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Receita Federal vai usar inteligência artificial para fiscalizar transações bancárias de brasileiros

A Receita Federal começou a usar inteligência artificial para fiscalizar transações bancárias.
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A Receita Federal começou a usar inteligência artificial para fiscalizar transações bancárias. Crédito: Divulgação
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Brasileiros que movimentam dinheiro, declaram Imposto de Renda, compram bens ou mantêm empresas devem ficar mais atentos às informações enviadas ao Fisco. A Receita Federal passou a ter uma política oficial para usar inteligência artificial em atividades de fiscalização, análise de dados e identificação de riscos tributários.

Na prática, a tecnologia amplia a capacidade do órgão de cruzar informações que já chegam legalmente à administração tributária. Isso inclui dados declarados pelo próprio contribuinte, informações de empresas, registros financeiros, notas fiscais, cartórios e outras bases usadas no combate à sonegação.

A mudança não significa que a Receita vai criar um novo imposto ou passar a tomar decisões automáticas contra contribuintes. No entanto, o uso de sistemas mais avançados pode fazer com que inconsistências apareçam com mais rapidez.

Com isso, movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada, patrimônio sem origem comprovada, omissão de bens e divergências em declarações podem ganhar mais destaque na seleção de casos para fiscalização.

Receita Federal passa a usar IA na fiscalização

A Política de Inteligência Artificial da Receita Federal foi publicada em fevereiro de 2026, por meio da Portaria RFB nº 647/2026. A norma criou regras para o uso, desenvolvimento, contratação, monitoramento e desativação de soluções de IA dentro do órgão.

O texto permite o uso da tecnologia em áreas como fiscalização, arrecadação, análise de dados, atendimento ao contribuinte, controle aduaneiro e gestão de riscos. Portanto, a Receita passa a contar com uma estrutura formal para aplicar algoritmos em tarefas que envolvem grande volume de informações.

A ideia é usar a inteligência artificial para encontrar padrões, apontar indícios de irregularidade e organizar melhor o trabalho dos auditores fiscais. Assim, o Fisco consegue direcionar a fiscalização para situações consideradas mais sensíveis.

Ainda assim, a decisão final continua sob responsabilidade de servidores públicos. A própria política da Receita afirma que a IA deve funcionar como ferramenta de apoio, e não como substituta dos auditores, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Movimentações bancárias entram no cruzamento de dados

Um dos pontos que mais chama atenção envolve os dados financeiros. Bancos, instituições de pagamento e outras entidades já enviam informações ao Fisco dentro das regras legais. Esses dados ajudam a Receita a verificar se a movimentação declarada combina com a renda, o patrimônio e as obrigações tributárias do contribuinte.

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Com o apoio da inteligência artificial, esse cruzamento tende a ficar mais rápido. Por exemplo, uma pessoa que declara renda baixa, mas apresenta movimentação financeira elevada, compra bens de alto valor ou mantém despesas incompatíveis, pode chamar mais atenção.

Além disso, empresas também entram no radar. A Receita pode usar a tecnologia para encontrar divergências em notas fiscais, escriturações, créditos tributários, declarações obrigatórias e operações que não combinam com o faturamento informado.

O foco, portanto, não está em uma transação isolada. A análise considera o conjunto das informações disponíveis. Quando vários dados apontam para a mesma inconsistência, o caso pode receber prioridade.

Receita Federal vai fiscalizar Pix?

A Receita Federal já negou que faça monitoramento individual de cada Pix. O órgão também afirma que não existe cobrança de imposto apenas porque uma pessoa fez ou recebeu transferência por Pix.

No entanto, isso não significa que movimentações financeiras estejam fora do alcance do Fisco. Instituições financeiras e plataformas de pagamento prestam informações dentro das obrigações legais, geralmente de forma consolidada.

Ou seja, a Receita não precisa acompanhar “Pix por Pix” para encontrar sinais de problema. O cruzamento de dados pode indicar quando a movimentação total de uma pessoa ou empresa não bate com a renda declarada, com o faturamento informado ou com o patrimônio registrado.

