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Ave-fantasma que enxerga de olhos fechados surpreende moradores na orla da Serra

Conhecido como urutau ou mãe-da-lua, o pássaro foi flagrado descansando em uma estaca de madeira
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Urutau em Jacaraípe
Um urutau foi registrado na orla de Jacaraípe, na Serra. O vídeo divulgado pelo ambientalista Claudiney Rocha, do Ibraff, mostra a ave camuflada sobre uma estaca de madeira. Crédito: Divulgação
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Uma ave conhecida como urutau, também chamada de mãe-da-lua ou ave-fantasma, chamou a atenção ao escolher um lugar inusitado para descansar: uma estaca de madeira em plena área urbana.

O animal foi encontrado na orla de Jacaraípe, na Serra. Apesar de permanecer imóvel por longos períodos, o pássaro não está ferido nem apresenta sinais de doenças. Na verdade, esse comportamento faz parte de sua estratégia natural de sobrevivência.

O registro foi divulgado em vídeo pelo ambientalista Claudiney Rocha, responsável pelo Instituto Brasileiro de Fauna e Flora (Ibraff). As imagens mostram a ave praticamente confundida com a madeira, graças à sua impressionante capacidade de camuflagem.

A espécie, identificada cientificamente como Nyctibius griseus, possui penas em tons de cinza e marrom. Dessa forma, consegue se esconder entre troncos e galhos, dificultando a identificação por possíveis predadores.

Além disso, o urutau tem hábitos noturnos. Por isso, costuma descansar durante o dia e sair à noite para capturar insetos.

Ave encontrada na Serra consegue enxergar de olhos fechados

Uma das características mais curiosas do urutau é sua capacidade de observar o ambiente mesmo quando mantém os olhos aparentemente fechados.

Isso acontece porque a ave possui pequenas fendas nas pálpebras. Assim, consegue perceber movimentos ao redor sem precisar abrir completamente os olhos.

Essa característica ajuda o animal a identificar possíveis ameaças enquanto permanece imóvel e camuflado.

Outra particularidade é seu canto, que lembra um lamento. Por esse motivo, o urutau também é conhecido como mãe-da-lua e aparece em diversas lendas e histórias populares brasileiras.

Urutau está ameaçado de extinção?

Apesar de enfrentar ameaças ambientais, o urutau encontrado na Serra não é considerado uma espécie ameaçada de extinção em nível global.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o Nyctibius griseus está classificado como “pouco preocupante”. Isso significa que a espécie não enfrenta, atualmente, um risco elevado de extinção em escala mundial.

No entanto, a população da espécie apresenta tendência de redução. Além disso, a destruição de habitats naturais representa uma preocupação para a conservação de diversas aves silvestres.

“Apesar desta espécie não estar na lista de animais ameaçadas, como no caso do urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) que são extremamente raros e consideradas criticamente ameaçadas devido à perda de habitat, são do mesmo gênero, ou seja, com a perda de habitats todas espécies estão ameaçadas”, complementa Claudiney Rocha.

O urutau pode ser encontrado em ambientes urbanos, especialmente onde existem árvores e áreas verdes. Entretanto, sua camuflagem faz com que passe despercebido por muitas pessoas.

O que fazer ao encontrar um urutau na Serra?

A presença da ave na orla de Jacaraípe também reforça a importância de respeitar os animais silvestres.

Ao encontrar um urutau, moradores devem seguir algumas orientações:

  • Não tocar ou tentar capturar o animal.
  • Evitar barulhos e aproximações excessivas.
  • Não tentar fazer a ave voar.
  • Manter crianças e animais domésticos afastados.
  • Observar e fotografar apenas a uma distância segura.

Isso porque permanecer imóvel durante o dia é um comportamento natural da espécie. Portanto, a situação não significa, necessariamente, que o pássaro esteja doente ou ferido.

Caso apresente sinais evidentes de ferimentos ou esteja em perigo, a orientação é procurar os órgãos ambientais responsáveis pelo resgate de animais silvestres.

Enquanto isso, o urutau registrado em Jacaraípe segue como um exemplo da biodiversidade presente na Serra, inclusive em locais movimentados da cidade.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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