias que vivem no entorno.

Alguns relatos mencionavam ardência nos olhos, irritação na pele, dificuldade para respirar e desconforto causado pelas emissões da chaminé.

A pressão aumentou em 2023, quando moradores apresentaram uma petição à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. O documento cobrava providências e uma fiscalização mais rigorosa sobre as atividades da indústria.

Depois das denúncias, o Ministério Público passou a acompanhar o caso. O assunto também chegou a audiências públicas e reuniões com representantes municipais e estaduais.

Durante esses encontros, moradores voltaram a relatar que a fábrica funcionava durante a madrugada e liberava fumaça e odores que alcançavam as residências próximas.

Multinacional afirma que cumpria regras ambientais

Em nota enviada ao Portal Tempo Novo, a Isover declarou que sempre operou em conformidade com a legislação brasileira. Em posicionamento enviado ao Estadão, a companhia afirmou que seguia critérios de sustentabilidade, segurança e proteção à saúde reconhecidos por entidades nacionais e internacionais.

A empresa também informou que colocou em prática um Plano de Melhoria Ambiental. O programa incluiu investimentos em isolamento acústico e tecnologias destinadas a reduzir a emissão de vapor de água.

Além disso, a multinacional afirmou que criou canais de comunicação com a comunidade para receber reclamações e esclarecer dúvidas relacionadas à operação.

Mesmo após essas medidas, as autoridades e a companhia chegaram a um acordo para encerrar a produção industrial. Assim, a unidade deixará de fabricar os produtos que marcaram sua presença durante mais de sete décadas em Santo Amaro.

O futuro da área ainda deverá permanecer em discussão. Empresa, órgãos públicos e moradores acompanharão as medidas ambientais, a destinação do imóvel e as consequências provocadas pelo fim da atividade fabril.

Com a mudança, uma fábrica histórica encerra sua linha de produção, mantém somente a operação de distribuição e inaugura uma nova etapa da presença da Isover no Brasil.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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