Flávio Bolsonaro (PL) venceu a eleição para presidente na Serra no primeiro turno, no domingo (4). Ainda assim, o mapa da votação por seção mostra onde Lula (PT) resistiu: no Centro de Detenção Provisória do Queimado, nas zonas de periferia e na região rural. A maior votação proporcional de Lula na Serra saiu do Presídio do Queimado, com 72,27% dos votos válidos. Logo atrás aparecem escolas de comunidades rurais, como Putiri, Cidade Nova da Serra e Santiago, e de bairros da periferia, como Central Carapina, Boa Vista II e Vila Nova de Colares. O Tempo Novo fez o levantamento com base nos dados por seção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No total da cidade, Flávio somou 132.177 votos (49,17%), contra 113.186 de Lula (42,10%), uma diferença de 18.991 votos. Em seguida vieram Augusto Cury (Avante), com 3,46%, Renan Santos (Missão), com 3,06%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,67%.
Votação de Lula na Serra foi proporcionalmente maior no presídio
Na única seção instalada no CDP, a urna registrou 86 votos para Lula e 27 para Flávio. Cury teve 3 votos, Renan Santos 2 e Caiado 1.
A Constituição só suspende os direitos políticos de quem tem condenação criminal definitiva. Por isso, presos provisórios, que ainda aguardam julgamento, mantêm o direito ao voto. Para garantir esse direito, a Justiça Eleitoral instala seções especiais nas unidades prisionais. Servidores que trabalham no local também podem votar nessas seções.
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Como a seção reúne pouco mais de cem votos válidos, qualquer variação pesa bastante no percentual. Mesmo assim, a distância chama atenção: em nenhum outro local da cidade o petista chegou a 60%.
Os dez locais onde Lula foi mais forte
Lula passou de 50% dos votos válidos em dez locais de votação da Serra:
- CDP da Serra: 72,27%
- Eceb de Putiri: 59,73%
- Eceb Cidade Nova da Serra: 58,39%
- Emef Antônio Vieira de Rezende, em Central Carapina: 55,04%
- Eceb Santiago da Serra: 54,26%
- Eeefm Vila Nova de Colares: 53,69%
- Emef Espaço Alternativo Jardim Carapina, em Boa Vista II: 53,55%
- Eeef Jônes José do Nascimento, em Central Carapina: 52,97%
- Emef Divinópolis Pastor Oliveira de Araujo: 51,32%
- Emef João Calmon, em Planalto Serrano: 50,05%
Depois do presídio aparecem as três escolas da região rural. No mapa, essas comunidades ocupam grandes áreas em vermelho, mas somam poucos eleitores, com uma ou duas seções cada.
Em números absolutos, o peso está na periferia. A Emef Novo Horizonte deu a Lula 2.220 votos, a maior soma do petista em um único local. Logo atrás aparece a Emef Valéria Maria Miranda, em Vila Nova de Colares, com 2.184. A maior vantagem, porém, saiu da escola Jônes José do Nascimento, em Central Carapina, onde Lula ficou 492 votos à frente de Flávio.
Onde Lula resistiu e onde Flávio dominou
Ao todo, Lula venceu em 31 locais de votação, concentrados em quatro regiões. A primeira é a área rural. Em seguida vem a Grande Carapina, com Jardim Carapina, Jardim Tropical, Central Carapina, Boa Vista, Novo Horizonte e Hélio Ferraz. O petista também venceu no eixo de Planalto Serrano, Cidade Pomar e São Marcos e no litoral norte, de Jacaraípe a Nova Almeida, passando por Feu Rosa e Vila Nova de Colares.
Somadas, as vantagens do petista nesses locais chegam a cerca de 3,3 mil votos, pouco mais de um sexto da diferença final. O restante da cidade ficou com Flávio. O candidato do PL dominou a maior parte da área urbana e abriu as margens mais largas na região de Parque Residencial Laranjeiras.
Empate exato e vitória por três votos
Em alguns locais, a eleição se decidiu no detalhe. Na Emef Olivina Siqueira, em Jardim Tropical, Lula e Flávio terminaram empatados: 1.091 votos para cada um, somadas as dez seções. Já no Cmei Bem-Me-Quer, em Hélio Ferraz, o petista venceu por três votos, 314 a 311. A disputa também foi apertada no Cmei Professora Vera Lucia Lorençon Barcelos, no Bairro das Laranjeiras, onde a diferença ficou em 12 votos.
Como os dados foram levantados
Os percentuais consideram apenas os votos válidos, sem brancos e nulos. Os resultados vêm dos dados abertos do TSE, com 100% das seções apuradas, somados por local de votação. No mapa, a área atribuída a cada local é aproximada, porque cada endereço fica vinculado ao ponto de votação mais próximo. Por isso, uma mancha grande no mapa não significa necessariamente muitos eleitores.