Por isso, o risco maior não está em uma transferência comum do dia a dia. O alerta aparece quando o volume movimentado, os bens comprados ou as despesas registradas não têm explicação compatível com as informações oficiais.

O que a inteligência artificial pode encontrar?

A inteligência artificial pode ajudar a Receita Federal a identificar diferentes tipos de divergência. Entre os exemplos estão renda declarada abaixo do padrão de vida, bens não informados no Imposto de Renda, despesas incompatíveis com os ganhos e movimentações financeiras sem origem clara.

Também podem aparecer inconsistências em notas fiscais, omissão de faturamento, uso indevido de créditos tributários, informações divergentes entre empresas e dados fiscais que não fecham entre si.

No caso de pessoas físicas, o sistema pode apontar situações em que a evolução patrimonial não combina com a renda declarada. Já no caso das empresas, a tecnologia pode destacar erros ou indícios de fraude em obrigações digitais.

Dessa forma, a fiscalização passa a depender menos de análises manuais demoradas e ganha mais capacidade de selecionar casos com maior risco de irregularidade.

Autuações chegaram a R$ 233 bilhões

A nova fase tecnológica ocorre em um momento de forte atuação da Receita Federal. O órgão informou que as autuações da fiscalização somaram R$ 233 bilhões em 2025.

O valor mostra o tamanho das irregularidades identificadas pelo Fisco e reforça a estratégia de ampliar o uso de tecnologia para combater sonegação, evasão fiscal e falta de recolhimento de tributos.

Com sistemas de inteligência artificial, a Receita consegue analisar milhões de informações em menos tempo. Assim, os auditores recebem alertas mais organizados e podem concentrar esforços nos casos com maior potencial de recuperação de valores.

Mesmo assim, a IA não aplica punição sozinha. Ela aponta indícios, organiza dados e ajuda na triagem. Depois disso, cabe ao auditor avaliar o caso e tomar as medidas previstas na legislação.

Inteligência artificial terá supervisão humana obrigatória

A política da Receita estabelece limites para o uso da inteligência artificial. Os sistemas devem seguir princípios de transparência, segurança, rastreabilidade, proteção de dados, responsabilidade e supervisão humana.

Isso significa que as ferramentas precisam deixar registros sobre seu funcionamento. Dessa forma, o órgão pode auditar as análises realizadas e verificar como determinado resultado foi produzido.

Além disso, a norma prevê responsabilidade pelo uso inadequado das soluções de IA. Portanto, servidores que utilizarem a tecnologia de forma irregular podem responder pelas consequências.

A regra busca evitar decisões automáticas sem controle e reduzir riscos de erros, abusos, vieses ou interpretações equivocadas.

O que muda para o contribuinte?

Para quem declara corretamente seus rendimentos, bens, despesas e movimentações, a principal mudança está no aumento da capacidade de conferência da Receita Federal. A tecnologia não muda, por si só, as regras do Imposto de Renda ou dos tributos pagos no país.

Por outro lado, quem omite informações pode ficar mais exposto. Isso vale para pessoas que deixam de declarar renda, escondem patrimônio, informam dados incompletos ou movimentam valores incompatíveis com o que foi declarado.

Empresas também precisam redobrar a atenção. Com obrigações fiscais cada vez mais digitais, erros em notas, declarações, registros contábeis e informações de faturamento podem aparecer com mais facilidade.

Por isso, especialistas recomendam manter documentos organizados, guardar comprovantes e corrigir falhas antes que elas se transformem em problema com o Fisco.

Receita Federal entra em uma nova era de fiscalização

A chegada da inteligência artificial à fiscalização da Receita Federal representa uma mudança importante na relação entre contribuintes e Fisco. O órgão passa a cruzar dados com mais velocidade, mais alcance e mais precisão.

Essa nova etapa não significa que todos os brasileiros serão fiscalizados automaticamente. No entanto, aumenta a chance de a Receita encontrar divergências que antes poderiam demorar mais tempo para aparecer.

Na prática, a mensagem é clara: informações financeiras, patrimoniais e fiscais precisam conversar entre si. Com a tecnologia, dados espalhados em diferentes sistemas podem ser analisados em conjunto e revelar inconsistências com muito mais rapidez.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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