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Decretos de Bolsonaro

“A morte é a principal agenda do Bolsonarismo”, diz Contarato sobre flexibilização de armas

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Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há seis anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

Contarato criticou decretos de Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Quatro decretos assinados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que flexibilizam o acesso a armas de fogo no país estão preocupando lideranças políticas capixabas. É o caso do senador Fabiano Contarato (Rede) que fez duras críticas às medidas tomadas pelo chefe do Executivo nacional e afirmou que “a morte é a principal agenda do Bolsonarismo”.

Ainda segundo o parlamentar capixaba, Bolsonaro está desmantelando leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) nos estados, mesmo com a pandemia piorando e, ao mesmo tempo, se empenhando em liberar armas para grande número de pessoas. A declaração foi publicada em sua conta oficial do Twitter.

“Bolsonaro desmantela leitos de UTI nos estados, mesmo com alta na demanda, ao mesmo tempo em que se empenha pra armar a população. Assim, cumpre sua agenda eleitoreira, sempre em prejuízo da vida. Não surpreende: a morte é a principal agenda do Bolsonarismo”, afirmou o senador.

Quem também demonstrou preocupação com os decretos de Bolsonaro foi o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). Também através do Twitter, ele comentou a facilitação do acesso as armas e disse que isso trará ainda mais trabalho para a polícia.

“Um carnaval totalmente diferente como nunca visto no Brasil devido a pandemia. Período também marcado pelo debate sobre flexibilização na aquisição de armas e munições através dos novos decretos do Pres. República. Mais armas, mais trabalho para nossos policiais e mais violência”, declarou.

Entenda as medidas

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta sexta-feira (12) quatro decretos que flexibilizam o uso e a compra de armas de fogo no país. Os quatro documentos foram publicados em edição extra do “Diário Oficial da União” no fim da noite.

Veja o que muda com os novos decretos:

  • Limite de armas –Um dos decretos aumenta de quatro para seis o número de armas de fogo que o cidadão comum pode adquirir, desde que preencha os requisitos necessários para obtenção do Certificado de Registro de Arma de Fogo. Esse limite sobe para oito no caso de policiais, agentes prisionais, membros do Ministério Público e de tribunais.
  • Porte de armas –O governo agora passa a permitir expressamente o porte simultâneo de duas armas. O direito ao porte significa poder circular com a arma. Antes, a regra dizia que o porte deveria ser válido apenas para a arma nele especificada, mas não mencionava a quantidade.
  • Aptidão psicológica para CACs –Decreto anterior de Bolsonaro dizia que, para terem armas, colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) deveriam comprovar aptidão psicológica por meio de laudo fornecido por psicólogo cadastrado na Polícia Federal. Agora, a nova regra estabelece que basta o laudo ser assinado por psicólogo com registro no Conselho Regional de Psicologia.
  • Munição e armas para CACs – Antes, caçadores, atiradores e colecionadores poderiam comprar, por ano, até mil munições para cada arma de uso restrito (submetidas a maior controle do Estado) e cinco mil munições para cada arma de uso permitido. Agora, poderão comprar também, por ano, insumos para recarga de até dois mil cartuchos nas armas de uso restrito e insumos para recarga de até cinco mil cartuchos nas de uso permitido. Com permissão do comando do Exército, caçadores podem extrapolar em duas vezes esse limite. Atiradores, em cinco vezes. Além disso, CACs agora só precisarão da autorização do Exército para comprar armas acima do limite estabelecido em decreto anterior: cinco unidades de cada modelo para colecionadores; 15 unidades para caçadores; 30 para atiradores. Essas quantidades valem tanto para as armas de uso restrito quanto para as de uso permitido.
  • Produtos controlados pelo Exército – Um dos decretos determina que não serão produtos controlados pelo comando do Exército itens como: projéteis de munição para armas de porte ou portáteis, até o calibre máximo de 12,7 mm — não vale para projéteis químicos, perfurantes, traçantes e incendiários; miras como as holográficas, reflexivas e telescópicas; armas de fogo obsoletas que tenha projeto anterior a 1900 e utilizem pólvora negra. Quando se trata de um produto controlado, o comando do Exército é responsável por fiscalizar, regulamentar e autorizar o uso, a comercialização e a fabricação.
  • Categorias profissionais – O governo ampliou a lista de categorias profissionais que têm direito a adquirir armas e munições controladas pelo Exército. Foram incluídos os integrantes de Receita Federal, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); tribunais que formam o Poder Judiciário; Ministério Público. A legislação em vigor já dá esse direito a integrantes da Forças Armadas, polícias e bombeiros. Também já estavam contemplados policiais legislativos da Câmara de do Senado, membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e membro do Gabinete Institucional de Segurança da Presidência da República (GSI). O decreto diz ainda que profissionais de todas essas categorias poderão adquirir, por ano, insumos para recarga de até cinco mil cartuchos nos calibres das armas de fogo registradas em seu nome.
  • Prática de tiro desportivo por adolescentes – Decreto anterior já permitia ao adolescente entre 14 e 18 anos praticar tiro nas instituições permitidas pelo comando do Exército e com a autorização dos pais. A novidade agora é que o jovem poderá praticar o tiro com a arma emprestada de algum colega também atirador desportista. Antes, só podia ser com arma dos pais ou do clube de tiro.

Gabriel Almeidahttps://www.portaltemponovo.com.br/
Morador da Serra, Gabriel Almeida é repórter do Tempo Novo há seis anos. Atualmente, o jornalista escreve para diversas editorias do portal.

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