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Electrolux vai fechar 2 fábricas de eletrodomésticos e demitir 3 mil funcionários

A Electrolux vai fechar 2 fábricas de eletrodomésticos.
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A Electrolux vai fechar 2 fábricas de eletrodomésticos. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo colocou em andamento uma ampla reorganização industrial que ameaça milhares de empregos. O plano inclui o encerramento de fábricas, a redução de linhas de produção e a transferência de parte da fabricação para outras unidades ou fornecedores externos.

Somadas, as mudanças podem afetar aproximadamente 3 mil trabalhadores. Entretanto, os dois processos estão em fases diferentes. Enquanto uma fábrica já recebeu a confirmação de que deixará de produzir, o futuro da segunda unidade ainda depende de negociações com sindicatos e autoridades.

A empresa responsável pelas decisões é a Electrolux, conhecida no Brasil pela venda de geladeiras, fogões, máquinas de lavar, aspiradores, fornos e aparelhos de ar-condicionado.

Apesar da presença histórica da marca no mercado brasileiro, as fábricas envolvidas ficam na Europa. Uma delas está localizada na Hungria, enquanto a outra funciona na Itália.

Portanto, até o momento, a Electrolux não anunciou o fechamento de fábricas brasileiras por causa desses dois planos internacionais.

Electrolux confirma fechamento de fábrica de geladeiras

O caso mais avançado envolve uma unidade responsável pela fabricação de refrigeradores. A Electrolux decidiu encerrar gradualmente a produção e concluir o fechamento até o fim de 2026, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A fábrica funciona em Jászberény, na Hungria, e produz refrigeradores independentes e modelos de embutir. Aproximadamente 600 funcionários serão diretamente afetados pela medida.

Segundo a companhia, a operação perdeu competitividade diante da estagnação da demanda, da pressão sobre os preços e do aumento dos custos industriais. Por isso, a empresa decidiu concentrar a fabricação em outras unidades.

Durante os próximos meses, a Electrolux deverá reduzir gradualmente o volume produzido no local. Ao mesmo tempo, a multinacional organizará a transferência da produção e negociará as condições de saída dos empregados.

A empresa poderá oferecer indenizações, programas de desligamento, aposentadorias incentivadas ou oportunidades de transferência. Contudo, os acordos trabalhistas ainda definirão quantas pessoas deixarão definitivamente a companhia.

Além disso, a Electrolux pretende continuar atendendo ao mercado europeu com produtos fabricados por outras plantas do grupo e por fornecedores externos.

A empresa também manterá suas atividades comerciais e de marketing na capital húngara, Budapeste. Dessa forma, o encerramento atingirá a produção industrial, mas não representará a saída completa da multinacional do país.

Fechamento deve gerar despesa milionária

A Electrolux prevê uma despesa de reestruturação de aproximadamente 600 milhões de coroas suecas por causa do fechamento da fábrica húngara.

Desse total, cerca de 300 milhões de coroas suecas deverão envolver desembolsos financeiros. A empresa registrará o impacto como uma despesa extraordinária em seus resultados.

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Embora o processo gere custos no curto prazo, a fabricante espera reduzir as despesas industriais depois de concluir a transferência da produção.

Assim, a companhia aposta que a concentração das atividades em fábricas mais competitivas ajudará a melhorar suas margens e enfrentar a concorrência internacional.

Electrolux ameaça fechar outra fábrica de eletrodomésticos

Enquanto a situação da Hungria já está definida, outro plano provoca tensão entre trabalhadores, sindicatos e autoridades.

Na Itália, a Electrolux apresentou uma proposta para reduzir aproximadamente 1.700 postos de trabalho. O número equivale a quase 40% dos cerca de 4.500 funcionários que a empresa mantém no país.

Além dos cortes, o plano prevê o fechamento da fábrica localizada em Cerreto d’Esi, na região central italiana. A unidade produz coifas para cozinhas e emprega aproximadamente 170 trabalhadores.

Portanto, os 1.700 empregos ameaçados não pertencem apenas a essa fábrica. A redução atingiria, em diferentes proporções, as cinco unidades industriais da Electrolux na Itália.

A companhia também pretende diminuir a produção e o número de empregados nas fábricas de Porcia, Susegana, Forlì e Solaro.

Consequentemente, a reorganização poderá mudar profundamente a estrutura industrial da Electrolux no mercado italiano.

Sindicatos reagem e convocam paralisação

Logo depois da apresentação do plano, representantes dos trabalhadores rejeitaram os cortes e anunciaram uma mobilização nacional.

Os sindicatos FIM, FIOM e UILM convocaram oito horas de paralisação nas fábricas da Electrolux. Além disso, as entidades pressionaram o governo italiano para impedir o fechamento da unidade de Cerreto d’Esi.

