O vereador da Serra Marlon Fred (PDT) reassumiu o mandato e participou da sessão ordinária desta segunda-feira (18) na Câmara da Serra. O parlamentar deixou o sistema prisional na semana passada após decisão judicial que concedeu liberdade provisória.
Fred havia sido preso em dezembro de 2025, após uma ocorrência envolvendo confronto físico com policiais militares na residência da ex-noiva. O caso teve grande repercussão política na cidade e dividiu opiniões entre os vereadores da Casa.
Na época, parte dos parlamentares saiu em defesa da prerrogativa constitucional da presunção de inocência, enquanto outros adotaram postura mais crítica ao vereador, principalmente Cabo Rodrigues (MDB) e Agente Dias (Republicanos), ambos ligados à área da segurança pública.
Vereador criticou atuação policial e cobrou retratação
Em seu primeiro pronunciamento após retornar ao plenário, Marlon Fred agradeceu aos colegas que o apoiaram durante o período em que esteve preso e afirmou que a experiência serviu como amadurecimento pessoal.
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“É uma alegria muito grande estar de volta a esta Casa. Quero agradecer aos colegas vereadores, especialmente ao presidente, que esteve comigo durante esse período difícil que enfrentei. Como eu falei lá atrás, Deus me castigou, mas não me levou à morte. Não quero entrar em polêmica sobre quem falou bem ou mal de mim. Deus conhece meu caráter e minha história”, declarou.
Durante a fala, o vereador também pediu retratação pública ao vereador Cabo Rodrigues por ter sido chamado de “ficha suja”.
“A única coisa que peço é que o nobre vereador Cabo Rodrigues se retrate sobre ter me chamado de ‘ficha suja’. No mínimo, ele deveria se retratar sobre isso”, afirmou.
Marlon Fred ainda comentou sobre o episódio envolvendo policiais militares e disse respeitar a corporação, mas criticou a atuação dos agentes que participaram da ocorrência.
“Quero deixar claro também meu respeito à Polícia Militar, que é uma instituição honrada no Espírito Santo. Sem a Polícia Militar, nós não somos nada. O problema foi com quatro policiais envolvidos naquela ocorrência. Esses quatro não me representam e, para mim, não representam o Estado do Espírito Santo”, disse.
O vereador afirmou ainda que sua defesa está tomando providências contra veículos de comunicação que, segundo ele, divulgaram informações incorretas sobre o caso.
“Disseram que fui preso por Maria da Penha, o que nunca aconteceu. Pelo contrário: os policiais que me agrediram é que deveriam ter sido responsabilizados. Eles estão sendo processados na Corregedoria da Polícia Militar e também na esfera criminal”, declarou.
Fred afirma que estava defendendo a ex-noiva
Ao falar sobre a ocorrência envolvendo a ex-noiva (hoje atual noiva), Fred admitiu ter cometido erros, mas afirmou que houve excesso por parte dos policiais militares e alegou que os agentes invadiram a residência da mulher durante a ocorrência.
“Um erro não justifica o outro. Eu errei, mas eles também erraram ao me agredir. E mais: quatro homens agredindo uma mulher é uma covardia muito grande. Eu estava sozinho e tive que agir para defendê-la”, afirmou o parlamentar.
Troca de acusações
Após a fala de Fred, o vereador Cabo Rodrigues se posicionou no plenário e rebateu as declarações do colega. O parlamentar afirmou que não faria qualquer tipo de retratação e declarou que Fred é quem deveria prestar esclarecimentos à população por ter sido preso.
Segundo Cabo Rodrigues, os demais vereadores apenas se manifestaram diante dos fatos que vieram a público na época da ocorrência.
Com os microfones desligados, os dois parlamentares ainda trocaram insultos e acusações dentro do plenário da Câmara da Serra.
Entenda o caso
Cabe ressaltar que, inicialmente, Fred foi detido com enquadramento na Lei Maria da Penha e também em decorrência do conflito com os policiais militares, conforme consta no Boletim de Ocorrência. Posteriormente, o delegado responsável pelo caso afastou o enquadramento da Maria da Penha e autuou Fred em flagrante pelos crimes de resistência, desacato e lesão corporal contra os policiais.
No dia dos fatos, Fred esteve na casa da ex-namorada e entrou em luta corporal com um homem identificado naquele momento como atual companheiro da mulher. Policiais militares foram acionados por uma irmã da ex-namorada, mesmo sem o consentimento dela.
Os militares entraram na residência e realizaram a detenção do vereador após um episódio de confronto, no qual foi necessário o uso de taser para imobilizar o parlamentar.
Na delegacia, testemunhas foram ouvidas, incluindo a ex-namorada. Após análise do caso, o delegado afastou a suspeita de crimes previstos na Lei Maria da Penha e autuou o vereador pelos crimes já mencionados. Dias depois, Fred deixou o DPJ de Laranjeiras e foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.