Em um cenário eleitoral apertado, todo território tem seu peso. Ainda assim, há diferenças que não podem ser ignoradas. No Espírito Santo, a Serra é um caso particular e deve manter, ou até ampliar, sua relevância na eleição de 2026.
Dados do TRE-ES indicam que a Serra representa 12,07% dos capixabas aptos a votar em 2026. Esse número, por si só, já posiciona o município no cenário estadual. Entretanto, os contextos também impõem à cidade um caráter decisivo.
O histórico de pesquisas eleitorais aponta que o governador Ricardo Ferraço (MDB) apresenta melhor desempenho no interior do estado, enquanto o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), tem maior força na Grande Vitória. Ambos são pré-candidatos confirmados.
Além disso, o senador Magno Malta (PL), que é uma força política expressiva e pode vir a ser candidato, historicamente registra bom desempenho na Serra. O mesmo ocorre com o ex-governador Paulo Hartung (PSD), que preserva certa influência pela sua trajetória política.
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A princípio, essas quatro forças são as que reúnem as melhores condições de competitividade na eleição para governador, seja como candidatos ou como apoiadores.
Pazolini é presença constante na Serra
Nesse contexto, a estratégia de Pazolini tem se voltado cada vez mais para a Serra. Diante da dificuldade de avançar no interior, ele tem concentrado esforços na região metropolitana, aproveitando a proximidade com Vitória para acessar um eleitorado numeroso e receptivo. Na Serra, essa articulação ocorre principalmente por meio do deputado Pablo Muribeca e do vereador Agente Dias, que fazem oposição ao grupo liderado por Sergio Vidigal e pelo atual prefeito Weverson Meireles, aliados de Ferraço.
Serra: ambiente político que reflete o cenário estadual
A Serra, nesse aspecto, se diferencia das demais cidades da Grande Vitória. Enquanto Cariacica e Vila Velha apresentam cenários mais estáveis e com menor enfrentamento político, o município reúne uma disputa mais acirrada entre base e oposição, o que se reflete diretamente na corrida pelo governo.
Se Ferraço conseguir conter Pazolini na Serra, isso representará um duríssimo golpe para o ex-prefeito de Vitória. Por outro lado, se Pazolini conseguir avançar sobre o eleitorado serrano, esse movimento pode ser decisivo para levá-lo ao segundo turno.
Ao mesmo tempo, a Serra também se apresenta como um terreno fértil para Magno Malta, especialmente pelo expressivo eleitorado evangélico, segmento receptivo ao discurso associado ao bolsonarismo.
Ou seja, além de concentrar o maior eleitorado do estado, a cidade se configura como um campo aberto para os principais nomes da disputa, cada um impulsionado por correntes políticas com forte capilaridade.
Nesse cenário, a Serra pode funcionar como um verdadeiro ponto de partida rumo ao segundo turno para aquele que apresentar melhor desempenho junto ao eleitor, em uma eleição que tende a ser acirrada, imprevisível e, até o momento, com status de empate técnico nas pesquisas.

