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Adeus, Brasil: montadora internacional fecha fábrica no país e manda demitir todos os trabalhadores

Montadora internacional fechou fábrica no Brasil e mandou demitir todos os trabalhadores.
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Montadora internacional fábrica
A montadora internacional fechou fábrica no Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma das marcas de automóveis de luxo mais conhecidas do mundo colocou um ponto-final em sua produção no Brasil. Após uma década de operação, a montadora internacional encerrou a fabricação nacional de dois SUVs e deixou centenas de trabalhadores diante de um futuro incerto.

A paralisação afeta diretamente 371 empregos. Até o momento, porém, a empresa não anunciou oficialmente uma demissão em massa. O destino dos funcionários depende das negociações para que outra fabricante assuma a estrutura industrial.

A empresa responsável pela decisão é a Jaguar Land Rover. A fábrica fica em Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro, e produzia os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque.

Segundo informações divulgadas pelo sindicato da categoria, a linha de montagem encerrou as atividades na virada de junho para julho de 2026. Os últimos veículos produzidos permaneceram na unidade para distribuição às concessionárias.

Apesar do encerramento da produção nacional, a Land Rover não anunciou sua saída completa do mercado brasileiro. A marca poderá continuar vendendo veículos importados por meio de sua rede de concessionárias, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Fábrica de carros encerra produção após dez anos

A Jaguar Land Rover inaugurou a unidade de Itatiaia em junho de 2016. Na época, o projeto ganhou destaque por representar a primeira fábrica própria da companhia fora do Reino Unido e a única operação industrial da empresa na América Latina.

O investimento inicial divulgado pela própria montadora alcançou R$ 750 milhões. Além disso, a fábrica nasceu com capacidade para montar até 24 mil veículos por ano.

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No entanto, a unidade nunca chegou perto de utilizar toda essa estrutura. Durante os últimos anos, o volume de veículos fabricados caiu, enquanto os modelos importados ganharam mais espaço dentro da própria linha da Land Rover.

A fábrica operava no sistema SKD. Nesse modelo, as carrocerias e grande parte dos componentes chegavam do exterior praticamente prontos. Os trabalhadores brasileiros realizavam as etapas finais de montagem dos veículos.

Esse formato reduzia a quantidade de peças produzidas no país e mantinha a operação dependente de componentes importados.

Vendas e continuidade da produção

O desempenho dos automóveis montados em Itatiaia ajuda a explicar o encerramento da linha nacional.

Em 2025, o Discovery Sport registrou 425 emplacamentos no Brasil. Já o Range Rover Evoque somou 332 unidades. Juntos, os dois SUVs alcançaram apenas 757 veículos vendidos durante todo o ano.

O resultado ficou muito distante da capacidade instalada da fábrica, que poderia montar até 24 mil carros anualmente.

Além disso, entre janeiro e maio de 2026, Discovery Sport e Evoque somaram apenas 264 emplacamentos. Dados referentes ao primeiro semestre apontaram 191 unidades do Discovery Sport e 133 do Evoque.

Enquanto isso, modelos importados passaram a liderar as vendas da marca. Em 2025, por exemplo, o Defender alcançou 968 emplacamentos e superou os veículos produzidos no Brasil.

Dessa forma, manter uma estrutura industrial dedicada a modelos com baixo volume perdeu espaço dentro da estratégia da companhia.

Trabalhadores aguardam definição sobre empregos

O encerramento da produção colocou os 371 funcionários da fábrica no centro das preocupações.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Itatiaia e Porto Real, conhecido como Sindireal, os empregados continuaram participando de cursos de qualificação enquanto aguardavam uma definição sobre o futuro da unidade.

A entidade informou que a Jaguar Land Rover mantém um acordo coletivo de trabalho vigente e vinha cumprindo suas obrigações. Entretanto, o sindicato cobra garantias para preservar os postos de trabalho durante uma possível transferência da fábrica.

Até agora, não existe confirmação pública de que os 371 empregados serão demitidos. Porém, sem a conclusão do negócio com uma nova montadora, os trabalhadores permanecem expostos ao risco de desligamentos.

Chery negocia assumir fábrica da montadora internacional

Enquanto a Jaguar Land Rover encerra a produção nacional, o Grupo Chery negocia assumir a fábrica de Itatiaia.

A intenção é utilizar o complexo para fabricar veículos das marcas Omoda e Jaecoo, que pertencem ao conglomerado chinês. Uma carta de intenções já teria sido assinada para avançar com a transferência da operação.

Representantes da fabricante chinesa também participaram de reuniões com a Prefeitura de Itatiaia e com o Governo do Rio de Janeiro. As conversas envolvem a manutenção ou reformulação dos incentivos fiscais vinculados à fábrica.

Questões tributárias ainda impedem uma definição oficial. Além disso, a Omoda & Jaecoo evita confirmar o endereço da futura fábrica brasileira por causa de acordos de confidencialidade. A empresa, contudo, já confirmou que pretende iniciar a produção nacional em 2027.

Nova montadora pode ampliar fábrica para 100 mil carros

Caso a negociação avance, a antiga fábrica da Land Rover poderá passar por uma grande transformação.

O planejamento divulgado prevê ampliar a capacidade para aproximadamente 100 mil veículos por ano a partir de 2027. Antes disso, adaptações poderiam preparar a estrutura para produzir até 87 mil automóveis anualmente.

O Omoda 4 aparece entre os primeiros modelos cotados para receber produção nacional. A unidade também poderia abastecer o mercado brasileiro e exportar veículos para países vizinhos.

A entrada da fabricante chinesa, portanto, representa a principal esperança para a continuidade da atividade industrial e para a preservação dos empregos.

No entanto, enquanto o acordo não for oficializado, a fábrica permanece sem produção e os 371 trabalhadores seguem aguardando uma resposta definitiva.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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