E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Gigantes dos supermercados e farmácias anunciam fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores

Grandes redes de supermercados e farmácias anunciaram o fim da escala 6x1.
Compartilhe:
Escala 6x1 Supermercados Farmácias Trabalhadores
Grandes redes de supermercados e farmácias anunciaram o fim da escala 6x1. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Grandes empresas do varejo brasileiro estão substituindo a escala 6×1 por jornadas com duas folgas semanais. Redes de farmácias, supermercados e atacarejos já transferiram funcionários para o modelo 5×2, no qual o trabalhador cumpre cinco dias de expediente e descansa dois.

Em algumas companhias, a mudança já alcança todos os profissionais das lojas. Em outras, as empresas iniciaram projetos-piloto e anunciaram planos para ampliar o novo formato gradualmente.

Além disso, o movimento não depende apenas das propostas que tramitam no Congresso Nacional. Parte das redes decidiu antecipar a transformação para reduzir pedidos de demissão, atrair candidatos e melhorar a rotina das equipes.

No entanto, duas folgas semanais não significam necessariamente uma jornada menor. Algumas empresas mantiveram as 44 horas e redistribuíram a carga entre cinco dias de trabalho.

Maior rede de farmácias adota escala 5×2 em todas as lojas

A mudança mais abrangente ocorreu na RD Saúde, responsável pelas farmácias Raia e Drogasil.

A companhia implantou a escala 5×2 em suas mais de 3,5 mil lojas espalhadas pelo Brasil. Dessa forma, todos os funcionários que atuam nas unidades passaram a trabalhar cinco dias e descansar dois durante a semana.

A transformação começou no segundo semestre de 2025. Primeiro, a empresa aplicou o modelo aos farmacêuticos, gerentes e demais profissionais que ocupavam cargos de liderança. Depois, ampliou a escala para o restante das equipes.

Segundo a companhia, a disputa por profissionais qualificados e a necessidade de conter a rotatividade influenciaram a decisão. Ao oferecer duas folgas, a empresa busca tornar as vagas mais atraentes e manter trabalhadores experientes por mais tempo.

Apesar da nova escala, a RD Saúde não diminuiu a carga semanal. Os empregados continuam cumprindo 44 horas, agora distribuídas entre cinco dias.

A empresa afirma que conseguiu adotar o formato em toda a operação sem aumentar os custos. Entretanto, calcula que uma futura redução para 40 horas semanais poderia elevar suas despesas operacionais em aproximadamente 10%.

Supermercados levam duas folgas para novas unidades

O fim da escala 6×1 também avança entre os supermercados. Um dos exemplos aparece no Grupo Supernosso, dono das bandeiras Supernosso e Apoio Mineiro.

A empresa começou a testar o novo modelo em março de 2026. Cerca de 500 trabalhadores de três unidades de Belo Horizonte participaram da primeira experiência.

Após analisar os resultados, o grupo ampliou a escala 5×2 para outras 13 lojas da capital mineira e da Região Metropolitana. A segunda fase começou em 8 de junho.

Agora, a rede pretende levar o formato às suas 45 unidades até o fim de 2026. Caso conclua o cronograma, aproximadamente 4.800 funcionários passarão a ter duas folgas por semana.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

Assim como ocorreu nas farmácias da RD Saúde, o Supernosso manteve a carga de 44 horas semanais. A jornada diária aumentou, enquanto as folgas podem ocorrer em dias consecutivos ou separados.

Além disso, algumas lojas reduziram o horário de funcionamento para acomodar as novas escalas. Mesmo assim, a empresa informou que o projeto melhorou a retenção de profissionais e não prejudicou as vendas.

Extrabom testa o fim da escala 6×1

Outra experiência começou no Grupo Coutinho, responsável pelas redes Extrabom, Extraplus e Atacado Vem.

Inicialmente, o grupo implantou a escala 5×2 em três supermercados. As unidades escolhidas ficam em Laranjeiras, na Serra; Praia das Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória.

A empresa informou que pretende avaliar os impactos sobre o atendimento, a produtividade e a organização interna antes de levar o formato para outras lojas.

O grupo também relacionou a decisão à necessidade de aumentar a satisfação dos funcionários, melhorar a atratividade das vagas e reduzir a saída de profissionais.

A mudança ainda não alcança automaticamente todos os trabalhadores do Extrabom. Contudo, o Grupo Coutinho possui milhares de empregados e poderá ampliar o número de beneficiados caso aprove definitivamente o modelo.

Supermercados garantem folga fixa aos domingos

As mudanças no varejo não se limitam à escala 5×2. No Espírito Santo, uma convenção coletiva proibiu o trabalho aos domingos em supermercados, hipermercados, atacarejos, mercearias e outros estabelecimentos do comércio de alimentos.