Os representantes sindicais afirmaram que a redução atingiria todas as operações da empresa no país. Por esse motivo, eles passaram a defender um novo plano industrial, com investimentos, modernização das fábricas e manutenção dos empregos.

O governo italiano, então, entrou nas negociações. As autoridades solicitaram que a Electrolux interrompesse a execução imediata das medidas enquanto as partes discutiam outras soluções.

Electrolux suspende temporariamente plano de demissões

Diante da pressão política e sindical, a Electrolux concordou em suspender temporariamente a reestruturação na Itália.

A decisão deu mais tempo para que a empresa, o governo e os representantes dos trabalhadores elaborassem uma proposta alternativa.

Entretanto, a suspensão não representa o cancelamento definitivo dos cortes. A multinacional ainda poderá reformular, reduzir ou retomar o plano depois das reuniões.

Por enquanto, portanto, a fábrica de Cerreto d’Esi permanece em funcionamento. Da mesma forma, os 1.700 desligamentos ainda não ocorreram.

A negociação deverá discutir investimentos, volumes de produção, custos industriais e possíveis medidas para evitar demissões em massa.

Caso as partes não encontrem um acordo, a Electrolux poderá voltar a defender o fechamento da unidade e a redução de funcionários nas outras fábricas italianas.

Mais de 3 mil funcionários podem ser afetados

Ao considerar os dois processos, aproximadamente 3 mil trabalhadores enfrentam algum tipo de impacto.

Na Hungria, o encerramento confirmado envolve cerca de 600 empregados. Já na Itália, o plano inicial prevê a eliminação de aproximadamente 2.400 postos em todas as operações da empresa.

Contudo, isso não significa que a Electrolux já tenha demitido 3.000 pessoas. Na prática, uma parte expressiva desse número depende do resultado das negociações italianas.

Além disso, nem todos os 600 trabalhadores da fábrica húngara necessariamente perderão o vínculo com a companhia. Alguns profissionais poderão receber ofertas de transferência ou participar de outros programas negociados.

Por isso, o número final de demissões poderá ficar abaixo do total de empregos afetados.

Por que a Electrolux está reorganizando suas fábricas?

A Electrolux enfrenta dificuldades em diferentes mercados de eletrodomésticos, principalmente na Europa.

Nos últimos anos, a demanda perdeu força, enquanto fabricantes asiáticas aumentaram a presença internacional e ampliaram a oferta de produtos com preços mais baixos.

Ao mesmo tempo, as fábricas europeias enfrentam despesas elevadas com energia, transporte, matérias-primas e mão de obra.

Diante desse cenário, a empresa procura concentrar a produção em unidades maiores, modernas e competitivas. A estratégia também inclui a compra de produtos ou componentes fabricados por fornecedores externos.

Consequentemente, fábricas com custos elevados ou produção considerada pouco competitiva entram no centro dos planos de reestruturação.

A Electrolux espera que essas mudanças reduzam as despesas e melhorem os resultados financeiros. Entretanto, sindicatos temem a transferência da produção para outros países e a perda de milhares de empregos industriais.

Fábricas da Electrolux no Brasil também podem fechar?

Até agora, os planos divulgados não atingem fábricas localizadas no Brasil. As duas situações envolvem unidades da Hungria e da Itália.

Além disso, o momento da companhia no mercado brasileiro segue uma direção diferente. Em 2025, a Electrolux inaugurou a primeira fase de uma nova fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná.

O projeto recebeu investimento de aproximadamente R$ 700 milhões e representa a maior expansão industrial da empresa na América Latina.

A companhia também informou que o mercado brasileiro de eletrodomésticos apresentou crescimento no primeiro trimestre de 2026. Por isso, a Electrolux mudou sua perspectiva para o país de neutra para positiva.

Portanto, os consumidores e trabalhadores brasileiros não devem interpretar os fechamentos europeus como uma confirmação de que a multinacional encerrará suas atividades nacionais.

Ainda assim, a reorganização merece atenção, pois mostra que a empresa continua avaliando custos, produtividade e competitividade em suas operações globais.

Quais serão os próximos passos da Electrolux?

Na Hungria, a empresa deverá reduzir a produção progressivamente até encerrar as atividades industriais no fim de 2026.

Durante esse período, a Electrolux organizará a transferência da fabricação de refrigeradores e negociará medidas de apoio aos aproximadamente 600 trabalhadores afetados.

Na Itália, por outro lado, o cenário permanece indefinido. A companhia precisa apresentar e discutir um novo plano com o governo e os sindicatos.

As negociações poderão preservar a fábrica de Cerreto d’Esi, reduzir o número de cortes ou criar alternativas para os funcionários. Entretanto, a Electrolux ainda poderá retomar a proposta original caso as conversas não avancem.

Assim, uma das fábricas já caminha para o encerramento. A outra continua ameaçada, enquanto mais de 2 mil trabalhadores aguardam a definição dos próximos passos da reorganização industrial.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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