Serra e Estado descartam militarizar escolas públicas

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Aulas presenciais serão retomadas em março. Foto: Jansen Lube | Acervo Secom

 

Aula na rede pública municipal: Secretaria de Educação da Serra não pretende aderir à medida, que ganha força no país. Foto: Jansen Lube

A tendência de militarização de escolas que vem sendo verificada no país não deve chegar às unidades de ensino municipais da Serra e às gerenciadas pelo Estado. Pelo menos é o que apontam as secretarias de Educação da Serra e do governo estadual.

O secretário Municipal de Educação, Gelson Junquilho, explicou por que a medida não está no radar do município. “Não tem nenhuma intenção de trazer a militarização para o município. A Serra não tem necessidade disso. São mais de sete mil profissionais competentes na educação, que estudaram para isso e estão em constante formação. A escola tem condições de ser gerida pela sociedade civil”, argumenta.

Para ele, os militares devem ser parceiros das escolas. “Temos convênios para manter a segurança das unidades de ensino e o programa Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), que são ótimas parcerias. Existem escolas militares seculares muito boas, como a do Rio de Janeiro, e não tenho nada contra o colégio militar; nenhum problema em abrir aqui, mas pelo município não”, pontua.

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Segundo Junquilho, há diferenças na formação de militares e educadores. “A formação do militar é diferente da de professores e pedagogos, são visões diferentes de mundo. Fala-se muito em disciplina, mas escolas lidam com crianças e adolescentes. Crianças querem brincar; adolescentes, se manifestar. Professores e pedagogos estudam para lidar com isso. Acredito em uma escola participativa, com aproximação entre alunos, profissionais e família. Começamos o projeto piloto de escola integral em Vila Nova de Colares com esse intuito”, explica.

Ele também defende que cada um cumpra o seu papel social. “Cada um cumpre o seu papel na sociedade. O militar trabalha com a segurança, que é um papel digno; e o professor, com a educação. Eu não teria condições de trabalhar na segurança pública, pois não fui preparado para isso”, compara.

Isso tudo sem considerar a questão econômica. “Em escolas militares, o custo com aluno é seis vezes maior do que em escolas comuns. Em um cenário com cada vez mais cortes no orçamento, isso se torna impagável”, conclui.

Regulamentação federal

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Educação também foi questionada se criaria alguma normativa para militarizar escolas estaduais e se teria intenção de implantar esse sistema. A Sedu disse que, no momento, nada indica um processo de militarização nas escolas estaduais, e que o assunto será abordado caso haja alguma regulamentação federal.   

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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