A medida entrou em vigor em 1º de março de 2026 e deve permanecer válida até 31 de outubro. O acordo ainda prevê exceções para inventários, balanços, vigilância, manutenção e outras atividades internas consideradas indispensáveis.

Com isso, grandes redes passaram a concentrar o atendimento entre segunda-feira e sábado. A regra alcança empresas como Atacadão, Assaí, Carrefour, Extrabom, Carone, Perim e Supermercados BH nas unidades capixabas.

No caso do Supermercados BH, os funcionários das 44 lojas instaladas no estado passaram a ter folga fixa aos domingos. Segundo o presidente da companhia, Pedro Lourenço de Oliveira, a rotatividade caiu 10% no primeiro mês da nova operação.

O fechamento aos domingos, porém, não transforma automaticamente todos os contratos em escala 5×2. O funcionário ainda pode trabalhar de segunda-feira a sábado e descansar somente no domingo, conforme a jornada definida pela empresa.

Mesmo assim, a folga fixa modifica a rotina de profissionais que antes trabalhavam em sistemas de revezamento durante praticamente todos os finais de semana.

Por que as empresas estão trocando a escala 6×1?

Supermercados e farmácias enfrentam dificuldades crescentes para preencher vagas e manter funcionários. Muitos candidatos rejeitam empregos que exigem trabalho por seis dias consecutivos ou aos domingos.

Além disso, a saída frequente de trabalhadores gera despesas. A empresa precisa abrir novos processos seletivos, treinar substitutos e reorganizar as equipes sempre que alguém pede demissão.

Por outro lado, a escala 5×2 pode aumentar o interesse pelas vagas. Com dois dias livres, o funcionário consegue descansar, estudar, cuidar da família e resolver compromissos pessoais com mais facilidade.

Entretanto, a implantação exige planejamento. As empresas precisam revisar turnos, horários de abertura, quantidade de funcionários e distribuição das horas ao longo da semana.

Por esse motivo, algumas redes preferem iniciar a mudança em poucas lojas. Depois, analisam os resultados antes de aplicar o modelo em toda a operação.

Escala 5×2 pode manter as 44 horas semanais

O fim da escala 6×1 dentro de uma empresa não significa, obrigatoriamente, uma redução da jornada semanal.

No modelo 6×1, o trabalhador cumpre expediente durante seis dias e descansa um. Já na escala 5×2, ele trabalha cinco dias e recebe duas folgas.

Contudo, a empresa pode manter as 44 horas permitidas atualmente. Nesse caso, o empregado permanece mais tempo no trabalho durante cada um dos cinco dias.

Foi essa a solução adotada pela RD Saúde e pelo Grupo Supernosso. As empresas mudaram a quantidade de dias trabalhados, mas preservaram a carga semanal.

Portanto, o trabalhador precisa verificar tanto a escala quanto o total de horas previsto no contrato. São informações diferentes e que produzem efeitos distintos na rotina.

Fim nacional da escala 6×1 ainda não está valendo

Embora grandes empresas já tenham iniciado a mudança, a escala 6×1 continua permitida no Brasil.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 27 de maio de 2026, uma proposta que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, dividida em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado.

A PEC 221/2019 recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. Na segunda votação, os deputados aprovaram o texto por 461 votos a 19.

Pela proposta, a mudança ocorreria gradualmente e sem redução salarial. Dois meses depois da eventual promulgação, os trabalhadores passariam a ter duas folgas e uma jornada máxima de 42 horas semanais.

Posteriormente, 14 meses após a promulgação, o limite cairia para 40 horas. Um dos dias de descanso deveria ocorrer preferencialmente aos domingos.

No entanto, a aprovação da Câmara não encerrou o processo. O Senado ainda precisa analisar a proposta em comissões e votar o texto em dois turnos.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já afirmou que a PEC não seguirá diretamente ao plenário. Segundo ele, os senadores deverão ouvir trabalhadores, empresas e diferentes setores da economia antes de decidir.

Além disso, a proposta precisa receber o apoio de pelo menos três quintos dos senadores em cada turno. Caso o Senado modifique o texto, a matéria poderá retornar à Câmara.

Milhões de trabalhadores podem ganhar duas folgas

Enquanto o Congresso discute uma regra nacional, as próprias empresas começaram a redesenhar as jornadas.

A RD Saúde já concluiu a transição em todas as farmácias. O Supernosso pretende alcançar 4.800 trabalhadores até o fim do ano. Já o Extrabom acompanha os resultados de três unidades antes de decidir sobre uma expansão.

Ao mesmo tempo, convenções coletivas passaram a garantir folgas aos domingos em determinadas regiões.

Portanto, o movimento contra a escala 6×1 já chegou às lojas, mesmo sem uma obrigação nacional. A tendência poderá alcançar novos supermercados, farmácias e outros estabelecimentos que enfrentam dificuldades para contratar e manter trabalhadores.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

Leia também