Uma rã conhecida por emitir um som grave, parecido com o mugido de um boi, acendeu o alerta de autoridades ambientais no Brasil. A espécie, chamada rã-touro, tem origem na América do Norte, se espalhou por diferentes regiões do mundo e preocupa especialistas por causa do comportamento predador e da capacidade de ameaçar animais nativos.
A rã-touro, cujo nome científico é Aquarana catesbeiana, entrou na lista de espécies invasoras que exigem atenção máxima em Santa Catarina. Agora, equipes ambientais monitoram a presença do anfíbio depois que exemplares apareceram em uma área de Florianópolis.
O caso ocorre no bairro Ratones, no Norte da capital catarinense. A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis, a Floram, acompanha a situação com apoio de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Espécie invasora preocupa especialistas
De acordo com o Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis da UFSC, a rã-touro chama atenção pelo tamanho e pela dieta ampla. Na prática, ela pode predar peixes, anfíbios, répteis e até pequenos mamíferos.
Leia também
Além disso, a espécie disputa alimento e espaço com animais nativos. Por isso, quando se instala em um ambiente natural, ela pode desequilibrar a fauna local e ocupar áreas antes usadas por espécies brasileiras.
Outro ponto preocupa ainda mais os pesquisadores. A rã-touro também pode carregar e transmitir doenças que atingem anfíbios nativos, peixes e répteis. Por esse motivo, os exemplares capturados passam por análises laboratoriais, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Animal está em categoria de maior alerta
Em Santa Catarina, a rã-touro aparece na Categoria 1 da lista de espécies exóticas invasoras. Essa classificação indica maior nível de alerta e orienta medidas de controle e manejo.
Os animais recolhidos em Florianópolis passam por exames, incluindo testes para ranavírus e quitridiomicose, doenças que podem causar impactos graves em populações de anfíbios.
Segundo a Floram, o trabalho em Ratones segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. Assim, as equipes tentam entender a dimensão do problema antes que a espécie se espalhe por novas áreas.
Como a rã-touro chegou ao Brasil?
A rã-touro não é nativa do Brasil. Ela veio da América do Norte e chegou ao país em 1935 para criação comercial em ranários.
Com o passar dos anos, alguns desses criadouros fecharam. Além disso, escapes e solturas acabaram levando o animal para ambientes naturais. A partir daí, a espécie encontrou condições para se reproduzir e avançar em diferentes regiões.
Hoje, pesquisadores consideram a rã-touro uma das piores espécies invasoras do mundo. Isso ocorre justamente pela força de adaptação, pelo apetite predador e pela alta capacidade de reprodução.
Primeiros registros da rã gigante
O primeiro registro da rã-touro em Florianópolis ocorreu em outubro de 2025, em uma propriedade de Ratones. Depois disso, as equipes realizaram ações de campo para localizar novos exemplares.
Até agora, a prefeitura informou que 11 animais foram capturados. Em novembro de 2025, os técnicos encontraram três juvenis e sete adultos. Já em março de 2026, mais um exemplar entrou no levantamento.
A presença da espécie já teve confirmação em três propriedades. No entanto, relatos de moradores indicam que a rã pode estar na região há mais tempo.
Som parecido com mugido de boi ajuda na identificação
Uma das características mais marcantes da rã-touro está na vocalização. O animal emite um som forte e grave, semelhante ao mugido de um boi. Por isso, recebeu o nome popular de rã-touro.
Esse som também pode ajudar moradores a identificar possíveis áreas de ocorrência. Ainda assim, especialistas orientam que ninguém tente capturar ou manejar o animal por conta própria.
Prefeitura pede ajuda dos moradores
A Floram também iniciou ações de educação ambiental em parceria com a UFSC. O objetivo é envolver moradores, escolas e comunidades no mapeamento da espécie.
A prefeitura pede que a população informe locais onde encontrar a rã-touro ou ouvir o som característico do animal. Em Florianópolis, os relatos podem ser enviados para o e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660.
As autoridades reforçam que apenas equipes especializadas devem fazer o manejo. Dessa forma, o município tenta evitar riscos à população e reduzir os impactos da espécie invasora sobre a fauna local.
