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Tachinhas e falta de ciclovias : os desafios de quem vai de bike elétrica entre Serra e Vitória

Ciclistas relatam pneus furados, trechos perigosos e falta de estrutura no trajeto
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Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
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Quem utiliza a bicicleta para fazer o trajeto entre Serra e Vitória precisa enfrentar diariamente uma série de dificuldades. Além da falta de ciclovias em alguns trechos, ciclistas relatam problemas de segurança e até situações que acabam danificando as bicicletas durante o percurso.

Uma dessas situações foi vivenciada pela operadora de saúde Waleska Barbosa Santos Puziol. Ela utiliza uma bicicleta elétrica para ir de casa, na Praia da Baleia, na Serra, até o trabalho, em Vitória.

Nos dias 6, 10 e 14 de agosto, Waleska afirma ter encontrado tachinhas metálicas espalhadas pela ciclovia da Rodovia das Paneleiras, em Vitória. Segundo ela, os objetos furaram os pneus da bicicleta em todas as ocasiões.

“Na primeira vez, no dia 6, o profissional da borracharia me falou que era tachinha. No dia 10, no meu trabalho, vimos que também era. E hoje, de novo”, contou.

Segundo Waleska, a situação já provocou prejuízos e preocupação durante o deslocamento. Ela afirma ainda que registrou um boletim de ocorrência no dia 10 de agosto. “Sou adulta, motorista habilitada, consciente e prudente. Respeito os pedestres, especialmente quando estou na calçada, uso equipamento de proteção e mantenho uma conduta responsável. Estou sendo muito prejudicada, porque fiz um investimento alto na bicicleta”, afirmou.

A ciclista também diz que percebe uma reação negativa de parte da população em relação aos usuários de bicicletas elétricas.

“Nas reportagens que veiculam o assunto na internet, vejo comentários que demonstram aprovação de muitos com essa ação, porque estão descontentes com os usuários das bicicletas elétricas. Muitos até incitam e falam para irem para Vila Velha”, relatou.

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Trajeto de quase 37 quilômetros por dia

A dificuldade de quem utiliza a bicicleta elétrica para trabalhar não se resume às tachinhas. Carmem Lúcia Simões, engenheira de produção, faz quatro vezes por semana o percurso entre Barcelona, na Serra, e Santa Lúcia, em Vitória.

“Faço nos dias de segunda, quarta, quinta e sexta. Nas terças não venho de bike porque tenho um curso que termina muito tarde, às 22 horas, então evito porque o trecho da BR é perigoso”, explicou.

Ao todo, são 18,48 quilômetros na ida e outros 18,48 quilômetros na volta, quase 37 quilômetros diariamente. “Costumo sair de casa às 6h30 e chegar na empresa por volta de 7h35. No retorno, sempre tento sair às 17h. O percurso de volta normalmente demora mais porque pego muitas bikes pelo caminho”, contou.

Segundo Carmem, um dos principais problemas está justamente nos pontos em que a estrutura cicloviária não é contínua. “Evito ao máximo sair mais tarde porque existem pedaços na BR sem ciclovia e mais escuros. Meu intuito de ter uma bike foi fugir do trânsito e ter mais praticidade, mas alguns trechos acabam sendo perigosos”, afirmou.

Além da falta de ciclovias em alguns pontos, as condições climáticas também interferem na rotina. “Quando chove, evito porque meu percurso é longo”, disse.

Falta de ciclovias aumenta sensação de insegurança

Para quem utiliza a bicicleta elétrica diariamente, a ausência de uma estrutura contínua entre os municípios representa um dos principais desafios. O deslocamento exige atenção constante e, em determinados trechos, o ciclista precisa dividir espaço com carros e outros veículos.

A situação é ainda mais delicada para quem faz o percurso durante horários de pouca luminosidade ou em locais onde não há infraestrutura específica para bicicletas.

No caso de Waleska, além dos problemas enfrentados na Rodovia das Paneleiras, a preocupação é com a possibilidade de novos objetos serem colocados na ciclovia.

“Minha bike possui seguro e duas baterias porque meu trajeto é longo. É um investimento alto e eu preciso dela para trabalhar”, explicou.

O uso da bike elétrica como meio de transporte tem crescido entre trabalhadores que precisam se deslocar diariamente entre Serra e Vitória. Mas os relatos mostram que, além da responsabilidade individual dos ciclistas, a infraestrutura e a segurança do trajeto também são fatores importantes para garantir que esse deslocamento seja feito sem riscos.

Prefeituras e Polícia Civil são procuradas

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Vitória para saber quais medidas estão sendo adotadas diante dos relatos de tachinhas espalhadas na ciclovia da Rodovia das Paneleiras e se há monitoramento ou investigação para identificar quem estaria colocando os objetos no local.

A Polícia Civil informou que onde o caso segue sob investigação. E que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia 181. O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas. 

A Prefeitura da Serra foi questionada sobre a estrutura cicloviária do município, especialmente nos trechos utilizados por trabalhadores que fazem diariamente o percurso entre Serra e Vitória, além de possíveis projetos ou medidas para ampliar a segurança e melhorar as condições para quem utiliza bicicletas elétricas ou convencionais.

Assim que os órgãos responderem, as informações serão acrescentadas à reportagem.

Foto de Jady Oliveira

Jady Oliveira

Jady Oliveira é repórter do Portal Tempo Novo, onde cobre temas variados com foco em notícias policiais e acontecimentos do dia a dia na cidade da Serra.

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