Senhor dos Anéis As Duas Torres: o capítulo do meio que mudou o padrão das batalhas no cinema

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Duas Torres senhor aneis
As Duas Torres é o filme da trilogia onde a escala narrativa e visual mais cresce, e onde a cena de batalha que mudou permanentemente o padrão do gênero acontece

O segundo capítulo da trilogia, senhor dos aneis as duas torres, tinha o problema clássico de todos os filmes do meio de trilogia: manter o momentum sem ter um começo ou um fim convencionais. O que Peter Jackson fez com esse problema foi transformá-lo em vantagem: As Duas Torres é o filme da trilogia onde a escala narrativa e visual mais cresce, e onde a cena de batalha que mudou permanentemente o padrão do gênero acontece.

A Batalha do Abismo de Helm

A sequência de 40 minutos da Batalha do Abismo de Helm é frequentemente citada por cineastas e críticos de efeitos especiais como o divisor de águas do cinema de fantasia épica. Não apenas pela escala, exércitos de 10.000 Uruk-hai contra algumas centenas de defensores humanos, mas pela forma como Jackson a filmou com coerência espacial real.

O espectador sabe onde está cada grupo de personagens em relação ao campo de batalha, sabe o que está em jogo a cada momento da sequência, e sente a progressão do desespero conforme as defesas vão cedendo. Num gênero frequentemente dominado por batalhas confusas que priorizam o impacto visual sobre a legibilidade, Abismo de Helm estabeleceu um padrão que ainda é a referência de como filmar batalhas com escala e clareza ao mesmo tempo.

Gollum e a revolução do personagem digital

As Duas Torres também foi onde Gollum, interpretado por Andy Serkis através de captura de movimentos, se tornou o primeiro personagem digitalmente criado a receber reconhecimento sério de crítica como performance de ator. A dualidade de Gollum e Sméagol, o debate interno entre as duas personas do mesmo ser que corrói os relacionamentos ao longo do filme, foi construído por Serkis e pela equipe de animação Weta Digital com uma especificidade emocional que o CGI anterior nunca havia alcançado.

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As Duas Torres e o personagem de Gollum

Dentre todos os avanços técnicos e narrativos da trilogia O Senhor dos Anéis, o personagem de Gollum em As Duas Torres é frequentemente citado como o mais revolucionário. Andy Serkis capturou a performance física e vocal do personagem em sessões de captura de movimento que foram então usadas pela equipe de animação da Weta Digital como base para a animação final.

O resultado foi um personagem que parecia genuinamente vivo de formas que o CGI de personagens da época raramente alcançava. Os músculos sob a pele reagiam de formas realistas, as expressões faciais tinham a especificidade das de um ator real, e o desempenho vocal de Serkis criava uma psicologia interna coerente para um ser que é simultaneamente patético, sinistro e profundamente trágico.

Gollum é o que Frodo poderia se tornar se fracassasse na sua missão, e essa dimensão de espelho funciona de formas que o filme explora com elegância nas cenas entre os dois personagens. A cena de Gollum dividido entre as suas duas personalidades, Sméagol e Gollum, é um dos momentos de atuação mais tecnicamente impressionantes dos três filmes.

A aventura como gênero fundador

Se o cinema começou com imagens de trens chegando e operários saindo de fábricas, foi com as primeiras aventuras de perseguição e ação que o médio encontrou as linguagens narrativas que usa até hoje. O corte de continuidade, o paralelo entre múltiplas ações simultâneas, o uso da câmera em movimento para criar sensação de velocidade: todas essas ferramentas foram desenvolvidas e codificadas no gênero de aventura muito antes que o cinema de arte as adotasse como recursos expressivos.

Essa origem não é apenas curiosidade histórica. Significa que o gênero de aventura tem uma relação específica com a gramática básica do cinema que outros gêneros não têm da mesma forma. Quando um bom filme de aventura funciona, ele está usando o cinema no registro para o qual o cinema foi essencialmente inventado.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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